Crise econômica no futebol
Grande repercussão dos problemas financeiros do Corinthians está relacionada com a propaganda do modelo “clube-empresa”
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Futsal do Corinthians conta com mais de 250 atletas, distribuídos em 14 categorias. | Foto: Reprodução Corinthians

Em mais um capítulo dos efeitos da crise econômica sobre os clubes de futebol, veio à tona essa semana que os jogadores de futsal da equipe adulta do Corinthians estão há três meses sem receber salários. A revelação foi feita pelo ala Jackson Samurai, principal reforço do clube para a temporada 2020, que tem diversas passagens pela seleção brasileira.

Mesmo tendo aceitado acordo de redução salarial de 50% no início da pandemia, os jogadores mesmo assim ficaram sem receber. Jackson, que se recuperou recentemente de duas lesões, relatou ainda que não existe previsão para os pagamentos.

O Corinthians terminou o ano passado com uma dívida de mais de R$ 660 milhões. O que torna o quadro mais dramático é que o valor que precisa ser pago até o final de 2020 é maior do que o faturamento do clube em 2019.

Os problemas econômicos do clube são especialmente alardeados pelos monopólios da imprensa, em parte pelo grande apelo popular do “Campeão dos Campeões”. No entanto, justamente sua popularidade também atrai o interesse dos grandes capitalistas do futebol, que vêm tentando propagandear o modelo de “clube-empresa”.

Além dos pseudo argumentos de sempre, como de que a gestão empresarial é sinônimo de eficiência, o grande endividamento dos clubes é frequentemente evocado para defender a intervenção nos clubes.

Um exemplo recente de “clube-empresa” aconteceu com o Bragantino, time de Bragança Paulista com muita história pra contar. Infelizmente o capítulo atual não deixará saudades para os torcedores. O tradicional Bragantino foi adquirido por uma multinacional austríaca do setor de bebidas energéticas e virou Red Bull Bragantino. Entre outras descaracterizações sofridas, até o distintivo do clube foi desfigurado.

Bastou um efêmero sucesso na série B para o time ser propagandeado em larga escala como prova dos benefícios da total entrega dos clubes para os interesses capitalistas. Além da descaracterização de clubes tradicionais e o consequente distanciamento dos torcedores, sabemos que assim que se tornarem investimentos pouco atrativos serão abandonados com a mesma rapidez com que são comprados. 

O caso do Figueirense, tradicional clube de Florianópolis-SC, serve como exemplo de como são administradas as crises nos “clubes-empresa”. No meio de uma desastrosa campanha, onde quase caiu para a série C, o contrato foi rompido. Agora resta para o clube tentar se recuperar do baque. 

É claro que o Corinthians desperta muito interesse econômico, porque além de ser um clube tradicional tem ainda visibilidade internacional. No entanto, o mesmos riscos que sofrem os clubes menores estão postos para qualquer um que enveredar por esse caminho.

Por outro lado, se a crise tem batido forte nos grandes clubes como o Corinthians. Como é que ficam os pequenos, que em condições normais já enfrentam muitas dificuldades para manter suas atividades? Além disso, se as divisões principais dos clubes são atingidas, como ficam as categorias de base, por exemplo?

Qual o interesse e o compromisso que podemos esperar de capitalistas internacionais com a história dos clubes, sua torcida, suas categorias de base?

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