2ª onda revela a farsa
Longe de estarmos livres dos males provocados pela pandemia, a segunda onda revela toda a farsa na precipitada abertura da economia e do comércio no mundo, e também no Brasil
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De Leste a Oeste, países endurecem suas restrições para tentar conter o vírus. | (Foto: Gonzalo Fuentes/Reunters)

Como sempre foi o posicionamento deste Diário, desde o início da pandemia quando já denunciávamos  o isolamento social como uma solução para minorias, diante de toda a multidão de pessoas que eram, e ainda são, obrigadas pelo trabalho e as empresas, que não podem encerrar as atividades e esperar até o surgimento de uma vacina, a continuarem a se exporem ao convívio e ao ambiente mais agressivo, pelo aglutinamento, e pela carência de EPI – Equipamento de Proteção Individual, incluindo álcool em gel, máscaras e etc.

E isso agravado pelo fato de que, sem a necessária contenção do contágio, por faltarem as medidas e o investimento, tanto do governo, esse principalmente, quanto das empresas, sendo o contágio acelerado e inevitável, o sistema de saúde, despreparado como estava, caminhou para o colapso, o que aconteceu, o que nos traz aqui a esse momento em que o país chora a morte de quase 150 mil pessoas.

Tirando a China e a Coréia do Norte, pelo rigor e disciplina com que se dispuseram a atacar a pandemia,  o restante seguiu, com uma variação ou outra, o mesmo processo que o Brasil, chegando a uma segunda onda de contágio, como consequência de uma prematura abertura do comércio, motivando a circulação das pessoas, que, estimuladas ao consumo pela necessidade de lucro das empresas, se aglomeram novamente nas ruas, nos bares, até nas escolas, e colhem dessa decisão, o que já se esperava que aconteceria: nova onda de contágio e morte.  

Com isso, o mundo, mais uma vez, com a prematuramente e precipitada abertura do comércio, passa a somar ao resultado catastrófico dessa decisão equivocada, que privilegia o lucro e negligencia a saúde de todos, o único resultado previsível de dois milhões de casos de Covid-19, segundo informações divulgadas nesta terça-feira (22) pela Organização Mundial da Saúde (OMS).

Com exceção da África, o crescimento de contágio se revelou uma tendência geral, conforme anunciou a OMS: “De 14 a 20 de setembro, registramos quase dois milhões de novos casos de Covid-19, o que representa um aumento de 6% na comparação com a semana precedente e o maior número de casos desde o início da pandemia. No mesmo período, o número de mortes diminuiu 10% e foram registrados 37.700 óbitos”.

E nem se diga que, no patamar registrado de mais de 30,6 milhões de casos e 950.000 mortes de Covid-19 desde o fim do ano passado na China, não se inserem os casos subnotificados de mortes, ou porque não houve como periciar por falta de EPI, ou porque não se chegou a diagnosticar, sempre por falta de empenho e investimento na área, o que nos deixa em um patamar bastante superior a este número.

Tendo a sua frente os EUA no registro de número de contágio e mortes, o Brasil desponta em segundo, continuando com elevados números: mais de 5.000 óbitos na semana passada, seguido por Índia (87.882 mortos), México (73.493 mortos) e o Reino Unido (41.759). 

Recentemente começamos a presenciar no Brasil uma forte campanha propagandística tanto do governo federal como dos municípios e estados, em conjunto com a imprensa golpista,  de que o coronavírus está sendo controlado, e, com a falsa propaganda da diminuição no número de casos e de mortes, ostentam um status de normalização da rotina da vida, conclamando à volta às aulas, e à tudo o mais. 

Infelizmente, esse engodo esconde o interesse dos empresários e comerciantes verem o dinheiro entrar novamente e o seu lucro voltar, independente do resultado desastroso que já se esboça, um novo surto com aumento de casos e mortes. 

Mas não resta dúvida. Os números de todos os lugares demonstram isso. Em toda a Europa cresce a necessidade de tomar novas medidas para conter a nova onda. Essa farsa só terá fim quando o povo receber a vacina, e todos os cuidados de um investimento digno para prover o sistema de saúde que acolha a população trabalhadora. 

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