Primeiro de maio
Ato vitorioso organizado pelo PCO mostrou, na prática, que é possível organizar os trabalhadores, mesmo em tempos de pandemia
Compartilhar no facebook
Compartilhar no twitter
Compartilhar no whatsapp
Compartilhar no telegram
Compartilhar no email
Compartilhar no reddit
49844066006_53feaedb06_o (1)
Militantes cantam "A Internacional" em ato de primeiro de maio (2020). Foto: Diário Causa Operária |

Por Victor Assis

Na última sexta-feira (1º), mais de cem pessoas estiveram presentes no ato de primeiro de maio organizado pelo Partido da Causa Operária (PCO) na cidade de São Paulo. A atividade, que aconteceu em local fechado e foi restrita a convidados, reuniu delegações de todas as regiões do país e até mesmo uma representante do PCO na Europa.

O grande sucesso da atividade, no entanto, não está somente em seus números, mas sim, sobretudo, por ela ter acontecido em circunstâncias muito específicas: no momento em que a epidemia de coronavírus se encontra em uma crescente no Brasil. Os últimos dados oficiais relatam a morte de nada menos que 6.633 pessoas por causa da doença, o que está levando o país para as primeiras posições do sinistro ranking de vítimas fatais da pandemia.

A situação é extremamente grave — talvez, mais do que em qualquer outro momento da história da classe operária brasileira. O alto nível de contágio do coronavírus encontrou, na destruição dos sistemas de saúde em todo o mundo, a condição ideal para causar um grande estrago. Mais do que nunca, os trabalhadores se vêem confrontados com a necessidade histórica de assumir o protagonismo de seu próprio destino.

O chamado é necessário, urgente, desesperado. Pessoas já são enviadas para morrer em casa, outras são largadas à própria sorte nas ruas. E, como se não bastassem os pulmões, sucumbindo à tosse incessante e às paradas respiratórias, a barriga, cientificamente intransigente, inflexível, já começa a roncar. Mas, diante desse quadro, onde foi parar a esquerda? Que se fez dela, que tão prontamente defendia o povo em seus discursos inflamados no parlamento?

A esquerda foi parar embaixo da cama. Antes que o vírus colecionasse seu primeiro milhar de vítimas, as direções da esquerda pequeno-burguesa já haviam trancado seus sindicatos, dispensado seus funcionários, retirado seus militantes das ruas e, finalmente, decretado a quarentena da luta de classes. A luta de classes, contudo, que não conhece qualquer decreto, se intensificou ainda mais — e, na confusão em que a esquerda se meteu, acabou por dissolver todos os que estavam perdidos em uma massa amorfa e profundamente direitista, a qual estão dando o nome de unidade nacional.

Os últimos dois meses têm sido atípicos. Fomos obrigados a assistir dezenas — ou centenas, ou milhares, já perdi as contas — de companheiros que, outrora críticos aos parasitas que hoje respondem pelo nome de centrão, passaram a defender abertamente vigaristas como Luiz Henrique Mandetta. Até mesmo o mais descrente na política de tipo reformista da esquerda nacional recebeu com algum grau de surpresa a notícia de que a Central Única dos Trabalhadores — a poderosa CUT — iria participar de uma operação que envolvia figuras como FHC, além de Rodrigo Maia, João Doria, Wilson Witzel e outros fascistas.

Não, não é loucura. É pura histeria. É a reação da pequena burguesia diante da crise — crise essa que ainda deverá se acentuar bastante. Movidos pelo desespero e pela mais completa falta de princípios — dito de outro modo, pelo distanciamento da ciência social, o marxismo —, tais companheiros perderam completamente a cabeça. E sem a cabeça, já não conseguem mais usar a razão. Rebatem argumentos, teoria, a política e a história com chavões, gritaria, chiliques e apelos ao absurdo.

Com o primeiro de maio classista organizado pelo PCO, no entanto, eis que se abre uma nova oportunidade para que os companheiros encontrem o caminho da luta de classes, o caminho da luta contra a direita. Com o ato, agora está mais do que provado. É possível organizar os trabalhadores, mesmo com a pandemia. É possível e é necessário. Ou melhor, é necessário, por isso possível.

O ato marcou mais um ponto para a luta dos trabalhadores, um ponto a menos para a histeria. A mobilização em plena pandemia é agora um fato, e contra fato não há argumentos. Se bem que, dado o nível de histeria em que se encontram alguns setores da pequena burguesia, a cegueira perante aos fatos hão de permanecer…

Compartilhar no facebook
Compartilhe no seu Facebook!
Compartilhar no twitter
Tuite este artigo!
Compartilhar no whatsapp
WhatsApp
Compartilhar no telegram
Telegram
Compartilhar no email
Email
Compartilhar no reddit
Reddit
Compartilhar no facebook
Compartilhe
Compartilhar no twitter
Tuite este artigo!
Compartilhar no whatsapp
Compartilhar no telegram
Compartilhar no email
Compartilhar no reddit
Relacionadas