Eleição sob Suspeita
Denúncias, judicialização e protestos colocam o sistema eleitoral americano sob suspeita
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Tramp e Biden, as faces da contradição burguesa nos Estados Unidos. | Foto: Patrick Semansky

Candidato denuncia fraude nas eleições: falsificação de cédulas, contagem fraudulenta, cerceamento de direitos, falta de transparência.

– Onde? Na Venezuela? Na Bielorrússia?

– Não, nos Estados Unidos!

Como foi dito na Análise Política da Semana deste sábado (7/11) por Rui Costa Pimenta, a crise do sistema político americano é o principal resultado da eleição presidencial dos Estados Unidos. Confirmando esta tese, o Presidente e candidato a reeleição Donald Trump, do partido Republicano, coloca sob suspeita todo o processo eleitoral ao denunciar de fraude a antecipação do resultado pela imprensa americana. A judicialização da eleição e o acirramento dos discursos podem levar a eleição para as ruas com resultados imprevisíveis.

Sem a certificação oficial da vitória de Biden como vencedor do pleito em nenhum estado, muito menos naqueles onde houve contestação jurídica e pedido de recontagem de votos, a imprensa americana se encarregou, de forma antecipada, de determinar o vencedor final da eleição, acusa Donald Trump.

Pelo Twitter Trump garantiu que ganhou as eleições com “71 milhões de votos legais” e denuncia que seus observadores “não foram autorizados” a comparecer à recontagem de votos, além disso acusa que “milhões de cédulas foram enviadas pelo correio para pessoas que nunca as pediram”, o que é ilegal. O Twitter marcou a mensagem de Trump com um alerta onde se lê “Essa alegação de fraude eleitoral está em disputa”.

O republicano garantiu que irá levar o caso à Suprema Corte “para garantir que as leis eleitorais sejam totalmente mantidas e o vencedor legítimo esteja sentado”. Na contramão das denúncias, a imprensa cobra a aceitação da derrota, a rede Fox News alega ter fontes que disseram que Trump iria reconhecer a derrota e executar uma transferência pacífica de poder, caso os desafios legais de sua campanha não mudassem o resultado projetado.

Uma série de processos judiciais já foi aberta em estados onde a vantagem de Biden era muito pequena, a exemplo de Nevada, Pensilvânia e Geórgia. A campanha de Trump alegou casos de votos contados ilegalmente, recebidos após o dia da eleição. “Os observadores não tiveram permissão para entrar nas salas de contagem”, acusou o presidente.

Para concretizar o temor das instituições do regime político americano, milhares de apoiadores do presidente Trump saíram às ruas no sábado para protestar contra a antecipação da vitória Democrata pela imprensa. O grupo do Facebook “Stop the Steal” (Pare de Roubar, em português) com mais de 35.000 seguidores foi banido da plataforma sob a alegação de que teria feito “apelos preocupantes por violência”.

Apesar do fato positivo apontado por Rui Costa Pimenta, de que o impasse e crise política por ele criado no centro do imperialismo mundial, parte da esquerda brasileira segue o entusiasmo dos monopólios de comunicação brasileiros que festejam a vitória de Biden como se fosse uma vitória da democracia. Nada está mais longe da realidade do que isso quando se compara Joe Biden à democracia. Rui lembrou que Biden representa a porção da burguesia americana que invadiu o Iraque e matou um milhão de pessoas, que mantêm campos de concentração espalhados pelo mundo, onde se pratica a tortura livremente, que impulsionaram os golpes de Estado da última década, inclusive no Brasil, que destruíram países inteiros e promoveram o genocídios de milhões de seres humanos em todo o planeta.

A crise de credibilidade do sistema político americano abre caminho para o surgimento de uma esquerda operária nos Estados Unidos, desatrelada das amarras impostas pela burguesia através do bipartidarismo. Além disso, uma crise interna de grande magnitude, agravada pela crise social que já perdura por anos, frustra os planos do imperialismo de intervenção na Venezuela, além de enfraquecer a política intervencionista de forma geral. Esta deveria ser a conclusão prévia a servir de base para a elaboração de um política para a esquerda em toda a América Latina.

Em nenhuma hipótese defendemos Trump, sabidamente um fascista, mas não podemos ignorar a grande fraude que realmente é a democracia americana e suas instituições burguesas. Isso ficou evidente nessa eleição onde a manipulação, a censura e toda sorte de manobras ilegais foram a regra. A polarização nos Estados Unidos é o reflexo da insatisfação da população com os dois partidos da burguesia e não uma oposição entre democracia e fascismo como nos quer fazer crer a imprensa capitalista.

Fazemos esta denúncia para enfrentar o que já parece estar claro no horizonte político, a tentativa de repetir no Brasil o mesmo expediente. A operação Biden, ou melhor dizendo, a operação frente ampla, consiste em manobrar a esquerda para que, em nome do “mal menor”, Bolsonaro seja usado como espantalho para fazer a esquerda abrir mão de sua candidatura, como aliás fez muito mal Bernie Sanders, e apoiar um direitista ainda pior travestido de “democrata”.

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