Reino Unido
Nigel Farage, líder do Partido do Brexit, pode ser o representante britânico na União Europeia caso o Brexit não seja aprovado este mês
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Nigel Farage, político de extrema-direita britânico. Foto: Gage Skidmore/Flickr (CC BY-SA 2.0) |

Caso seu governo não consiga se desligar definitivamente da União Europeia até 31 de outubro, o primeiro-ministro do Reino Unido, Boris Johnson, planeja executar medidas para boicotar o funcionamento do bloco continental.

É o que revela uma reportagem do jornal The Sunday Telegraph. De acordo com o periódico britânico, dois funcionários do gabinete de Johnson teriam informado que ele pretende bloquear o orçamento referente ao período de 2021-2027 do Reino Unido para a UE, que está previsto para ser assinado no início do ano que vem.

Entretanto, a principal “vingança” do premiê seria a nomeação de Nigel Farage como comissário da ilha em Bruxelas. Farage é um líder de extrema-direita do Partido do Brexit e que, como o próprio nome de seu partido já indica, é um defensor ferrenho da saída direta, sem negociação, do Reino Unido da União Europeia. Provavelmente, o Parlamento Europeu recusaria a indicação de Farage.

Essa possibilidade de colocar Farage como comissário e bloquear o orçamento britânico para a União Europeia é mais um episódio da guerra travada entre o seu governo conservador e o bloco europeu, pela permanência ou não da ilha na União.

Demonstra que a extrema-direita tem todas as intenções de sair do bloco e, caso não consiga, trabalhará para boicotá-lo. Isto se deve ao fato de a extrema-direita, representada pela ala mais reacionária do Partido Conservador e por Farage, ser controlada por um setor da burguesia britânica que perdeu mercado para os grandes monopólios europeus com a abertura comercial representada pelo ingresso de todos os tipos de produtos europeus na Grã-Bretanha, facilitada pela política neoliberal da União Europeia e que, com a crise de 2008, fez desabar os negócios dos pequenos e médios capitalistas ou mesmo de setores mais importantes, porém não especulativos, da burguesia.

O Brexit é sintoma da maior crise política vivida pelo Reino Unido em séculos, produto direto da crise econômica do capitalismo, aprofundada a partir de 2008. E é reflexo do fracasso da política neoliberal, levada a cabo tanto pelo Partido Conservador como pelo Partido Trabalhista a partir de Tony Blair – quando o histórico partido de esquerda passou a ser rotulado de New Labor, uma transformação neoliberal da agremiação.

Essa política ruiu e com a crise foi gerada uma intensa polarização política. De um lado, o Partido Conservador se enfraqueceu brutalmente e sua ala de extrema-direita vem ganhando cada vez mais força (como mostra a vitória de Johnson para o cargo de primeiro-ministro). De outro, o Partido Trabalhista deu uma guinada à esquerda com a eleição de Jeremy Corbyn para secretário-geral graças à pressão da base sindical que levou o político a ter posições em defesa de reformas socializantes.

Essa polarização ganha mais um episódio com a possibilidade de indicação de Farage – um verdadeiro fascista – para representante de Londres na União Europeia. São reais, ainda, as chances de um avanço ainda mais à direita do governo britânico de Boris Johnson, diante do aprofundamento da crise e da ameaça de os trabalhistas, liderados por Corbyn, ganharem mais força e, eventualmente, chegarem ao poder no país – o que representaria um duro golpe aos interesses da burguesia britânica, europeia e mundial de conjunto, uma vez que a possibilidade de conciliação de classes, na conjuntura atual, está descartada pelo imperialismo, que emprega uma política de cada vez mais força repressiva e exploradora contra o movimento operário.

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