whatsapp-image-2019-05-03-at-17.35.321

Disse o então juiz Sérgio Moro em uma palestra que proferiu em março de 2016: “Vamos colocar uma coisa muito clara, que se ouve muito por aí que a estratégia de investigação do juiz Moro. Eu não tenho estratégia de investigação nenhuma. Quem investiga ou quem decide o que vai fazer e tal é o Ministério Público e a Polícia Federal. O juiz é reativo. A gente fala que o juiz normalmente deve cultivar essas virtudes passivas. E eu até me irrito às vezes, vejo crítica um pouco infundada ao meu trabalho, dizendo que sou juiz investigador”.

Lula já pode descansar. Lula disse nas entrevistas que deu recentemente, de dentro da sua prisão na sede da Polícia Federal, em Curitiba, que não descansaria enquanto não provasse que o Moro é mentiroso.

Desde o último domingo, o sítio The Intercept Brasil, liderado pelo jornalista norte-americano e residente no Rio de Janeiro, Glenn Greenwald, demonstrou que Moro e o procurador Dallagnol eram uma dupla de acusação. Moro sugeria, cobrava resultados, interferia completamente nas investigações. Chegava ao ponto de reclamar, como se fosse superior hierárquico, que já fazia um mês que a força-tarefa não saía às ruas para dar mais nenhum espetáculo para a imprensa.

Tudo o que as pessoas mais antenadas já haviam percebido, agora foi provado pelo vazamento para a opinião pública das trocas de mensagens entre os dois agentes do judiciário, por meio do aplicativo russo Telegram, que é criptografado e imune a “hackeamento”. Representantes do Telegram, inclusive, já desmentiram que tenha havido qualquer invasão das contas de Moro e Dallagnol.

Ou seja, se o Telegram não pode ser bisbilhotado e uma fonte anônima procurou o Greenwald para entregar um volume de diálogos altamente comprometedores da equipe da Lava Jato, a fonte dos vazamentos é interna o que mostra que há uma enorme crise interna nos próprios golpistas.

Segundo Greenwald, o escândalo todo que a série de quatro (aqui, aqui, aqui e aqui) matérias do Intercept provocou desde domingo, ainda é fichinha. Apenas 1% do material entregue pelo denunciante anônimo rendeu as 1.700 páginas de textos que foram transformadas nas quatro reportagem. O resto do material será divulgado em outros 99 lotes, e contém diálogos de outras pessoas da equipe da Lava Jato e sobre os delatores que passaram anos nas masmorras da capital do Paraná.

Não está descartada a possibilidade de existirem transcrições de diálogos de integrantes de outras instâncias do judiciário e de policiais federais.

Fica escancarado que houve um conluio de três instâncias do Judiciário, além de procuradores federais e da Procuradoria Geral da União, para inflar o golpe e fechar os olhos à derrubada de Dilma e do PT do governo e impedir que Lula se candidatasse e o reconquistasse. Não é nada que quem acompanha a imprensa da Causa Operária já não soubesse. Mas agora está documentado e os coxinhas estão tendo de tomar conhecimento também. Ficou feio, no mundo inteiro. Greenwald tem prestígio internacional.

As três condenações de Lula devem ser imediatamente anuladas e todos os outros processos ainda em julgamento ficam comprometidos. Fica claramente demonstrado que Lula não teve a menor chance de defesa e continuará a não ter. A Lava Jato foi montada e existe para isso: manter o Lula longe da vida política nacional. As próximas revelações deverão botar fogo no Brasil.

Até agora, alguns órgãos da imprensa golpista e os próprios envolvidos nos diálogos divulgados, apenas partiram para o contra-ataque tentando desqualificar o jornalista e os meios de obtenção das informações. Os bolsominions e devotos do Moro até despejaram nas redes sociais uma enxurrada de impropérios e ataques morais à vida pessoal do jornalista, mas ninguém contestou a veracidade do conteúdo.

Greenwald e seu parceiro, também jornalista, David Miranda, deputado federal pelo PSOL, vivem juntos no Rio de Janeiro e adotaram, em 2017, dois filhos alagoanos, de Maceió.

Segundo o sítio The Intercept Brasil, os textos publicados desde domingo foram produzidos “a partir de arquivos enormes e inéditos – incluindo mensagens privadas, gravações em áudio, vídeos, fotos, documentos judiciais e outros itens – enviados por uma fonte anônima, que revelam comportamentos antiéticos e transgressões que o Brasil e o mundo têm o direito de conhecer”.

De acordo com Greenwald, todo o conteúdo entregue pela fonte anônima foi previamente, por precaução, copiado e distribuído para serem arquivados em vários países, antes que alguma “autoridade” brasileira o confiscasse ou impedisse sua publicação.

Vale lembrar que Greenwald não é novo no ramo. Ele é ganhador do Prêmio Pulitzer em 2014, pelas reportagens com Edward Snowden, no ano anterior, que denunciou a espionagem do serviço secreto norte-americano aos emails e celulares da presidenta Dilma, da Petrobrás, do Ministério das Minas e Energia, da então presidenta da Argentina, Cristina Kirshner, do presidente da Bolívia, Evo Morales, da primeira-ministra da Alemanha, Angela Merkel e todos os outros cidadãos do mundo que têm celulares ou computadores. O assunto rendeu até um filme, intitulado “Snowden”.

Entretanto, ele diz que este material de denúncia sobre a Lava Jato que caiu no colo dele é muitas vezes maior do que o que ele tinha sobre o Snowden. Quem viver, verá.

Todo mundo aprovou a condenação de Lula, que hoje se revela uma fraude, as três instâncias atuaram juntas para condenar Lula de forma totalmente ilegal.