Coreia “Democrática”
Condecorado pelos Estados Unidos e perdoado pelo governo sul-coreano, o ditador assassino nunca pagou por seus crimes
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Muitos mortos e presos durante o Massacre de Gwangju
Presos do regime ditatorial na Coreia do Sul | Foto: Reprodução

No decorrer da história do século XX, Maio foi um mês marcado por lutas intensas. Dentre acontecimentos célebres, como o Maio de 1968 da França, ou a Revolução dos Cravos em Portugal (1974), há um pouco mencionado: o Massacre de Kwangju realizado pela Coreia do Sul contra seus cidadãos.

Desde o fim da Guerra da Coreia (1950-1953), na qual o imperialismo norte-americano cindiu o país no contexto da Guerra Fria, os sul-coreanos passaram a ser governados por regimes autoritários, erigidos sobre sucessivos golpes militares. As organizações populares, os sindicatos operários e movimentos democráticos foram duramente atacados por décadas.

Entretanto, foi com a ascensão do major-general Chun Doo Hwan que a repressão ganhou outra dimensão. Apoiado pelos norte-americanos, manobrou politicamente ampliando a Lei Marcial que já vigia no país. No mesmo dia do golpe, 17 de Maio de 1980, forças militares invadiram uma conferência nacional de dirigentes estudantis. As atividades estudantis e de imprensa foram suspensas em todo o país e milhares de pessoas foram presas.

Em diversas regiões do país houve resistência imediata. Contudo, foi no dia seguinte (18) que um dos quadros mais tétricos da sangrenta história da Coreia foi traçado. Na cidade de Gwangiu, no sul da península, centenas de milhares de manifestantes foram às ruas e o governo lançou mão de um recurso de extermínio já experimentado nas ditaduras anteriores, um grupo de elite do exército chamado “boinas negras”.

Com tanques e armamentos de guerra, as forças repressivas abriram fogo contra os manifestantes desarmados. A população rapidamente se organizou em milícias, tomando armas de delegacias, e se defendendo como podia. Ao se dar conta que a resistência poderia inflamar todo o país e colocar o regime em risco, o ditador Chun Doo-hwan ordenou o massacre. Helicópteros e tanques, muitos deles norte-americanos, abriram fogo  contra a população. O massacre durou cerca de 10 dias e, ao final, pilhas de corpos se amontoavam pelas ruas. Calcula-se que 2.000 pessoas foram assassinadas.

A Coreia do Sul, ironicamente chamada de democrática, não puniu os responsáveis. O ditador Doo-hwan permaneceu no poder até 1988, tendo sido convidado de honra do presidente Ronald Regan nos Estados Unidos.

Quase uma década depois, o ditador foi condenado à pena de morte, mas perdoado pelo governo sul-coreano. Atualmente, ele tem 89 anos e continua vivendo no país.

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