Contra aumento da matrícula, estudantes franceses paralisam Universidade de Paris

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A universidade francesa de Paris-Nanterre foi bloqueada na manhã desta segunda-feira (10) por estudantes que reclamam do aumento do preço da matrícula para os alunos não-europeus – informou uma jornalista da AFP no local.

A partir de 2019, os estudantes que residem fora do Espaço Econômico Europeu (EEE) terão de pagar 2.770 euros anuais para obter uma licenciatura e bacharelado (três anos de estudos universitários), e 3.770 euros anuais, para mestrados e doutorados.

Até então, esses alunos pagavam o mesmo que os europeus, ou seja, 170 euros por ano para licenciatura e bacharelado, 243 euros por ano, para mestrado, e 380, para o doutorado.

Isso faz parte do planejamento econômico pelos neoliberais, cujo investimento na educação terá que ser suportado individualmente pelas famílias sem ajuda do Estado, e diretamente através dos Bancos privados. Com isso se tornará impossível o baixa renda estudar e se especializar lá fora. O acesso ficará restrito aos filhos da burguesia, os únicos que poderão arcar com os pesados ônus de estudar e se especializar lá fora.

Aliás, nada diferente do que acontece no Brasil!

O número de intercâmbios entre alunos de graduação das universidades públicas brasileiras despencou com o fim do programa Ciência sem Fronteiras, do governo federal. Sem a ajuda do Ministério da Educação (MEC) desde julho de 2016 quando foi caçado pelo gov. Temer, as instituições de ensino federais e estaduais reduziram em até 99% o número de alunos enviados ao exterior até o ano passado. Para especialistas, esse dado representa não só uma perda de experiência acadêmica para os estudantes, mas também um prejuízo para a formação científica no País.

Um dos casos mais dramáticos está na Universidade Federal do ABC, do Estado de São Paulo, onde só três bolsas foram concedidas em 2016, ante 551 em 2014, auge do Ciência sem Fronteiras – uma queda de 99,4%.

E é claro que estamos falando de estudantes que não precisam trabalhar para estudar e fazem cursos durante o dia, na faixa de 18 a 24 anos,   pois, como é o caso do trabalhador que só pode estudar durante a noite, a busca de melhor qualificação é um verdadeiro drama e conta com um desafio ainda maior.

Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nos mostram que, do total de estudantes na faixa entre 18 e 24 anos, a parcela de 32,9% frequentava o Ensino Superior em 2004. Em 2014, dos estudantes dessa mesma faixa etária, 58,5% estavam na faculdade. É um salto de mais de 30 pontos porcentuais.  Os dados da pesquisa foram calculados com base no número de estudantes, e não no total de jovens – o que incluiria também os que não estudam. As informações estão presentes  na Síntese de Indicadores Sociais (SIS) de 2015.

Até 2015, a alta no percentual de estudantes cursando nível superior foi registrada em todas as regiões brasileiras, que continuavam a apresentar patamares desiguais. No Sul, a proporção havia subido de 50,5% para 72,2% no período pesquisado, enquanto no Norte, o percentual subira de 17,6% para 40,2%. O maior crescimento, de 29,1 pontos percentuais, foi verificado no Nordeste, onde a proporção passou de 16,4% para 45,5%.

Em 2004, 16,7% dos estudantes pretos e pardos com 18 a 24 anos frequentavam o ensino superior, segundo a pesquisa, número que cresceu para 45,5% em 2014. Para a população branca, essa proporção passou de 47,2%, em 2004; para 71,4%, em 2014. Ou seja, o percentual de pretos e pardos no ensino superior em 2014 ainda era menor do que o percentual de brancos no Ensino Superior dez anos antes.

Há tendência de democratização no acesso ao Ensino Superior se no governo do PT. Em 2004, na rede pública, 1,2% dos estudantes de nível superior pertenciam ao quinto mais pobre de rendimento domiciliar per capita, passando a 7,6% em 2014. Na rede privada, essa proporção passou de 0,6% para 3,4%.

Todo esse panorama foi auxiliado por programas como o PROUNE, FIES, e outros que ajudaram as pessoas com menor poder aquisitivo a estudar, e notadamente, ao trabalhador que trabalha durante o dia.

Os dados agora vão na direção do que acontece na França, e também em todos os países com regime neoliberal, onde a proposta é acabar com as chances de quem não tem renda e do trabalhador que busca qualificação fazendo faculdade a noite, depois de uma extenuada jornada de trabalho, relegando estes ao subemprego, ou a jornadas intermitentes, que, nem mesmo um salário mínimo conseguem no final do mês.

A solução não é outra senão a rebelião total de estudantes contra esta política vil, que insiste em tornar a vida do estudante, neste caso os que vão para a França de outros países, uma via impossível e totalmente inviável. Devíamos aprender com esses estudantes, mas não só eles, também os coletes amarelos, que têm demonstrado como deve reagir o povo castigado por esses neoliberais nazi-fascistas, ditadores e capachos da burguesia.