Continuação do golpe: Moro e militares comandarão a força-tarefa da repressão

Brazilian Federal Judge Sergio Moro speaks as he attends a Judiciary seminar in Sao Paulo

O mês de novembro se inicia com uma surpresa que, no entanto, não surpreendeu os mais atentos. Sérgio Moro aceitou o convite de Jair Bolsonaro para ocupar o cargo de “super-ministro” da justiça e da Segurança Pública. Moro, conhecido também como o “Mussolini de Maringá”, é o principal nome da operação Lava Jato e algoz do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva que está condenado por 12 anos e 1 mês de prisão.

Luiz Inácio Lula da Silva, maior líder popular do País, ficou de fora dessas eleições. Com maior intenção de votos e sendo  o único que poderia derrotar os golpistas e enfrentar o ataque do imperialismo, foi deixado de fora das urnas de forma totalmente arbitrária ao ser preso sem provas e sem ter sido totalmente julgado. Foi preciso trancar Lula na masmorra de Curitiba, pois ele é um instrumento de mobilização popular. O prestigio que a massa tem por Lula poderia colocar em risco todo o plano golpista fomentado pela burguesia. Lula veio do meio da classe operária e é por isso que não foi aceito para disputar as eleições, pois ganharia facilmente no primeiro turno em uma mobilização que impulsionaria os operários na luta contra o golpe.

O senhor Jair Messias Bolsonaro, eleito de forma fraudulenta, é o resultado da crise da burguesia que, para manter a continuidade do golpe, vai precisar ampliar suas forças de repressão. Nesse momento de desintegração do capitalismo, os golpistas através de Sérgio Moro e os militares usarão de forças totalitárias para a continuação do golpe. Para que o imperialismo mantenha seu protagonismo precisará atacar sem dó nem piedade a periferia, os povos indígenas, os movimentos sociais, e toda e a classe operária e a Força-Tarefa criada por decreto de Michel Temer em 15 de outubro, que visa supostamente combater o crime organizado, será comandada por Moro e pelos militares e facilmente poderá considerar os movimentos populares como “organizações criminosas” ou, até mesmo, “terroristas”.

Não podemos abaixar a cabeça diante desse ataque. A direita e a extrema direita, sempre estão de olho nas  convergências revolucionárias das massas. Se Lula não fosse um problema para a burguesia, não estaria preso. Precisamos nos rebelar e enfrentar esse regime golpista, por meio da organização das classes populares e seus órgãos de luta independentes.