Cresce rebelião na Índia
Temendo perder o controle de meio bilhão de indianos conectados e em contato pelas redes sociais, o governo indiano desliga a internete e causa ainda mais alvoroço
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2019.12.19 Manifestação na Caxemira
Manifestantes protestam contra a censura da internet na Índia: Dawn jornal |

Na semana passada, alegando uma ameaça de violência e boatos, as autoridades dos estados de Assam, Meghalaya e Tripura, no nordeste da Índia, cortaram a conectividade à internet em resposta a protestos contra uma nova lei de cidadania que, segundo os críticos, marginalizaria os 200 milhões de muçulmanos da Índia.

A lei, totalmente antidemocrática, fez com que estudantes universitários paralisassem algumas universidades, enquanto a população promove manifestações contrárias à lei. Os partidos de oposição ao primeiro ministro Narendra Modi, do partido de direita Partido do Povo Indiano, estão chamando as manifestações contra a lei, chamada de Lei de Emenda da Cidadania (CAB).

Ao que tudo indica, parece que o governo se utiliza disso como uma estratégia para desmobilizar os movimentos de protesto contra o governo. No ano passado, o serviço de internet foi cortado na Índia 134 vezes e, até agora, 93 interrupções ocorreram, de acordo com o site SFLC.in, que recorre a relatos de jornalistas, grupos de defesa e cidadãos.

Veja-se o depoimento do fundador do SFLC.in, um grupo de defesa jurídica em Nova Déli, que acompanha as paralisações da internet na Índia desde 2012: “Sempre que houver um sinal de desordem, essa é a primeira atitude (…) Quando a manutenção da lei e da ordem é sua prioridade, você não está pensando em liberdade de expressão”, disse Mishi Choudhary.

Grande parte da Bengala Ocidental e partes de Uttar Pradesh, dois dos estados mais populosos da Índia, também sofreram bloqueios digitais. Na região da Caxemira, que ainda está sofrendo com o fechamento da internet desde agosto, pelo menos 60 milhões de pessoas estão sem o serviço – aproximadamente a população da França.

Mas, com tanto barulho feito pelo governo, parece ter algo mais por trás dessas medidas. Chama a atenção o fato dessas manobras acontecerem enquanto o primeiro-ministro Narendra Modi aumenta o controle sobre a Índia. Seu governo e seus aliados prenderam centenas de moradores da Caxemira sem acusações, intimidaram jornalistas, detiveram intelectuais e reprimiram relatórios econômicos negativos.

Modi e seu Partido Bharatiya Janata têm raízes profundas em uma visão de mundo centrada no hinduísmo que acredita que a Índia, que é 80% hindu, deve ser uma pátria hindu. Algumas de suas maiores ações, incluindo a repressão à Caxemira, que era o único estado de maioria muçulmana da Índia, foram amplamente vistas como intencionalmente anti-muçulmanas.

Ainda na Caxemira, o serviço de internet foi interrompido em 5 de agosto, quando o governo de Narenda Modi revogou repentinamente a autonomia da área, enviou milhares de soldados e desativou toda a comunicação, sufocando a dissidência pública.

Na Bengala Ocidental, que é cerca de 27% muçulmana, protestos violentos em torno dessas políticas eclodiram na sexta-feira (13).

Com meio bilhão de indianos conectados à internet, as autoridades dizem que estão simplesmente tentando impedir a disseminação de desinformação enraivecida e perigosa, que pode se espalhar mais rapidamente no Facebook, WhatsApp e outros serviços do que a capacidade do governo de controlá-la.

No Brasil, vimos como os robôs digitais elegeram o presidente ilegítimo Bolsonaro. Não há dúvida de que é uma ferramenta poderosa o controle exercido nas redes sociais.

Recentemente na Índia, cinco mulheres filmadas resgatando um amigo de ser espancado pela polícia durante um protesto se tornaram heroínas, mas também, por isso mesmo, alvos do governo. Várias autoridades do partido de Modi tentaram macular a reputação delas. Um escreveu um tweet chamando-as de “islâmicas raivosamente doutrinadas”.

Mas, de fato não há provas dessas alegações, até porque, uma das mulheres, Chanda Yadav, 20, é hindu. Yadav disse que a campanha para desacreditá-la é quase insuportável. Ainda assim, ela quer lutar, disse ela: “Esta luta é sobre a Índia como uma nação secular, uma Índia da qual todos nós fazemos parte”. Porém, em lugares onde a internet foi cortada, fica mais difícil debater livremente essas questões.

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