Maranhão
“A questão da Frente Ampla no Brasil é uma coisa bizarra.” Thiago Martins
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Thiago Martins, candidato a prefeito de São Luís pelo PCO | Foto: Reprodução

O Partido da Causa Operária (PCO) está participando das eleições municipais em 20 capitais estaduais, o que faz dele o terceiro em número de candidaturas nas capitais. Em São Luís, o PCO vai participar com Thiago Martins e Antônio Souza.

O DCO entrevistou na noite dessa quarta feira (14/10), por videoconferência, o candidato a prefeito Thiago Martins, a entrevista durou cerca de 25 minutos e seguiu como transcrita abaixo.

DCO: Boa noite Thiago, você pode se apresentar?

Thiago: Boa noite companheiro! Eu sou Thiago Martins Melo, sou artista visual e fui professor universitário. Sou um aliado das causas operárias e dos povos tradicionais do Maranhão.

DCO: Thiago você não é um político profissional, não tem padrinhos políticos poderosos, não tem apoio de empresários, industriais ou fazendeiros. Podemos dizer que sua candidatura é a prova de que vivemos num regime democrático e que todos concorrem com as mesmas chances?

Thiago: Não, de maneira nenhuma. Sabemos que o processo na verdade culmina em uma eleição fraudulenta. A gente sabe que desde a mudança do TSE em 2017, os partidos menores são os que mais sofrem, principalmente os partidos de esquerda. É uma maneira da democracia burguesa evitar que a gente chegue nas grandes discussões. Nós não temos tempo de campanha. Provavelmente muita gente nem vai saber dessa candidatura em São Luís. A gente sabe que as eleições são baseadas em dinheiro. Sempre foi assim no Brasil. E isso não é o que ocorre com um partido operário como é o PCO, onde o dinheiro de grandes empreiteiras e construtoras não é aceito de maneira nenhuma. O nosso sistema eleitoral, é feito dessa maneira. Mas a gente encara isso como uma oportunidade de mostrar que existe um interesse por parte da população por um outro tipo de política, uma política operária, popular, revolucionária, e esse é o momento que a gente tem para falar sobre isso, mesmo que seja uma maneira limitada, já que os meios oficiais não nos permitem que essa mensagem chegue, como deveria chegar.

DCO: Quais os temas que você considera importante debater na atual conjuntura política?

Thiago: Há uma imensa quantidade de temas importantes. A gente está tendo uma crise ambiental neste momento, uma crise econômica, onde não se vê, por exemplo, nenhum projeto para geração de emprego no país. A gente está vendo um processo de uberização do emprego.

Tudo isso faz parte de um grande programa de desmonte do país que é o programa Jair Bolsonaro. É o programa da direita brasileira mesmo, de voltar a um cerceamento democrático no país. O fascismo tem uma coisa engraçada, ele sempre rouba a palavra liberdade, mas é justamente ele quem nos rouba a liberdade. Quando você me pergunta sobre o que é o grande problema nacional, o grande problema nacional é o governo o que aí está. Ele é a causa de tudo.

Outro tema importante diz respeito ao Plano Diretor, os vereadores, os prefeitos estão todos nesse momento, com água na boca, aguardando serem eleitos. É que a gente está desde 2015 com um Plano Diretor emperrado e nesses próximos quatro anos provavelmente será o momento onde esse plano diretor vai sair. O governo federal, através de seu ministro do meio ambiente Salles, retirou a proteção dos manguezais. Entre o Maranhão e o Pará fica um dos maiores manguezais do mundo, que engloba São Luís inclusive. Então, você imagina eventual aumento da ocorrência de prédios como aqueles que têm São Luís, na região da península, que são gigantescos, sem saneamento.

DCO: Em São Luís, assim como em várias capitais, a esquerda está se coligando com partidos golpistas, o que você acha disso?

Thiago: A questão da Frente Ampla no Brasil é uma coisa bizarra, de uma lado temos o fascismo, militarista, direitista, o que há de pior na política, o Bolsonarismo. Do outro lado temos os centrão que faz jogo da elite, tentando escorraçar a esquerda ou trazê-la pro seu balaio como se fossem todos iguais e amigos. Lula agiu acertadamente quando optou por não fazer parte daquela carta que fizeram durante a pandemia, contra o governo Bolsonaro, Lula já está prevendo, Lula não é tolo, ele está vendo toda a arquitetação. É preciso combater diretamente a Lava Jato que é o instrumento dessa direita chegar ao poder, foi a instrumentalização do Estado para um golpe de Estado. Nada disto está essa pauta da frente ampla. A luta é contra o golpe! E na luta contra o golpe não se pode alia-se aos golpistas. Essa é uma política oportunista, sem Lula não tem frente ampla.

