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Controle e destruição do cinema nacional
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O presidente ilegítimo Bolsonaro elegeu nova prioridade do seu desgoverno: extinguir a Ancine ou criar bloqueios (censura) para que não se faça mais filmes como “Bruna Surfistinha”, obra citada especificamente por ele.

Após participar de evento no Ministério da Cidadania em homenagem ao Dia Nacional do Futebol, Bolsonaro disse, nesta sexta-feira (19), que a Agência Nacional do Cinema (Ancine) se tornará “uma secretaria subordinada a alguma pasta”, em total desprezo por obras audiovisuais e pela Cultura do Brasil, como demonstrou desde o início, quando fechou o Ministério da Cultura.

De acordo com Bolsonaro, as regras para uso do dinheiro público em produções audiovisuais serão modificadas. “Vamos criar um filtro”, adiantou, sem detalhar. Enfatizou que os recursos não serão usados para “pornografia”. Ele acrescentou: “Estamos vendo se será secretaria dentro de algum ministério subordinado a nós. Se não for assim, vamos extinguir a Ancine”, disparou.

Bolsonaro alegou “ativismo” na produção audiovisual e citou como exemplo o filme Bruna Surfistinha (2011). “Não posso admitir que, com o dinheiro público, se faça um filme como Bruna Surfistinha. Não temos problema com essa opção ou aquela. O ativismo é que não podemos permitir, em respeito às famílias”, afirmou hipocritamente.

O Conselho Superior de Cinema pode ser transferido do Ministério da Cidadania para a Casa Civil.

A Ancine, que existe desde 2001, quando foi criada para regular, fomentar e fiscalizar o mercado de cinema e audiovisual do Brasil, aprovou projetos como “Born to Fashion”, um “reality show” cuja premissa é revelar modelos trans, e é um órgão oficial do governo federal do Brasil, e a sua sede está situada em Brasília (com direito a escritório central no Rio de Janeiro e um escritório regional em São Paulo). O objetivo da fundação dessa agência é a regularização da indústria cinematográfica brasileira, assim como executar a política nacional de fomento ao cinema, formulada pelo Conselho Superior de Cinema.

A agência também é responsável pelo fornecimento do Certificado de Produto Brasileiro à obras nacionais e pelo registro das obras cinematográficas e videofonográficas que serão comercializadas em todos os segmentos de mercado.

Já o Conselho Superior de Cinema, que foi criado em 2001, é um órgão colegiado. Além da já citada formulação da política nacional do cinema, o conselho, composto por nove titulares e nove suplentes, também é responsável pela aprovação de diretrizes gerais para o desenvolvimento da indústria audiovisual, assim como o estímulo à presença do conteúdo brasileiro no mercado.

O Conselho é composto por representantes de diversos setores da indústria audiovisual nacional, por representantes da sociedade civil e por técnicos e dirigentes governamentais. É o presidente da república que nomeia os representantes da indústria audiovisual e da sociedade civil, tal como os seus suplentes, com um mandato de dois anos.

Pela fala do presidente, ficou claro a intenção de Bolsonaro de interferir na escolha dos filmes incentivados pelo órgão. Para ele, o Brasil não pode mais financiar com dinheiro público filmes como o da Bruna Surfistinha, produção de 2011 que narra a história de uma garota de programa.

O discurso de Boslonaro não tenta sequer disfarçar sua intenção de controlar o que o brasileiro vê, da mesma forma que pretende controlar o que o brasileiro aprende, com sua introdução fascista da escola com fascismo e militarização das escolas. É a volta da censura nas artes visuais. Em breve, voltarão as produções estrangeiras com bolinhas pretas poluindo as cenas consideradas impróprias pelos militares moralistas hipócritas.