Constituinte de Piñera
O nova constituinte de Piñera apresenta um acordo da burguesia para conter a mobilização popular no Chile; enquanto toda euforia da esquerda revela uma profunda desorientação
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A população ainda sente as bombas lançadas no golpe com o governo Piñera | Foto: Bombardeio ao Palácio de La Moneda, autor desconhecido (1973)

No último domingo (25/10), o Chile passou por um plebiscito para iniciar um novo processo constituinte. O plebiscito foi aprovado com os ânimos tanto da direita quanto da esquerda a flor da pele, principalmente no que refere à America Latina. Jornais do imperialismo mundial, como o espanhol El País, também aplaudiram e referendaram a constituinte “democrática” de Piñera. Basicamente a nova constituição chinela, que ainda está sendo desenhada pela burguesia totalmente lacaia do imperialismo desse país, está sendo vendida como uma vitória das mobilizações de massa que ocorreram no ano passado. Sendo que passa longe disso. Essa constituinte não passa de um amplo acordo entre o imperialismo, a burguesia nacional, toda direita e a esquerda mais cooptada ao regime para salvaguardar o neoliberalismo vigente ainda no país, legado por Pinochet e seu regime de terror sobre a população.  

 

Um país marcado por um prolongado regime de terror (1973-1990) 

 

Diante de uma enorme polarização política, o governo legítimo de Salvador Allende foi derrubado por um golpe de Estado liderado pela alta cúpula das forças armadas no dia 11 de setembro de 1973. O golpe resultou em uma das mais brutais ditaduras impostas sobre os povos latino-americanos. Uma das imagens mais marcantes na memória histórica chinela é o bombardeio ao Palácio de La Moneda, onde se encontrava basicamente exilado Allende com algumas figuras de seu  governo. Diversos caças sobrevoaram Santiago e miraram suas bombas sobre a cabeça do presidente, que acabou por suicidar-se em meio aos disparos de fuzis, tanques e aviões. A junta militar que assumiu após o golpe militar foi liderada pelo general Augusto Pinochet. 

Segundo os dados oficiais, muito conservadores, o regime de terror imposto no Chile teve 3 mil mortos e milhares de torturados pela ditadura e seus carrascos. Basicamente, o motivo do golpe foi abortar a crescente mobilização dos operários, trabalhadores e camponeses e adotar na mais brutal opressão um regime econômico da “política de choque econômico”, o neoliberalismo. A ditadura que marcou com sangue os anos de 1973-1990 teve o objetivo principal de adotar o “neoliberalismo” no país vizinho. O Chile comandado por Pinochet, além de ser um terrorismo de Estado, é conhecido por ser o laboratório da política neoliberal adotada em todo o Mundo nos anos seguintes.  

A mistura de repressão brutal, privatizações em massa e uma retirada de direitos trabalhistas massiva é o que se perdura até hoje, com as modificações paleativas de modificação do regime político. 

 

1988: a saída “pacífica” da ditadura, uma derrota do povo chinelo 

 

Durante os anos de chumbo, cresceu a revolta do regime militar e a ditadura de Pinochet se encontrava em um beco sem saída. Em 1988 foi realizado um pacto nacional para dissolver a ditadura e adequar o regime político, que estava se formando com a crise do pinochetismo, em outro de caráter “democrático”. Foi adapatado a um regime de presidencialismo com a presença de figuras de opocisão de direita que apoiaram ou capitularam diante o golpe de 1973. O resultado do regime político vigente até 2019, quando houve um ascenso das massas, foi justamente uma adaptação do que estava antes para uma nova situação. Cederam-se os anéis para não perderem os dedos, e o regime continuou sobre o domínio da burguesia que apoiou Pinochet e até mesmo com a presença de setores da esquerda no governo, sem que se alterasse aspectos fundamentais do regime e da própria constituição. Esse é o resultado da “saída pacífica”, as peças no tabuleiro são modificadas pela direita e pelos golpistas, com uma ínfima participação da população.

