Defender Lula nas ruas
Burguesia quer fazer novo golpe contra Lula e a classe trabalhadora. É necessário impedir nas ruas.
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Lula ou nada! | Nelson Almeida/AFP
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Lula ou nada! | Nelson Almeida/AFP

Em uma semana conturbada em relação à operação Lava Jato e os direitos políticos de Lula, Gilmar Mendes, ministro do Supremo Tribunal Federal, saiu a público, em entrevista ao portal Jota, declarando que a suspeição do ex-juiz da operação está sendo discutida apenas no caso do triplex no Guarujá. A afirmação deixa claras as intenções da burguesia golpista, a justiça irá manobrar o quanto for possível para não devolver a Lula os seus direitos políticos.

Nova fraude da justiça

De acordo com Gilmar Mendes “o que estamos discutindo é apenas o HC no caso específico do triplex. Certamente essa decisão pode ter reflexos sobre outros casos. Agora, há muitas questões que estão aí envolvidas”. Porém, já comprovando a falta de disposição da justiça, Gilmar Mendes fala que “há muita lenda urbana e possíveis confabulações e teorias conspiratórias”, e explica que para Lula possa ter seus direitos políticos de volta “terá que haver uma nova discussão e um novo exame”.

Vale dizer que toda esta discussão tem como base a série de denúncias feitas pela defesa do ex-presidente Lula, com o vazamento de novas mensagens entre o procurador Deltan Dallagnol e Sérgio Moro, assim como entre os procuradores da operação que foi responsável por destruir a economia nacional e perseguir Lula, impedindo-o de concorrer às eleições das quais era favorito.

Nestas mensagens, ainda ficava clara a maneira criminosa com que toda a operação foi levada, seja por meio da troca de informações entre Moro e Dallagnol, forjando todas as acusações contra Lula, assim como, a participação direta do imperialismo norte-americano, como por exemplo, o envolvimento de inúmeros agentes da CIA.

Mesmo com todas estas revelações de grandes proporções, a burguesia golpista e sua justiça buscam manobrar com a operação. De acordo com os juízes, Moro pode até ser condenado, no entanto os direitos políticos não serão devolvidos a Lula.

Moro, uma ferramenta da burguesia

Moro, desde o principio foi uma mera ferramenta da burguesia, agora que seu trabalho principal foi feito não resta necessidade, ainda mais em meio a tamanha crise, manter a defesa do ex-juiz. Sacrificar Moro tornou-se uma medida real para a burguesia, contudo sem deixar de dar um novo golpe em Lula.

A operação da Lava Jato serviu essencialmente para perseguir politicamente os adversários do regime golpista, sobretudo Lula, a principal figura de oposição e vista como representante pela classe trabalhadora, como também o PT, o principal partido de oposição do País.

Agora que Lula já foi preso, seus direitos políticos retirados e seu direito a se candidatar suspenso, a Lava Jato cumpriu seu principal papel. Dessa maneira, resta para burguesia manter os ataques contra Lula, evitando assim maiores problemas nas eleições de 2022.

Por outro lado, estas manobras se mostram cada vez mais arriscadas e revelam uma crise do regime golpista. É justamente neste momento, onde a esquerda deveria intervir com uma política própria, de defesa irrestrita dos direitos democráticos de Lula.

Defender Lula é defender a classe trabalhadora

Defender Lula é cada vez mais uma defesa não só dos direitos políticos do ex-presidente, como também uma defesa dos direitos democráticos de todo povo brasileiro. Se a burguesia faz o que bem quer com o principal líder popular do país, com a classe trabalhadora os efeitos serão exponencialmente piores.

Dessa maneira, a farsa desta mais nova manobra da burguesia precisa ser denunciada. Contudo, ao contrário da tendência capituladora da esquerda pequeno-burguesa, que já busca encontrar um “substituto” de Lula, é necessário se colocar na defesa do ex-presidente e de sua candidatura com uma intensa mobilização nas ruas.

Esta política precisa se dar de maneira ampla, e o chamado do dia 27 de fevereiro pelo comitê Lula Livre para a realização de atos em todas as capitais é de extrema importância para dar o passo inicial de uma campanha de grandes proporções neste ano de 2021.

Contudo, é preciso combater desde já a política de realização de atos minoritários, virtuais ou atividades de meras aparências como propõe desde já setores do próprio PT. É necessário tomar as ruas, organizar um forte aparato de agitação e propaganda capaz de mobilizar a população, a classe trabalhadora, e não permitir na força que os direitos de Lula sejam novamente negados.

A iniciativa de Lula em chamar os atos é positiva, e precisa ser aproveitada. Dessa maneira o Partido da Causa Operária, lançou-se neste ano de 2021 em uma intensa campanha em defesa do ex-presidente, que precisa ser levada por toda a esquerda de conjunto.

Organizações como CUT, MST e demais partidos da esquerda precisam impulsionar de conjunto esta campanha, se de fato consideram-se agentes da luta contra o golpe.

Além disso, é preciso destacar que a defesa da candidatura de Lula é justamente o ponto impulsionador da radicalização política da população contra os golpistas e o governo de Bolsonaro. Não resta dúvidas, de que Lula nas eleições causará uma intensa crise ao regime burguês, e isso imperativamente impulsionará a polarização política no país.

Dessa maneira, Lula se torna a oposição real a política de frente ampla, que visa abandonar uma política independe da esquerda e se juntar com o principal setor da burguesia em uma suposta luta contra o bolsonarismo. As eleições da Câmara já provaram que isso era significar uma derrota para toda a esquerda de conjunto.

Não podemos permitir que o estelionato eleitoral de 2018 se repita, e para isso é necessário tomar as ruas, por Lula candidato em 2022, e em defesa de todos os seus direitos democráticos, e também pela anulação da operação Lava Jato.

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