Contra a censura, exposição Queermuseu vai reabrir no Rio de Janeiro

Exposição Queer Museu é suspensa após polêmica

A imprensa divulga a reabertura da exposição ‘Queermuseu: Cartografias da Diferença na Arte Brasileira’ no Rio de Janeiro.

Para quem não lembra, em setembro de 2017, após quase um mês em cartaz no Rio Grande do Sul, no espaço Santander Cultural, a exposição foi cancelada. Segundo o Santander, as reclamações recebidas teriam levado a instituição a decidir pelo cancelamento. A bem da verdade, não foram reclamações, mas expressão de ódio e preconceito.

A exposição deveria ser aberta em Belo Horizonte, Minas Gerais, mas a mesma pressão conservadora, preconceituosa, ignorante, de parte da burguesia gaúcha também se viu em Minas Gerais e o prefeito da cidade não quis sequer abrir espaço para negociá-la.

A exposição no Rio de Janeiro foi boicotada e seu cancelamento foi anunciado, inclusive com o prefeito fundamentalista Marcelo Crivella, da Igreja Universal, anunciando que é contra a exposição e que não permitiria que ela acontecesse. Mas graças a uma campanha de financiamento coletivo, sua viabilização foi restabelecida. Essa  remontagem no Rio de Janeiro conta com 223 obras de 84 artistas nacionais e internacionais, sob curadoria de Gaudêncio Fidelis.

A iniciativa da campanha e ter-se assegurado a exposição é um marco importante por não permitir que os moralistas e conservadores de plantão falem sozinhos e sintam-se fortalecidos, ao ponto de ditarem normas de conduta e ditarem o que é bom para a sociedade. Parte desses ‘cidadãos de bem’ que se lançam ferozes e violentos sobre artistas e sobre políticas sociais são eleitores da extrema-direita e da direita, são patrocinadores da violência física contra minorias, contra as mulheres, contra os movimentos sociais, contra os pobres. São disseminadores de ódio e preconceito.

Nesse sentido, é importante ressaltar que diante do clima de censura e perseguição ao pensamento divergente, que a exposição agregou um Fórum Queermuseu. Ali, segundo anuncia-se, haverá discussões que pretendem reforçar um movimento contra a censura e a intolerância. A exposição acontecerá nas Cavalariças da Escola de Artes Visuais do Parque Lage, na Zona Sul, entre os dias 18 de agosto a 16 de setembro de 2018.