Pioneiro do afro-jazz
Manu Dibango, uma das maiores lendas do afro-jazz, morre aos 86 anos vítima do coronavirus
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O maestro Manu Dibango. Foto: WIPO / Jean-François Arrou-Vignod |

Nesta terça-feira o mundo recebeu a triste notícia do falecimento de uma das maiores lendas do afro-jazz, o saxofonista camaronês Manu Dibango, aos 86 anos de idade.

Há uma semana Dibango estava internado em um hospital em Paris onde foi testado positivo para o COVID-19. Sua morte foi anunciada em sua página oficial no Facebook.

Manu Dibango ficou mundialmente famoso com a música “Soul Makossa”, lançada em um single em 1972. A música foi descoberta por DJs americanos, tornando-se popular nas rádios que tocavam black music. Por ser uma música tão obscura vários artistas a regravaram para capitalizar em cima da demanda pela canção. No final desse ano a gravadora Atlantic Records licenciou a gravação original do selo francês Fiesta e a lançou em single. O disco se tornou um hit internacional.

A música tem algumas palavras em inglês e outras na língua nativa de Camarões, o Duala, especialmente o refrão “ma-ma-say, ma-ma-sa, ma-ma-ko-sa”, que anos mais tarde foi adaptada na música de Michael Jackson, “Wanna Be Startin’ Somethin’” do LP “Thriller” (1982). Dibango chegou a processar Michael Jackson e seu produtor Quincy Jones, mas eles chegaram a um acordo e o processo foi anulado. Desde então a música se tornou popular no meio hip-hop sampleado em faixas de Kanye West, Will Smith, A Tribe Called Quest e especialmente no hit de Rihanna, “Don’t Stop The Music”.

Um Pouco da História de Manu Dibango

Manu Dibango nasceu Emmanuel Dibango N’Djocke em 1933, filho de pais que representavam duas etnias historicamente rivais em Camarões: o pai, um funcionário público, era Yabassi e a mãe, uma designer de moda da etnia Duala. Começou a se interessar por música quando começou a participar do coro da igreja evangélica onde sua mãe dirigia o coral.

Aos 15 anos foi mandado para a França para completar seus estudos. Lá teve aulas de piano clássico e depois de saxofone, influenciado pela música de Duke Ellington, Sidney Bechet, Louis Armstrong, entre outros grandes do jazz. Dibango foi um dos primeiros músicos negros a se mudar para Paris, o primeiro dos “negropolitanos” a abrir caminho para as novas gerações.

Em 1956 ele se mudou para Bruxelas onde aprendeu a tocar o vibrafone, além de começar a formular a música que tinha em mente, unindo o jazz com os vários estilos de música de Camarões, especialmente o makossa.

Em 1960 ele se juntou ao Grand Kalle And African Jazz, talvez o primeiro grupo profissional do Congo Belga (hoje em dia a República Democrática do Congo). O grupo era liderado por Joseph Kabasele Tshamala, conhecido como Grand Kalle, também interessado na fusão de ritmos ocidentais com a música tradicional africana.

Dibango voltou a Paris em 1965 onde trabalhou como músico de estúdio acompanhando vários artistas africanos, além de lançar singles sob o seu nome e outros creditados a Manu Dibango’s Brothers e Manu Dibango Et Son Orchestre.

Em 1972 gravou um single com a música “Hymne De La 8e Coupe D’Afrique Des Nations”, que comemorava o fato de Camarões sediar a Copa do Mundo de 1972. No lado B ele colocou um dos seus experimentos na mistura de jazz com a música popular africana, justamente a música “Soul Makossa”.

Sucesso Popular

Com o sucesso de “Soul Makossa” Manu Dibango excursionou por todo o mundo, incorporando outros estilos e colaborando com uma longa lista de artistas como a banda de salsa Fania All Stars, os jamaicanos Sly Dunbar e Robbie Shakespeare, o pianista americano Herbie Hancock e o trumpetista sul africano Hugh Masekela.

Nos anos 1990 e 2000 trabalhou com cantores africanos como Salif Keita, Youssou N’Dour, King Sunny Ade, Ray Lema e Angélique Kidjo e o grupo sul africano Ladysmith Black Mambazo.

Em 1990 publicou a sua autobiografia, “Three Kilos Of Coffee”, escrita por Danielle Rouard.

Influência

Manu Dibango foi uma figura fundamental para trazer a música africana para o grande público. Ao lado de pioneiros como Hugh Masekela e Fela Kuti, Manu Dibango trouxe uma nova visão da música moderna africana, complexa e sempre dançante e repleta de novidades para o público ocidental.

Inúmeros artistas lamentaram o falecimento de Dibango entre eles Angélique Kidjo que publicou no twitter: “você é o gigante original da música africana e um belo ser humano”.

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