frente ampla com a direita
O governador de São Paulo, Dória tem a mesma política de desmonte da saúde pública do governo Bolsonaro
Sao Paulo's governors-elect Joao Doria (L) chats with Brazil's President-elect Jair Bolsonaro a meeting with governors-elect in Brasilia, Brazil November 14, 2018. REUTERS/Adriano Machado
João Dória e Jair Bolsonaro |

As disputadas mais ruidosas neste momento no terreno da política oficial ou institucional, não é entre os partidários do governo e os opositores, dos partidos da esquerda ou centro esquerda, mas entre agrupamentos políticos que dão sustentação ao regime golpista no seu conjunto e os representantes do presidente Bolsonaro.

À medida que a progressão da pandemia do coronavírus se desenvolve e a total falta de política para lidar com a situação pelo Presidente da República está ficando cada vez mais evidente, João Dória, e outros governadores ex- aliados de Bolsonaro, como Ronaldo Caiado de Goiás procuravam alimentar uma suposta preocupação com a “ vida” e com as “ questões técnicas” na área da saúde para lidar com a pandemia.

Em vez de se colocar com independência política e apresentar um programa alternativo diante da crise econômica e da epidemia do coronavírus, a esquerda parlamentar está completamente a reboque da direita. Toda iniciativa é defender o “protagonismo” do congresso nacional ( leia-se centrão) ou elogiar de maneira fantasiosa os governadores e prefeitos da direita. A tônica é a defesa da “ unidade nacional” contra Bolsonaro e da constituição da frente ampla, inclusive com os egressos do bolsonarismo.

No artigo publicado no site 247 intitulado Reação ao coronavírus não contrapõe ideologias e sim competência X incompetência de Cynara Menezes, expõe uma política, que além de totalmente equivoca do ponto de vista dos fatos sobre a atuação dos governadores de direita diante do coronavírus, como na prática somente serve para encobrir a co-responsabilidade dos governadores.

Desde o primeiro ano do governo, a divisão interburguesa expressava-se na disputa entre o congresso nacional, controlado pelo centrão capitaneado por Rodrigo Maia do DEM, e o presidente Bolsonaro. Entretanto, com o galopante aumento da rejeição popular, que se manifesta ainda que de maneira deformada nas pesquisas de opinião e nos panelaços, tem ocasionado o conflito entre Bolsonaro e os governadores ( em especial os eleitos em esquema fraudulento junto com próprio Bolsonaro, como João Dória ( SP) e Wilson Witzel).

Para a autora do texto: “No Brasil, fica evidente que as ideologias devem estar em segundo plano quando analisamos as atitudes de prefeitos e governadores em comparação às do presidente da República. Independentemente do espectro político, a maior parte dos governantes do país tem tomado decisões acertadas em relação ao coronavírus, decretando isolamento social e fechamento do comércio e das escolas para proteger a população.”

Na verdade, ao tentar elogiar os políticos de direita, Cynara Menezes revela que os governadores e prefeitos não tem efetivamente nenhuma política, a não ser decretar o confinamento social, fechando comércio e escolas, visando supostamente para “ proteger” a população. Acontece que medidas elementares como a realização de testes massivos na população para dectar os infectados não são realizados, o que proporciona a propagação do coronavirus, e a farsa dos números apresentados pelas secretarias de saúde dos estados.

Além disso, é importante salientar que “ competência técnica” dos governantes é simplesmente nenhuma, aja visto, que o sistema de saúde estão completamente sucateados e a população estando completamente desassistidas.

O objetivo da matéria não é somente fantasiar e elogiar “ todos” os governadores e prefeitos que são “ responsáveis” com a saúde da população, mas procura fomentar a frente ampla, em especial com Dória, governador de São Paulo. “Neste momento, as ideologias não só não estão ajudando como estão atrapalhando o combate à pandemia. Por isso é positivo ver o ex-presidente Lula e o governador Doria deixando as diferenças de lado.”

Deixar a “ ideologia” de lado é na verdade a senha para promover mais uma vez uma aliança com direita, desta vez para resgatar um dos priores inimigos dos trabalhadores, o sr. Dória, que teve a “ capacidade técnica” de demitir trabalhadores terceirizados em plena crise da pandemia.

A crise do coranavírus que ameaça de maneira direta a sobrevivência política dos políticos que governam os Estados, uma vez que não se trata de prospectiva ou possibilidades, mas da iminência cada vez mais premente de um colapso pela pandemia, levou os governadores mesmo os bolsonaristas ( excetuando Santa Catariana e Rondônia) a decretarem medidas de isolamento social e confinamento da população ( ainda que na prática parcialmente, uma vez que muitos trabalhadores são obrigados a trabalhar). Além disso, cada vez mais fomenta-se a interessada noção de que os governadores seriam “responsáveis” diante das loucuras cotidianas de Bolsonaro.

O fracasso do governo Bolsonaro acentuado pela crise econômica e pela desastrosas e criminosas posições do presidente diante da pandemia do coronavírus, setores importantes da burguesia procuram desesperadamente se desvincular do imagem cada vez mais desgastada de Bolsonaro.

O governador de São Paulo, João Dória, que incrementou na campanha eleitoral o voto bolsodória, foi um dos principais articuladores do deslocamento de setores burgueses para a candidatura da extrema direita nas eleições de 2018. Além disso, o governo Dória implementa uma política ainda mais reacionária em relação ao padrão de ataques contra o povo que é a característica central dos governos do PSDB em São Paulo.

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