A luta do negro e a literatura
Os escritores negros da literatura brasileira são historicamente marginalizados, isso é uma consequência direta da luta de classes
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Machado de Assis, fundador da Academia Brasileira de Letras | Reprodução

Os escritores negros da literatura brasileira são historicamente marginalizados, isso é uma consequência direta da luta de classes. Apesar de suas obras ocuparem lugar de extrema importância no acervo literário nacional e internacional, as personalidades negras do país acabam passando desapercebidos do conjunto da população e não sendo mais que simples nomes. Mesmos sendo autores bastantes populares, suas origens e os problemas gerais da população negra, bem como a contribuição do povo negro para literatura são ocultados. 

Machado de Assis, que em reprodução de sua imagem não se pode distinguir sua cor negra, é considerado por muitos críticos, estudiosos, escritores e leitores não somente o maior nome da literatura nacional como também o maior escritor negro da literatura mundial. Joaquim Maria Machado de Assis é um dos fundadores da Academia Brasileira de Letras, entre suas principais obras estão Memórias Póstumas de Brás Cubas e Dom Casmurro, as quais são frequentemente abordadas nos vestibulares de todo país. 

Há muitos outros escritores negros de grande importância como Lima Barreto, que também em reprodução de sua imagem não se distingue a cor negra, autor de Triste Fim de Policarpo Quaresma, sendo filho de escrava, denunciou em suas obras o racismo, as condições desumanas de vida do povo negro e o militarismo. Afonso Henriques de Lima Barreto (1881-1922) teve grande parte de suas obras publicadas e tornadas conhecidas por esforço de pesquisadores como Francisco Assis Barbosa. 

Dentre as escritoras está Carolina Maria de Jesus, mulher negra e mãe de três filhos, teve a vida marcada pela pobreza e violência, nascida em 14 de março de 1914, saiu de Minas Gerais para viver na Favela do Canindé da capital paulista em 1947. Filha de pais analfabetos, se tornou amante da leitura e publicou sua primeira e principal obra Quarto de Despejo: Diário de uma favelada em 1960, que vendeu 10 mil exemplares em apenas uma semana, além ter sido traduzida para quatorze línguas estrangeiras. 

O anonimato desses e de muitos outros grandes autores da literatura brasileira só pode ser superado com a luta do povo negro e dos explorados contra a burguesia. De nada adianta esperar que a burguesia e suas instituições racistas resolvam essa questão histórica. É preciso que o movimento de negros defenda a contribuição cultural de seu povo e a identidade dos seus grandes escritores por meio de uma imprensa própria.

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