Para derrotar os golpistas
Contra as manobras da burguesia em minar Bolsonaor e promover Joao Doria (PSDB), seu possível candidato em 2022, é preciso lutar pela candidatura de Lula contra ambos
São Paulo 18 01 2018 O ex presidente Lula participa de Ato com artistas e intelectuais em São Paulo Foto: Ricardo Stuckert
O ex-presidente Lula (PT) participa de ato público após liberdade da prisão política | Ricardo Stuckert
São Paulo 18 01 2018 O ex presidente Lula participa de Ato com artistas e intelectuais em São Paulo Foto: Ricardo Stuckert
O ex-presidente Lula (PT) participa de ato público após liberdade da prisão política | Ricardo Stuckert

Os recentes acontecimentos no País, como o início da imunização, a tragédia em Manaus, a falta de oxigênio nos hospitais que mata os internos sufocados, a crise econômica e os quase 210 mil mortos no país, estão sendo utilizados pela burguesia como uma verdadeira campanha para minar o presidente ilegítimo Bolsonaro e promover o seu candidato de confiança para 2022, que neste momento parece ser o governador genocida João Doria (PSDB). Contra essa enorme manipulação da burguesia, que procura estabilizar o golpe de Estado de 2016 através das eleições, é preciso lutar pela candidatura de Lula, a única que pode reunir um amplo setor das massas em torno de si e derrotar todos os golpistas, como Bolsonaro e Doria.

Esse fato foi visto no último domingo quando foi aplicada a primeira vacina contra o coronavírus no País, através de um grande palanque armado para promover o governador golpista João Doria (PSDB), como grande governante “científico”, o “homem da vacina no Brasil”, entre outros. Os principais veículos da imprensa burguesa, como O Globo, Folha de São Paulo e Estadão, entraram numa campanha cerrada para desmoralizar Bolsonaro e levantar imagem de Doria.

 

Manaus e as “fake news”

 

Outros acontecimentos que tem sido utilizados contra o presidente ilegítimo é a situação crítica em Manaus, onde a população está morrendo por falta de oxigênio devido a omissão total do poder público. Bem como o caso da censura nas redes sociais, importado dos EUA – da campanha contra Trump e a invasão do Capitólio – para perseguir e censurar também a extrema-direita brasileira. Em ambos os casos, a burguesia está aumentando sua pressão contra o governo federal. No primeiro, está responsabilizando apenas Bolsonaro, no segundo está usando do argumento da propagação de notícias falsas e da “incitação da violência”, para defender que os bolsonaristas sejam banidos das redes sociais, tal como Donald Trump.

Não importa qual seja o assunto, a abordagem da burguesia se resuma a desgastar cada vez mais o governo golpista de Bolsonaro, mas mantê-lo no cargo para preparar sua substituição por um elemento da direita tradicional, que tenha mais poder e apoio dentro do Estado burguês para implementar o programa de terra arrasada da burguesia contra a população.

Por isso a campanha é sempre contra a extrema direita e em favor, não de Lula, opositor natural do regime, mas dos setores fundamentais do bloco golpista, como PSDB, MDB, DEM. A bola da vez é João Doria, “o cientista”. Após o início da vacinação em São Paulo, setores que vão de Boulos (PSOL) à Rede Globo, comemoraram a vitória do governador paulista sobre o presidente ilegítimo.

Desta forma, Doria, o governador que jogou água em moradores de rua em pleno inverno de São Paulo. O mesmo que deu “ração” para as crianças e que atacou as universidades públicas, os servidores públicos, os hospitais, cortou recursos para a ciência, foi convertido em grande opositor de Bolsonaro e o portador do mérito da vacina.

Mas isso não é tudo, Doria também é um elemento destacado do PSDB, o principal partido burguês do País – e o mais ligado ao imperialismo – e o essencial organizador do golpe de Estado de 2016 e da fraude eleitoral de 2018, junto com os demais principais partidos do regime, como MDB e DEM.

Além disso, houve a manifestação do ex-governador do Rio Grande do Sul, Tarso Genro – elemento da ala direita do PT – que de forma mais descarada mandou uma cartinha à Doria pedindo para que o tucano genocida lidere e oposição contra Bolsonaro em 2022.

Desta forma, a esquerda está caindo no conto da direita, acompanhando a propaganda da burguesia em prol de um candidato da direita dita civilizada, que terá como objetivo substituir Bolsonaro para aplicar o programa da burguesia de maneira mais profunda.

Ou seja, há uma verdadeira divisão basicamente de 3 frentes políticas. A extrema direita, que procura defender o governo Bolsonaro e mantê-lo, apoiando-se na mobilização dos bolsonaristas e no suporte de setores menores da burguesia. A direita tradicional, dos partidos principais do regime (PSDB, MDB, DEM…), apoiam-se nos setores fundamentais da burguesia, nos capitalistas mais poderosos e nos setores mais altos da burocracia estatal, como o Supremo Tribunal Federal (STF) e a imprensa burguesa. E por fim, há a frente da esquerda em torno do ex-presidente Lula e da luta contra o golpe, que se baseia nos setores combativos da esquerda e da população, vítima dos dois outros blocos.

Neste sentido, a campanha da burguesia contra Bolsonaro, como tem se apresentado em diversos aspectos, pode resultar na queda deste antes – pelo impeachment da direita, onde a burguesia vai tentará colocar Mourão ou outro elemento de sua confiança. Como há também a possibilidade de Bolsonaro cair pela mobilização popular, dado que a situação tende a explodir neste ano, em que o País ultrapassou mais de 200 mil mortos, um desemprego gigantesco, o fim do auxílio emergencial e a falta de eficácia da vacina. Em ambos os casos, é necessário defender eleições gerais com Lula candidato e presidente.

Contra a manobra da burguesia em fazer campanha de um suposto “mal menor”, é preciso defender a candidatura de Lula como o candidato de toda a esquerda e do povo, contra toda a direita golpista, de Bolsonaro a Doria, passando por Maia, Baleia Rossi e afins. Esta é a única reivindicação democrática e progressista diante do regime golpista.

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