Após destruir o Mais Médicos
Antes acusados de “terroristas” e “incapazes” pelos fascistas brasileiros, médicos roubados de Cuba são convocados a combater a pandemia no Brasil
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Cubanos foram tachados de "escravos" pela direita quando chegaram ao Brasil. Foto: Rogério Tomaz Jr. |

No último domingo (15), o secretário-executivo do Ministério da Saúde, João Gabbardo, disse que o governo ilegítimo de extrema-direita iria convocar, a partir dessa semana, todos os médicos cubanos que participaram do programa Mais Médicos e que ainda estão no Brasil para ajudarem a combater o coronavírus.

Conforme os dados fornecidos pela diplomacia cubana ao Diário Causa Operária, atualmente vivem no Brasil cerca de 1.200 médicos cubanos. Uma parte deles tem família ou mantém algum tipo de relação amorosa que os prende no País, e por isso não voltaram para a ilha quando, no final de 2018, o recém-eleito de maneira fraudulenta Jair Bolsonaro pôs fim ao Mais Médicos ao impor uma série de condições para que Cuba permanecesse no programa. Isso representou um ataque criminoso contra a soberania e a solidariedade cubana, e Havana recolheu os médicos para protegê-los do assédio fascista.

Dos 8.471 cubanos que participavam do Mais Médicos naquela época, 7.635 voltaram para Cuba, representando 90% do total. Ficaram no País 836, acreditando nas promessas vagas feitas por Bolsonaro de que receberiam emprego no Brasil, mas também por ameaças pessoais por parte dos fascistas, que os chantageavam afirmando que o governo cubano iria confiscar os seus salários.

A verdade, entretanto, é bem diferente, como explica Antonio Mata Salas, secretário de Imprensa do Consulado de Cuba em São Paulo. Cuba envia médicos gratuitamente para países pobres que não têm condições de pagar os seus serviços. Mas o Brasil, sendo um país que tem essas condições, fez um convênio com a Organização Mundial da Saúde, que cobrou o salário do governo brasileiro. Segundo o acordo, uma parte foi para a OMS e outra para o governo cubano. Do total de recursos que Cuba recebia em troca do serviço médico, cerca de 70% ia para o sistema de saúde gratuito e universal e os outros 30% eram destinados aos médicos que trabalhavam no Brasil como ajuda de custo. Isso porque, como reconheciam os próprios médicos cubanos que aqui trabalhavam, eles vieram em uma missão humanista e solidária, eram profissionais que se voluntariaram para vir ao Brasil tratar dos pacientes nos rincões mais longínquos do País, onde os médicos brasileiros nunca pisaram.

Pois bem, após a destruição do Mais Médicos e a expulsão dos cubanos por Bolsonaro, os que ficaram não conseguiram os empregos prometidos pelo governo ilegítimo. A maioria, hoje, vive de bicos ou de trabalhos informais e sem nenhum vínculo com sua formação, como motorista ou garçom, como é o caso do médico Yubeidy Mora Venero, que vende frango assado com a esposa no sertão de Alagoas.

Agora, aparentemente, poderão prestar socorro ao governo desastroso de Bolsonaro, que destruiu o sistema de saúde já sucateado e está colocando o povo brasileiro para morrer de coronavírus. Uma ironia, uma vez que, quando o governo Dilma Rousseff fez o acordo com a OMS e com Cuba para integrar os médicos cubanos ao Mais Médicos, a direita atacou covarde e mentirosamente os profissionais cubanos, acusando-os de escravos, espiões, guerrilheiros e que estavam a serviço da “ditadura” cubana para implantar o socialismo no Brasil. Até o ano passado, Bolsonaro ainda dizia que “o PT botou 10 mil fantasiados de médicos para fazer célula de guerrilha e doutrinação”, chamando-os de incapacitados.

Para Mata Salas, essas declarações de Bolsonaro se devem a seu “fundamentalismo anticubano e anticomunista, submisso aos Estados Unidos”. Agora, o governo vai ter de usar os médicos roubados de Cuba porque não está minimamente preparado para lidar com o coronavírus.

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