Continuidade da greve dos policiais no RN é conveniente ao golpe militar

há mais de 15 dias de paralisação, a greve dos policiais civis e militares do Rio Grande do Norte, parece longe de terminar, apesar dos várias decisoes judiciais e anuncios da imprensa burguesa no sentido contrário.

Isto porque apesar das ameaças de repressão, da presença de quase 3 mil integrantes das Forças Armadas ocupando as ruas de Natal e outras cidades, das determinações do judiciário etc., não há de fato nenhuma ação concreta para combater a causa principal da paralisação: o atraso no pagamento dos salários de novembro, dezembro e do décimo-terceiro salário.

No último dia de 2017 – atendendo solicitação do governo do RN, que argumentou que os servidores da segurança desobedeceram à primeira decisão da Justiça, no dia 24 de dezembro, que considerou o movimento ilegal, o desembargador Cláudio Santos determinou que os comandantes da Polícia Militar, do Corpo de Bombeiros e o delegado-geral da Polícia Civil prendessem os policiais responsáveis por incitar, defender ou provocar a paralisação, nada aconteceu neste sentido.

Na terça (dia 2), PM voltou muito parcialmente às ruas, para encenar que não descumprimento da ordem da Justiça, ao mesmo tempo em que denunciavam que não tinham condições materiais (sem salários, sem carros, sem coletes etc.) e psicológicas de trabalhar. Ao mesmo tempo, centenas de policiais civis se apresentam na sede da Secretaria de Segurança portando algemas, depois que em assembleia deliberam manter o trabalho apenas em regime de “plantão”, alegando que aceitavam ser presos, mas nada aconteceu.

Ao mesmo tempo em que não economiza em gastos com envio de tropas e com a manutenção de sua presença naquele estado (diárias, gastos com locomoção etc.), o governo não resolve o problema da falta de recursos para resolver o problema da falta de pagamento. O governador Robinson Faria chegou anunciar que o Estado receberia uma ajuda financeira de R$ 600 milhões do governo federal para pagamento da folha, mas o Ministério da Fazenda negou o repasse.

Ainda no dia 30 de dezembro, a Justiça Estadual autorizou o uso de uma verba de R$ 225,7 milhões da Saúde para pagamento de servidores estaduais, mas a Advocacia Geral da União entrou com uma ação para impedir o remanejamento dos recursos e a Justiça Federal acatou.

As Forças Armadas não divulgam os valores referentes ao gastos com o deslocamento e manutenção de tropas no Estado, muitas das quais de setores com salários bem mais elevados do que os poucos mais de R$ 2 mil pagos aos soldados da PM e milhares de servidores da Polícia Civil, coimo no caso das centenas de homens da Força de Segurança Nacional, oficiais do Exército etc.
A operação constitui mais uma das chamadas missões de Garantia da Lei e da Ordem, que não param de crescer desde o golpe de estado que derrubou a presidenta Dilma Rousseff, por meio de impeachment comprado apoiado pelos chefes militares, muitos dos quais estão em plena pregação a favor de um golpe militar.

A presença dos militares (assim como o funcionamento “regular” dos órgãos de repressão) em nada melhora a segurança da população, como se vem forçados a admitir a própria imprensa golpista: “desde o início da paralisação foram registradas 101 mortes violentas no Rio Grande do Norte. A média é de 6,7 pessoas mortas por dia – praticamente a mesma de todo o ano de 2017, que teve 2.405 assassinatos”, descreveu o insuspeito jornal golpista O Globo.

Resumindo a missão GLO, realizada pelas FFAA no RN nada tem a ver com segurança e com os interesses da população(usados apenas como pretextos) trata-se de mais um “treinamento” para uma intervenção militar, defendida por chefes militares e, por isso mesmo, são ultra limitados os esforços, se é que eles existem, para por fim à operação.
Em sintonia com esta situação a próxima GLO já deve estar sendo preparada, em Porto Alegre, em torno do dia 24, diante convocação feita pelo governo golpista daquela capital, para tentar intimidar as manifestações populares contra a condenação e a prisão de Lula.