Polarizar a favor dos trabalhadores
Para a esquerda classista, quanto mais clara a polarização, entre os trabalhadores e a burguesia melhor

Por: Redação do Diário Causa Operária

A decisão monocrática adotada pelo ministro do STF, Edson Fachin, de anulação das condenações de Lula pela operação golpista da Lava Jato, é uma medida de crise e provisória, que busca – claramente – preservar a Lava Jato, da qual ele é um dos principais “advogados” na Corte Suprema, mas não o único.

É notório que os golpistas já estão preparando novas investidas contra o ex-presidente e os direitos democráticos de todo povo brasileiro. Isso fica comprovado no próprio fato de que o cancelamento das condenações de do ex-presidente Lula, decidido provisoriamente por Fachin, preservou a possibilidade das acusações e todo o processo fraudulento serem usados pela Justiça Federal do Distrito Federal. Da mesma forma, a suspensão do julgamento da suspeição do ex-juiz Sérgio Moro a pedido da defesa de Lula, foi imposta por meio de um novo pedido de vistas, desta feita do ministro Kassio Nunes Marques, indicado por Bolsonaro, e não tem data prevista para recomeçar. Isso porque uma possível aprovação da suspeição colocaria na lata do lixo toda a armação da quadrilha por ele comandada em Curitiba.

Há ainda as ameaças de militares e a tradicional pregação da extrema direita, em favor de um golpe militar e muitas outras armações que a burguesia vai buscar interpor, uma vez que toda a operação golpista, com a derrubada da presidenta Dilma Rousseff, em 2016, as condenações e prisão ilegais de Lula e a cassação de sua candidatura, em 2018, não foram dadas pela burguesia para que ela permitisse, em condições ainda mais difíceis de agravamento da crise, que a maior liderança popular do País retornasse ao governo, sem um enorme enfrentamento.

De qualquer forma, a candidatura de Lula é um fato dado pela burguesia e sua venal imprensa e, principalmente, pela imensa maioria da população trabalhadora e por suas organizações de luta.

Ela expressa, no terreno eleitoral, a polarização real, presente na situação atual entre a esquerda, a classe operária, por um lado, e a burguesia golpista, a direita, por outro.

Podemos considerar que é uma forma imperfeita de como se expressa a polarização; mas é o que acontece no mundo real, que não segue padrões pré-estabelecidos por aqueles que procuram encaixar a realidade em suas análises e não analisar a realidade, de um ponto de vista materialista, tal qual ela é.

Nestas condições, o PT e toda esquerda que se coloca no terreno da luta dos trabalhadores, devem lançar publicamente a pré-candidatura de Lula, imediatamente. Isto faria cristalizar a situação e aumentar a mobilização e organização dos explorados para enfrentar a reação da direita que, por certo, virá. Ou seja, orientar a polarização no sentido que interessa os explorados, de uma vitória contra a direita.

A burguesia golpista, com o apoio – consciente ou não – da esquerda burguesa e pequeno burguesa –  quer evitar que isso ocorra. Busca distorcer a polarização o quanto seja possível, evitar que fique clara, apresentar candidaturas que não expressem a polarização, que busquem uma conciliação com a burguesia. Ainda que busquem encobrir tal operação das mais variadas formas, como a suposta criação de uma frente ampla contra Bolsonaro, como se houvesse uma luta comum entre os trabalhadores com a direita que deu o golpe e colocou Bolsonaro no governo, o sustenta e pode até mesmo a vir apoiá-lo contra Lula ou outra candidatura da esquerda, como se deu em 2018.

Para nós e para os trabalhadores, quanto mais clara a polarização, melhor.

A burguesa não quer a candidatura de Lula e um novo governo do PT, ainda que a política de certos setores do PT e o próprio Lula possam querer um acordo com a burguesia, nesse sentido. Isso não depende só da vontade de um dos lados.

Por isso candidatura de Lula tem papel fundamental e é uma arma poderosa para impulsionar uma ampla mobilização dos trabalhadores e de todos os explorados, não apenas no terreno eleitoral, mas também pelas reivindicações mais sentidas pelos trabalhadores diante da crise.

Para impedir uma vitória de Lula e do povo, a burguesia vai colocar o País a caminho de um terceiro golpe de Estado, que precisa ser detido por meio de uma intensa mobilização. Não há tempo a perder, também pelo avanço da crise social que pode impor um retrocesso ainda maior e sem paralelos nas condições de vida do brasileiro.

Lançar já a candidatura de Lula, desencadear uma intensa mobilização, criar milhares de comitês de luta em todo o País, impulsionar a polarização no sentido de uma vitória dos trabalhadores contra a direita.

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