Educação e pandemia
Tidos como exemplos de governantes “científicos”, os tucanos de São Paulo adotam uma política tão ou mais agressiva que a dos “negacionistas”
Covas e Doria
Covas e Doria, governantes científicos | Foto: Governo do Estado de São Paulo
Covas e Doria
Covas e Doria, governantes científicos | Foto: Governo do Estado de São Paulo

No último domingo (14), os dados oficiais registraram 56.266 mil mortos por coronavírus no estado de São Paulo, dos quais 17.957 só na capital. A situação é a pior desde o início da pandemia, com mais de 1,9 milhões de pessoas infectadas. Mesmo assim, os governantes “científicos”, como o prefeito Bruno Covas e o governador João Doria (ambos do PSDB), decretaram a volta às aulas presencial nas escolas uma política criminosa, da qual já se sabe o resultado: expresso na cidade de Manaus (AM).

Covas, que foi elogiado pela imprensa burguesa e inclusive por setores de esquerda, e que fez seu discurso de posse da reeleição, prometendo um duro “combate ao negacionismo” [Bolsonaro] decretou que as escolas municipais de São Paulo retornassem às aulas presenciais nesta segunda (15). A situação é tão absurda que já neste 1º dia, pais e professores denunciaram a falta de qualquer condição para o retorno das aulas. Não é só que as escolas não atendem uma condição de biossegurança ou outra, mas que a própria prefeitura, da maior cidade do País, simplesmente não tem equipes de limpeza suficientes para cumprir as próprias medidas que definiu. Só por este motivo da falta de estrutura, cerca de 530 escolas não abririam nesta segunda.

Já Doria, que foi propagado pela burguesia como “o homem da vacina”, decretou a volta às aulas ainda antes que Covas. Devido a mobilização dos professores estaduais, organizados na Apeoesp, o governador adiou o retorno para o dia 8 de fevereiro, mas manteve sua política genocida. O caso da rede estadual é ainda pior, porque tratam-se de milhões de estudantes, professores, funcionários e pais a mais do que na rede municipal. Os problemas comuns entre as duas redes são muito maiores, como falta de ventilação das salas, falta de energia elétrica, obras em andamento, para nem falar falta de itens de proteção e de prevenção contra o coronavírus.

Isto ocorre num momento em que o Brasil registra, apenas em dados oficiais, mais de 239 mil mortos por coronavírus. O estado de São Paulo é responsável por 24% deste total. Como foi denunciado por este Diário desde o início, Doria é junto com Bolsonaro o principal genocida do país e um dos principais do mundo. Este que foi promovido como o grande responsável pela chegada da vacina ao Brasil, é o mesmo que manteve desde sempre a maior aglomeração do país (o transporte coletivo em São Paulo) funcionando a todo o vapor.

Desta forma, enquanto a burguesia faz campanha para a volta às aulas, “morra quem morrer”, o Brasil não consegue vacinar mais do que 2,38% da sua própria população, mostrando que a vacinação no País não passou de uma peça de propaganda, que tem sua paralisia relacionado ao término das doses importadas e a falta de produção em massa das vacinas no próprio território brasileiro.

A política de apoiar este setor da “direita científica”, sob o pretexto de lutar contra Bolsonaro, no fim das contas leva a defesa da mesma política de Bolsonaro, da reabertura total e de salvar os capitalistas independente de quantas pessoas morram. Logo, para barrar a política genocida dos golpistas “científicos” e dos “negacionistas” é preciso lutar pela derrubada de todos os golpistas, através do fora Doria e fora Covas.

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