Contradições do governo Bolsonaro expressam crise dos golpistas

Congressman Onyx Lorenzoni, the future presidential chief of staff, leaves after a meeting with President-elect Jair Bolsonaro, in Rio de Janeiro

A direita saiu relativamente fortalecida das eleições realizadas há um pouco mais de um mês. Conseguiram por meio de fraude eleitoral colocar um governo minoritário, sem apoio da população, e totalmente improvisado pela burguesia para derrotar o PT.

Essa improvisação, entretanto, fica expressa nas contradições existentes dentro do aparato de governo do futuro presidente. Com imposições do imperialismo, das Forças Armadas e de outros setores da burguesia, o governo (que nem assumiu) já está uma bagunça. A luta de interesses entre os diversos setores da burguesia é explícita.

Divergências entre Onyx Lorenzoni e Paulo Guedes, e entre este último e o general Hamilton Mourão, para ver qual grupo tomaria conta da chefia da Petrobras, deixou claro que o governo é um Frankenstein.

Mas estas contradições internas só se arrastam. Existe uma briga dentro do bloco burguês para ver quem irá tomar conta de determinado ministério ou outro cargo público. Os militares têm tomado a dianteira, o que explica o número extraordinário de generais e militares da reserva nos ministérios de Bolsonaro.

Onyx Lorenzoni, por exemplo, tem sido colocado de escanteio. Escolhido para ser ministro da Casa Civil, passou a ser um ministro sem funções, perdendo-as para os generais. A gerência dos ministérios ficou com o Vice-presidente, o general Hamilton Mourão, e o encarregado de negociar com os parlamentares será o ministro da secretaria de governo, o general Santos Cruz.

Um episódio envolvendo o mesmo general reflete a situação contraditória do governo. Na terça-feira o general Santa Rosa, crítico da Comissão da Verdade que revelou parte das atrocidades cometidas pelos militares na época da ditadura, foi confirmado para presidir o Programa de Parceria de Investimentos (PPI), que organizará as privatizações que serão feitas. Entretanto, na quarta-feira (28), o cargo que já tinha sido confirmado mudou de mão e foi para o general Santos Cruz.

Fica claro que a burguesia está improvisando um jeito de sustentar um governo que tende a dar problemas. Isso é muito importante para o movimento operário, pois indica que, mais que nunca, a estabilidade e força do governo irá depender da relação de forças entre os golpistas e os trabalhadores.

O governo Bolsonaro estimula os movimentos fascistas e pode levar o país a uma ditadura com este caráter político. Por outro lado, há uma grande tendência de reação contra o governo que deve ser estimulada pela palavra de ordem de “Fora Bolsonaro e todos os golpistas”.

A situação do país e o regime político que surgirá das cinzas do pacto de 1988 vai depender da reação popular contra o golpe. E por isso, mais do que nunca é preciso intensificar estas mobilizações, lutar pela liberdade de Lula, contra os ataques dos golpistas e denunciar a fraude eleitoral.