“Construir o movimento”? O que é isso?

lego construcao

Dia 15 foram realizados grandes atos contra Bolsonaro e a direita golpista. Mais de um milhão de pessoas tomaram as ruas no Brasil inteiro, com potencial para iniciar um movimento capaz de derrotar a direita golpista, depois de sucessivas derrotas populares desde a campanha golpista que derrubou Dilma Rousseff em 2016. Esses atos marcaram o que pode ser o começo de uma virada contra os direitistas teleguiados comandados pelo imperialismo.

Nesse quadro, a direita tenta repetir o que fez em 2013, procurando alguma forma de manipular as manifestações. Dessa vez a tarefa é mais difícil, os protestos tinham uma reivindicação social concreta e eram inequivocamente de esquerda. No entanto, a burguesia controla um grande aparato de comunicação, e está trabalhando freneticamente para esvaziar politicamente os atos contra Bolsonaro.

Para isso, a direita conta com a colaboração de setores da própria esquerda. A esquerda pequeno-burguesa tem reciclado velhas ideias que já fracassaram como política anteriormente. É o caso da política de que só pode participar de um movimento com suas próprias bandeiras e palavras de ordem quem “construiu” o movimento. E o que significa exatamente “construir”?

Ditadura em miniatura

Não há uma definição precisa do que seja exatamente “construir” – a não ser se estivéssemos tratando da labuta dos operários da Construção Civil, mas não parece ser bem esse o caso. De qualquer forma significa mais ou menos o seguinte: um pequeno grupo se reúne antes das manifestações e decide sozinho regras que toda a manifestação deve seguir. É uma pequena ditadurazinha da esquerda pequeno-burguesa, que ela procura impor enquanto os protestos não ganham determinada dimensão. Nesse momento, essas ditadurazinhas perdem o controle que acreditavam ter sobre o movimento. Em 2013, quem aproveitou a desorientação criada por esse método foi a Rede Globo e o imperialismo.

A “construção” é apenas um pretexto para impedir que as organizações possam levar – livremente e exercendo seu direito de expressão – suas bandeiras e palavras de ordem. Além disso, é um pretexto para dar o golpe nos incautos que ficam esperando até o dia do juízo final pelo momento em que uma mobilização estará tão perfeitamente “construída” que só aí seria possível realizar uma manifestação realmente combativa. Esse golpe é muito comum nas universidades e nos sindicatos, quando os partidos da esquerda pequeno-burguesa usam esse pretexto da “construção” para postergar todas as lutas.

Neste momento das mobilizações, esse tipo de confusão política pode ser aproveitada pela direita. Já há uma ampla discussão no interior da burguesia de como substituir Bolsonaro. Para isso, os atos da esquerda podem inclusive ser usados a favor dessa direita, desde que a direita consiga despolitizar as manifestações até torná-las inócuas. É para isso que serve o combate a palavras de ordem de amplos setores das massas como “liberdade para Lula!”. É aí que entra em cena o pretexto de barrar as palavras de ordem de quem supostamente não “construiu” o movimento. É preciso combater energicamente esse tipo de confusão política, que serve aos inimigos da classe trabalhadora nesse momento crucial da luta política.