Polarização cada vez maior
A situação se desenvolve rapidamente para um enfrentamento de enormes proporções entre as massas e o imperialismo em todo o mundo
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Foto: Arquivo DCO. |

O último final de semana ficou marcado pela explosão de protestos violentos no Chile, desencadeado pelo aumento da passagem de metrô. O saldo desses dias até agora foi a morte de 11 pessoas e a detenção de quase 1.500. Foi a primeira vez, desde a ditadura sanguinária de Augusto Pinochet, que as Forças Armadas foram colocadas nas ruas para reprimir o povo. O Estado de Emergência foi decretado. Tudo isso foi feito pelo presidente direitista, Sebastián Piñera, que diferente do que se pode pensar, não é um elemento da extrema-direita como Bolsonaro, mas um elemento da direita tradicional como o PSDB no Brasil, mostrando que a política repressiva, anti-povo e de ataques econômicos pertence em primeiro lugar à própria direita tradicional, pró-imperialista.

Os episódios no Chile vêm se juntar ao que aconteceu em outros países latino-americanos. No Equador, uma revolta popular desencadeada pelo aumento no preço dos combustíveis levou multidões às ruas contra o golpistas Lenín Moreno. Embora a mobilização tenha sido gigantesca, obrigando inclusive em determinado momento a mudança da sede do governo da capital para outra cidade, a reação da direita também foi repressão. O governo não cedeu e conseguiu controlar a revolta através de um acordo com um setor mais direitista do movimento indígena e voltando atrás no aumento do combustível.

Há revolta popular também no Haiti, a crise no Peru com o fechamento do Parlamento, a situação delicada na Venezuela com o assédio imperialista, as eleições na Bolívia que foram para o segundo turno e a crise nas eleições na Argentina. Haveria ainda outros exemplos ou sintomas, mas apenas pelos casos mais graves é possível ter um panorama geral da situação.

É preciso ainda uma palavra sobre o Brasil, de longe o País mais importante e desenvolvido da América Latina, e por isso mesmo, mais complexo. A tendência da situação política brasileira é evoluir no sentido do que estamos assistindo nos demais países do continente. A crise econômica e social é cada vez mais profunda e a crise política se desenvolve numa velocidade enorme. As dimensões continentais do Brasil dificultam a explosão de uma revolta generalizada como nos outros países. No entanto, justamente por ser o país mais rico da região, a burguesia tem maiores recursos para tentar conter o desenvolvimento da crise. Por outro lado, o imperialismo sabe que uma revolta no Brasil seria fator de desestabilização geral no continente.

A burguesia sabe disso e por isso tende a controlar a situação no Brasil com muito mais atenção do que nos outros países. Por isso, diante do avanço da crise, os militares aparecem como um fator político sempre que a situação começa a ficar mais tensa. São os generais que seguram a situação política, como na ameaça velada de Villas-Boas sempre que surge a oportunidade, mesmo que muito remota, de libertar Lula.

A esta situação cada vez mais quente na América Latina soma-se a mobilização gigantesca na Catalunha. O povo reagiu com enormes protestos diante da prisão dos líderes separatistas e a repressão do governo espanhol. A situação de completa instabilidade em um País central do imperialismo mostra o nível da crise mundial.

Tudo indica que a situação política caminha para um enfrentamento de gigantescas proporções entre a classe operária mundial e a burguesia imperialista. Esse conflito só poderá ser resolvido pela ação revolucionária das massas exploradas em todo o mundo, em particular a classe operária organizada. Ao mesmo tempo em que a situação se radicaliza, a burguesia parece não estar disposta a ceder. A própria crise capitalista profunda empurra os capitalistas para o enfrentamento, para tentar conter as crises com repressão. Por isso, não há espaços para uma política parcial: a resposta do governo do Equador e em alguma medida do governo Chileno, bem como a presença dos generais brasileiros interferindo na política das instituições mostram que a burguesia não pretende abrir mão do terreno conquistado.

Só a mobilização política das massas, com uma orientação correta diante do poder político, poderá solucionar esse enfrentamento.

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