Coronavírus e o genocídio
Nas imensas favelas espalhadas por todo o Brasil, espreita a mortandade em massa: ela vem da realidade de que 46% do esgoto contém o virus.
image_processing20200331-16011-15j8jes (1)
Além de 46% do esgoto não tratado, há 35 milhões de brasileiros não têm acesso a água tratada. |

O Brasil é o país da doença (sarampo, zica, dengue e demais infestações). E, o problema do coronavírus que afeta, principalmente, os bairros pobres dos trabalhadores, nos traz de volta  a realidade e necessidade do motim popular, do ímpeto para enfrentar as conjunturas sombrias em que eram e são submetidos os trabalhadores de bairros afastados; a angústia de famílias que são deixadas a morrer aos milhares; o processo de segregação; a agonia da repressão administrativa; o terror imposto aos trabalhadores. Todos estes fatores fatalmente nos levarão à rebeldia dos trabalhadores. Isso acontece desde a Revolta da Vacina (um motim popular ocorrido entre 10 e 16 de novembro de 1904 na cidade do Rio de Janeiro, então capital do Brasil).

Os mais recentes estudos constatam que o covid-19 em fezes de pacientes até 11 dias após fim de sintomas. Eis uma bomba relógio que vai explodir em bairros periféricos sem saneamento básico.

Muito alarmante é o fato que pesquisadores defendem monitoramento de esgoto para controle do coronavírus, eis que 46% do esgoto do Brasil não é tratado e, sequer são ouvidos estes profissionais.

O mais grave é que vírus aparece nas fezes também de pessoas contaminadas, mas sem sintomas.

A contaminação pelo coronavírus é pandêmica. Uma nota técnica do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia (INCT) ETEs Sustentáveis, que se dedica a pesquisas e ações relacionadas ao tratamento de esgoto, lançou uma possível frente de combate ao vírus covid-19. Pesquisadores defendem que o monitoramento do esgoto pode ser estratégico para demonstrar o nível de contaminação no local.

A constatação de que pacientes contaminados pela covid-19 apresentaram em suas fezes o RNA do Sras-CoV-2, o novo coronavírus é um alerta de que as autoridades podem promover, e estão promovendo, um genocídio contra a população mais pobre eis que estão em campo minado onde a ausência do Estado não proveu sequer o saneamento básico.

A descoberta não é nova. O instituto Nacional de Ciência e Tecnologia (INCT) relembra ainda que, em Amsterdã, na Holanda, o novo coronavírus foi detectado em amostras de esgoto do aeroporto de Schiphol, bem como em Estações de Tratamento de Esgoto das cidades de Kaatsheuvel e de Tilburg. Isso após duas semanas da confirmação do primeiro paciente com o vírus.

Nas imensas favelas espalhadas por todo o Brasil onde as condições de vida e falta de informação dificultam inclusive a quarentena, soma-se a triste realidade de que 46% do esgoto não é tratado no Brasil e, é ali onde a proliferação do coronavírus detonará um genocídio.

Teremos uma contaminação em cadeia. De acordo com os pesquisadores, enquanto a pandemia durar estaremos depositando enorme carga viral nos rios, já que apenas 46% do esgoto gerado no Brasil é tratado, pelos números do Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento (SNIS) de 2018.

Corremos contra o tempo e um genocídio. Além de depositar o vírus no ambiente, há o perigo da contaminação comunitária através do uso das águas dos rios. Ainda segundo o SNIS, 35 milhões de brasileiros não têm acesso a água tratada. “Portanto, ações conjuntas e coordenadas dos profissionais da área da Saúde, do Saneamento, das universidades e dos governos são urgentes nesse cenário de emergência de Saúde Pública”, solicita a nota técnica.

Organizar os bairros distantes dos trabalhadores e demais do povo. Formar Conselho Populares e os Comitês de Luta é tarefa urgente.

Relacionadas