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Cada vez mais os militares estão mais à vontade para defender a volta da ditadura e o, consequente recrudescimento do regime político contra povo. Agora foi a vez do Coronel Fernando Montenegro, do Exército. Em uma artigo publicado no portal online DefesaNet, o coronel defende, em linhas gerais, um maior fortalecimento dos órgãos de segurança e espionagem do estado contra a população. A tese central do texto é a necessidade de integração dos aparatos de segurança, a volta do Serviço Nacional de Informações, o SNI.

O SNI foi um órgão criado pelos militares após o golpe de 1964, seu principal objetivo era vigiar e fiscalizar o movimento operário e suas organizações. O próprio coronel cita isso, quando afirma que o órgão foi responsável pelo desmantelamento de mais de “32 organizações subversivas”, as quais, na realidade, eram os sindicatos, partidos e movimentos representantes da classe trabalhadora. Foi, portanto o início da perseguição política contra a esquerda, os ativistas e militantes, o que resultou posteriormente na endurecimento da censura, nas torturas e mortes da ditadura. O SNI foi desativado em 1992.

Para defender esse ponto de vista, o coronel exalta o período militar de 1964, defendendo os torturadores da época. De acordo com o militar, as milhares de torturas e mortes do período foram consequência das chamadas ações “terroristas” dos grupos de esquerda. Para as forças armadas, quando a população, a juventude se levanta para enfrentar um regime totalmente opressor e assassino é “terrorismo”.

O texto segue, com o coronel tentando justificar as arbitrariedades do período ditatorial. Para tanto tece elogios ao regime político norte-americano visto por ele como um exemplo de modelo de segurança, no qual o estado e seus órgãos de vigilância tem um papel mais presente na fiscalização da vida das pessoas.

Por fim, o militar faz argumenta de forma entusiasmada as inúmeras possibilidades que a tecnologia atual possibilita para que a vigilância por parte do estado se torne ainda mais sofisticada, ampliando a espionagem sobre a vida da população. Cita os avanços na área da computação, como a Inteligência de Imagem, na qual os órgãos do governo utilizam de fotos e imagens publicadas na internet para analisar a conduta de cada pessoa.

O fato é que uma nova ditadura militar será muito mais agressiva e repressora contra o povo do que a última, que chacinou a vida de jovens, trabalhadores e de vários outros cidadãos. Os militares que já atuam de forma ilegal contra as organizações populares, terão todo o respaldo, inclusive ajuda estrangeira para praticar os maiores ataques contra a vida de todo povo.

É por isso que é necessário denunciar as ameaças dos militares golpistas que estão a cada dia mais a vontade para se declarar e fazer terrorismo contra as liberdades de toda a população. A organização dos comitês de luta contra o golpe e a denúncia e a mobilização contra o golpe militar estão na ordem do dia.

 

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