DCO: O PCO apresenta um único programa para todas as cidades brasileiras. Porquê? Estas cidades não apresentam problemas diferentes que poderiam ser resolvidos pelas administrações municipais?

Thiago: Eu acredito que esta seja uma falsa polêmica, porque ainda que os problemas das cidades não sejam os mesmos, eles tem muito em comum e estão diretamente ligadas à contradição entre a pobreza da população e riqueza do Estado. O PCO entende que a solução das questões de segurança, transporte público, educação, saúde, dentre outras, só podem ser solucionadas pela mudança do regime político, ou seja, pela interrupção do sistema de exploração de classes. E isso não ocorrerá através de uma eleição municipal. Dizer isso é tentar enganar o povo com falsas promessa. O PCO não faz isso.

DCO: Qual o sentido do PCO concorrer nas eleições se considera que as eleições são controladas pela burguesia?

Thiago: Bom, porque essa é a oportunidade que a gente tem, mesmo que seja a mais fechada, de mostrar que existe uma outra política possível, que a esquerda não necessita está sempre a reboque da direita, como tem acontecido nos últimos anos, que existe uma proposta popular revolucionária. É importante também denunciar a fraude que é o sistema dito democrático, o que de fato, não é. O tempo de TV favorece a perpetuação dos partidos eleitoreiros, é totalmente excludente. Em uma eleição da “democracia” burguesa, é praticamente impossível chegar ao poder com uma proposta popular. Assim, não temos a menor ilusão de que essa eleição ocorrerá em pé de igualdade. Não existe a possibilidade do Thiago prefeito pelo PCO, a gente sabe disso.

A eleição é mais uma oportunidade de divulgar o partido, divulgar as questões de interesse da classe trabalhadora e contrastar com as mentiras e as falácias que são ditas como verdade pelos partidos burgueses.

DCO: O PCO tem a palavra de ordem “Fora Bolsonaro”. Você explicou muito bem o significado disso e porque a luta do PCO pela restauração dos direitos políticos de Lula, Isso tem alguma importância com a essa questão eleitoral de 2022? É possível estabelecer um governo de esquerda, mesmo que moderado, com Lula?

Thiago: Então, eles farão de tudo para que isso não ocorra. Ao contrário da frente ampla, uma frente popular em torno de Lula tem a possibilidade real de reverter o golpe de 2016, pois respeitaria a vontade do povo, que vê em Lula um legítimo representante. Lula é o maior líder de esquerda no mundo e o político mais popular do Brasil. Lutar por Lula é lutar pelos direitos de cada brasileiro, pelo resultado das eleições de 2014 roubada pelo golpe, pela anulação da fraude de 2018. Então, Lula é a chave, é a única figura hoje capaz de derrotar o avanço fascista, eu não vejo uma outra alternativa para esse país.

DCO: Eu quero agradecer e desejar boa sorte em travar esse debate, você é uma pessoa muito esclarecida. Por favor faça suas considerações finais.

Thiago: “Estou aqui, na verdade numa missão do partido, os dirigentes pediram a minha cooperação para estar aqui. É uma campanha do partido, não é personalizado, a gente está aqui para falar da multiplicidade do povo brasileiro. Então, agradeço a oportunidade de poder discutir essas questões, deixando claro o que realmente importa é o número 29, o partido, é o PCO que está ali e a figura de qualquer candidatura que você veja é na verdade o PCO. E lógico, sabemos que não estamos na disputa, pois o sistema não permite, ele já não permite na entrada. A gente não tem a menor ilusão disso, mas acreditamos que muita gente vai ter acesso a essa discussão e que podemos fortalecer o partido no Maranhão. Muita gente já está de saco cheio dessa inação da esquerda brasileira com relação ao Bolsonaro, achando que deixando Bolsonaro, deixando o fascismo, a crise vai se resolver por si só. Isso não vai acontecer. Ou é na rua, ou é com o povo, ou não é. Mudança real só é possível com o povo na rua. É isso aí.”

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