A última estatal de telecom
Paraná privatiza a última estatal brasileira de telecomunicações e país perde em capacidade estratégica na área
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Brasil perde posições estratégicas nas telecomunicações com privatizações | Foto: Wikimedia Commons

Em agosto deste ano a Sercomtel, empresa de comunicação de propriedade da Prefeitura de Londrina (PR), que detinha 50,88% do capital, e da Copel – Companhia Paranaense de Energia, que detinha 45%, foi comprada pelo Fundo de Investimentos Bordeaux por R$ 4 milhões. O Fundo assumirá a dívida de R$ 600 milhões e assumiu compromisso de investir R$ 130 milhões. A empresa tem uma longa história de inovação e sucesso, foi criada pela Prefeitura de Londrina em 1964 e se manteve como empresa local e depois regional. Possui 255 mil clientes de banda larga, 53 mil assinantes de telefonia móvel e 226 mil clientes de telefonia fixa. (Folha de Londrina, 11/11/20) Desde o governo neoliberal de FHC, a empresa vem sendo preparada para a privatização em uma estratégia de má gestão e de não investimento. Quebrar a empresa pública é uma das estratégias mais utilizadas pelos governos de direita para forçar a privatização.

Nesta semana foi a vez do Fundo Bordeaux comprar a Copel Telecom, com sede em Curitiba (PR) e considerada uma das melhores empresas de telecomunicações do país, por R$ 2,39 bilhões. A Copel Telecom foi a última empresa estatal do setor a ser privatizada. Com essas duas privatizações, o estado do Paraná, e o Brasil, deixa de ter empresa estatal na área de telecomunicações. O governador do Paraná, Ratinho Jr (PSD), do time do “privatiza tudo”, já anuncia que pretende privatizar a Companhia de Distribuição de Gás, a Compagás, e outras empresas e ampliar as concessões de serviços públicos. A Copel Telecom é líder no mercado do Paraná e está presente nos 399 municípios do Paraná (Agência de Notícias do Paraná, 9/11/20).

Um dado importante da história da Copel foi a mobilização popular em 2001 que impediu a venda da empresa de energia. Em 15 de agosto de 2001 a Assembleia Legislativa do Paraná votaria o primeiro projeto de iniciativa popular apresentado a uma assembleia estadual. A ocupação popular da Assembleia Legislativa por entidades que compunham o Fórum Popular Contra a Venda da Copel criou uma forte oposição à venda da estatal, mas a Assembleia, com voto de desempate do presidente, acabou aprovando proposta legislativa que autorizava a privatização. O governador Jaime Lerner (PDT/DEM) ainda tentou vender a empresa duas vezes antes de desistir definitivamente da privatização. A empresa que foi vendida agora é uma subsidiária da Copel Energia. (Plural, 15/8/19)

O Fundo Bordeaux é um dos fundos do Banco Santander, que já tem planos para fazer das duas empresas paranaenses a base de uma empresa forte em serviços especializados para comunicação de dados, especialmente no setor do agronegócio mas também em serviços 5G. As duas serão moeda de troca de grandes negócios no setor, aproveitando as privatizações a preço de banana.

A compra das duas empresas com ágios elevados é uma sinalização para o governo federal de que a venda da OI está próxima, segundo analistas de mercado de telecomunicações. Apesar de possuir uma dívida bilionária, o patrimônio da OI, herdado da Telebras, é gigantesco, tanto no que se refere à operação de telecomunicações, como principalmente o patrimônio imobiliário (prédios e terrenos).

No momento em que a tecnologia de telecomunicações anuncia um novo salto tecnológico, que inclusive é alvo de tensões econômicas e geopolíticas entre os EUA e a China, o Brasil para a grupos financeiros empresas estratégicas e proprietárias de uma base tecnológica avançada. Isso faz parte de uma sequência de ações que vão privando o país de capacidade de ação em áreas tecnológicas estratégicas. Vale lembrar a desastrosa venda do Satélite Geoestacionário de Defesa e Comunicações Estratégicas (SGDC). Hoje as comunicações militares e estratégica brasileiras passam por satélites privados e dominados por outros países.

 

 

 

 

 

 

 

 

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