Depois de governos da esquerda burguesa e pró-imperialista, o neoliberalismo deixou de ter a cara de uma junta militar, para ter uma feição mais próxima de um Piñera.

 

2019: um ano de ascenso e refluxo da mobilização no Chile

 

No ano passado pudemos ver um ascenso da mobilização popular no Chile, que ocorreram paralelamente com o Equador. A mobilização estremeceu todo subcontinente. O Chile se viu em um ascenso das massas oprimidas que saíam às ruas todos os dias com duas reinvindicações complementares e necessários para as massas oprimidas que sofriam há décadas com o regime econômico vigente, e ainda sofrem: Fora Piñera, por um nova constituinte soberana e popular. Uma palavra de ordem que ficava difusa em meio a mobilização, que se apresentava de forma muito desorganizada e espontânea, mas que era unânime em meio a massa de pessoas que saíram às ruas no objetivo de derrubar o governo e desmantelar o regime político.  

Toda mobilização começou após um levante de estudantes que reivindicavam o direito de se transportar em Santiago, já que eram praticamente proibidos por um aumento súbito e arbitrário na passagem de metrô, impostos pelas grandes empresas que controlam o transporte público no Chile; que é todo privatizado desde a era Pinochet.  

Rapidamente essa mobilização se tornaram em mobilizações de massas e ganharam um cárter político, tendo uma brutal repressão como resposta. Diversos de civis foram mortos e mutilados pela polícia chinela, mulheres foram violentadas e pessoas desapareciam. Uma verdadeira ditadura. Um dos problemas da mobilização que não permitiram que ela se aprofundasse com reinvindicações mais amplas foi justamente a falta de uma direção política, já que umas das heranças da ditadura militar foi a dissolução de toda direção revolucionária anterior, restando apenas uma esquerda muito moderada que nunca apoiou as palavras de ordem vigentes nas mobilizações, que era a derrubada do governo herança do pinochetismo. 

 

Com Piñera, com tudo: a constituinte tenta estrangular a mobilização 

 

A mobilização, por falta de uma orientação clara e de uma direção política, refluiu em questão de meses com a alta repressão investida contra os manifestantes. Os atos começaram a ser restritos a grupos anarquistas e minoritários, comparados com o que se viu em 2019 eram quase uma memória pálida do que se foi. Com isso, se apagou o Fora Piñera e a proposta rejeitada durante o ascenso da mobilização (uma constituinte “nova”, com Piñera) começou a ser aceito como uma saída para situação através de uma campanha da burguesia. A existência de uma enorme propaganda na imprensa burguesa a favor dessa constituinte com Piñera, mostra o acordo de amplos setores com a burguesia com o objetivo de conter a crise e estrangular as mobilizações. Mobilizações essas que estavam se reerguendo em reação a repressão policial, vista no caso do menino que foi jogado de uma ponte pela polícia do regime. 

Diferente da Bolívia, onde o acordo gerou um governo de frente popular, uma coalizão da direita que representa a burguesia e da esquerda que representa os trabalhadores; no Chile, o acordo foi ainda mais direitista. Pois acabou em uma constituição feita por um verdadeiro ditador, que é o atual presidente chinelo.

Esse caso também mostra a completa desorientação que está coloca a esquerda tanto chinela, como latino-americana como também toda esquerda mundial que está aplaudindo a constituinte do mesmo sujeito que justificou os estupros coletivos da polícia tendo como pretexto as roupas que as vítimas usavam. É um acordo que  seria impossível no ano passado – em meio à mobilização combativa- e que mantém a ditadura. Essa constituinte de Piñera não passa de uma manobra para estabilizar o regime e fazer sumir por completo a mobilização. É uma forma de manter o neoliberalismo no Chile, diante do que é necessário impulsionar uma nova mobilização que vise tirar a constituinte das mãos de Piñera, derrubando-o! 

 

 

 

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