Sudeste asiático
Sai Trump, entra Biden. A interferência ianque no sudeste asiático segue intensa e tende a fomentar conflitos regionais que se arrastam há décadas na região.
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Presidente taiwanesa, Tsai Ing-wen (ao centro), participando de evento em dezembro de 2020. | Foto oficial por Mori/Escritório da Presidente/Fotos Públicas.
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Presidente taiwanesa, Tsai Ing-wen (ao centro), participando de evento em dezembro de 2020. | Foto oficial por Mori/Escritório da Presidente/Fotos Públicas.

A esperança que setores confusos da esquerda depositaram na figura nefasta de Joe Biden vem se comprovando um erro absurdo de cálculo. Recém-empossado na presidência dos Estados Unidos, o candidato apoiado pelo setor mais importante e agressivo do imperialismo ianque dá continuidade à política de desestabilização da China através de Taiwan.

O território chinês já foi alvo de inúmeras ocupações estrangeiras ao longo da sua história e precisa defender sua soberania territorial a todo momento. A moda dos protestos pré-fabricados nos EUA passou recentemente por Hong Kong e Taiwan, no caso taiwandês por conta de um acordo comercial com Pequim.

É interessante que as raízes da suposta independência da ilha remetam à fuga de Chiang Kai-Shek da China continental, após a vitória da Revolução Chinesa liderada por Mao Tsé-Tung. O contrarrevolucionário instalou então uma ditadura na ilha, perseguindo socialistas, comunistas e militantes de esquerda em geral. A manobra contou com o apoio dos EUA.

Desde então, a China mantém uma relação ambígua com a ilha, que tem o status de “província rebelde”. É muito óbvio que Taiwan se apoia no poder das potências imperialistas, que procuram sufocar a influência econômica e política do “Dragão Chinês”. Mesmo assim, a China ainda segue sendo o principal destino das exportações taiwanesas.

Enquanto grupos políticos apoiados pelo imperialismo estadunidense flertam com a ideia de uma independência formal da ilha, a China mantém a perspectiva de integrar Taiwan à República Popular da China.

No último ato do governo de Donald Trump, os EUA reestabeleceram laços oficiais com Taiwan. Mesmo mantendo relações informais ao longo dos anos, as relações oficiais haviam sido rompidas pelos EUA em 1979. Uma provocação explícita à China, que respondeu com sansões à equipe de Trump.

Eis que surge o campeão da democracia identitarista, Joe Biden. Segundo o novo presidente dos EUA, as sansões chineses aos provocadores ianques foram “improdutivas e cínicas”. Sua opção para substituir Pompeo, Antony Blinken, já declarou recentemente concordar com as avaliações de Pompeo sobre a China. Blinken deu ainda uma amostra da “nova” política externa dos EUA ao afirmar que se devia construir uma política bipartidária no país para “enfrentar” a China.

Nessa semana, após um sobrevoo de aviões militares chineses sob o estreito que separa os dois territórios chineses, Taiwan realizou exercícios de simulação de cenários de guerra com seus caças. Uma crise que tende a contar com mais uma onda de intervenções imperialistas na Ásia.

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