Eleições 2020
Militante do PCO desde 2018, Vinícius expressa a polarização percebida também nas regiões onde o controle do latifúndio é maior
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Mobilização do PCO e de trabalhadores rurais. Radicalização cresce no interior | Foto: Arquivo/DCO

Com 35 anos, natural de Goiânia, capital de Goiás, Vinícius Gomes é o candidato do PCO às eleições municipais de sua cidade. Formado em História, Vinícius conta que conheceu o PCO em 2008, através do jornal Causa Operária que à época, era comprado em bancas.

Então estudante de História, o militante conta que chamou-lhe atenção a inserção do Partido junto aos Correios e também com o movimento estudantil: “lia no jornal sobre a luta pelo poder estudantil, a crítica à burocracia acadêmica.”

A militância, contudo, começou 10 anos depois, em agosto de 2018, antes das eleições para presidente e governador, em plena luta contra o golpe e pela liberdade de Lula. A evolução de simpatizante para militante aconteceu com a crise das instituições. Em entrevista ao Diário Causa Operária, Vinícius destaca ainda os problemas da burocracia e da esquerda nas eleições.

“À crítica da burocracia universitária, que eu conhecia da época do movimento estudantil, somou-se minha concordância com as teorias do Partido a respeito do Programa de Transição e da Revolução Permanente, como caminho para avançar a construção do socialismo.”

Atualmente funcionário na área administrativa de um CMEI (Centro Municipal de Educação Infantil), o militante destaca a força da política defendida pelo Partido, percebida nas assembleias de sua categoria, onde muitos militantes do PT, demonstram sua simpatia com política em defesa do “Lula Livre” e por “Fora Bolsonaro”, participando dos comitês da área em Goiânia.

A exemplo dos setores da pequena burguesia mais próximas do proletariado, sua categoria vem enfrentando também diversas ameaças, que cresceram durante a pandemia:

“Retomamos os trabalhos presenciais, em plena pandemia, duas vezes por semana somos obrigados a ir às escolas para não fazer nada, como dizemos, ‘recebendo mosca na testa’. Nos grupos já aparecem companheiros do administrativo reportando contágio pelo Covid-19 e nem os testes a prefeitura garante aos profissionais. Ainda, logo no começo da pandemia, a prefeitura suspendeu os salários de 3 mil contratos temporários, afetando principalmente a Educação. O sindicato praticamente fechou as portas, limitando-se ao atendimento on line e continuam na política do ‘fique em casa’”

Uma situação que coloca a categoria em acentuada radicalização, que deve ser estimulada pela política que o Partido vem apresentando nas eleições, enfatizando a importância da estatização dos serviços essenciais e estratégicos e defendendo a ascensão política da classe trabalhadora, através de conselhos e da superação do sindicalismo burocrático.

Para Vinícius, “esses são os motivos que me levam a construir, junto aos companheiros do Partido, caminhos mais à esquerda do que o do restante das organizações (de esquerda), que adotam um comportamento profundamente centrista.”

O candidato lembra também que o PCO é o único partido a apresentar um programa revolucionário, diferentemente dos partidos pequeno-burgueses da esquerda que “não tem uma perspectiva de luta e transformação social permanente.”

Naturalmente, a situação política de Goiás deve ser lembrada durante a candidatura. Historicamente governado pela oligarquia latifundiária, Goiás tem no poder um dos maiores representantes políticos desse setor no País: o governador Ronaldo Caiado. Sobre o coronel, Vinícius lembra:

“A família dele passou a dominar a política do Estado ainda na primeira década do século 20, então é uma oligarquia dominante há mais de 110 anos. É uma família de latifundiários que controla o aparelho do Estado e Caiado representa a atualização do coronelismo em nossa época, uma figura muito comum aqui, no MT e no MS, um fazendeiro com milícias que expulsa as famílias camponesas ao redor de suas terras. Aparecendo como ‘científico’, Caiado ‘rompeu’ com Bolsonaro no começo da pandemia, chegando a aparecer em uma manifestação bolsonarista para, de modo um tanto teatral, acabar com a mesma, dizendo que não precisava de votos da extrema-direita. O rompimento deu lugar uma profunda guinada, com a reabertura praticamente total das atividades econômicas e uma reconciliação com Bolsonaro, dizendo agora que este é o governo que mais investiu em Goiás.

Embora o controle do setor mais atrasado da burguesia, o latifúndio, seja especialmente mais forte na maior capital do Centro-Oeste, a caracterização dada por Vinícius sobre a simpatia de sua categoria pela política do PCO, aliado às manobras do mais notório inimigo dos trabalhadores rurais e dos movimentos camponeses, Caiado, são ilustrativos de uma crise estrutural que empurra a classe trabalhadora cada vez mais à esquerda.

Seja nos grandes centros industriais do Sudeste, ou nas regiões dominadas pelo latifúndio no interior do País, o desenvolvimento da crise capitalista impõe ataques cada vez mais severos à população. Esta situação deve ser esclarecida com a política do Partido, de modo a superar as confusões a que estão submetidos os trabalhadores.

E justamente para isso, que os candidatos do PCO usarão as eleições como trampolim para impulsionar o desenvolvimento da luta de classes, em Goiânia, onde contarão com o companheiro Vinícius, e em todas as 20 capitais e demais cidades de Norte a Sul do País, onde a política de mobilização popular será defendida, mesmo contra a mobilização da burocracia feita pela burguesia. Por Fora Bolsonaro, pela frente única dos trabalhadores com Lula presidente e por novas eleições gerais.

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