Entrevista
“Somos perseguidos políticos, o recurso está no TSE agora, mesmo assim estamos fazendo a campanha, fazendo colagens, conversando com a população, etc”
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Lourdes, Melo candidata à prefeita de Teresina pelo PCO | Foto: Reprodução

A companheira Lourdes Melo, professora da rede estadual de educação e candidata à prefeita de Teresina pelo PCO foi entrevistada pelo Diário da Causa Operária no dia 29/10. Confira a entrevista na íntegra:

Quais são os principais problemas dos piauienses?

Eu acho que os principais problemas são os mesmos problemas da classe trabalhadora em geral, acredito que em quase todos os lugares são os mesmos, a questão do desemprego, falta de moradia, salários muito baixos, saúde pública, e no momento a questão da educação. As escolas estão paradas, mas quando estavam ativas não consistiam uma educação de qualidade, não há instituições de nível superior para todos, ou seja, educação também é um dos problemas. O Piauí é considerado um dos estados mais pobres do Brasil, as vezes varia, uma hora é o Maranhão outra é o Piauí e Teresina especificamente, o povo passa por muita dificuldade.

Você trabalha na educação?

Eu sou professora da rede estadual e trabalho com ensino fundamental e médio, os professores estão parados agora por conta do Covid-19. As aulas remotas não funcionam para todos, a secretaria tentou impor mas não foi aceita pelos próprios estudantes. Teresina e o Piauí ficaram em pesquisas nacionais sobre as aulas remota em último lugar, com 8% apenas das escolas funcionando segundo os dados que apareceram na imprensa. Agora o governo impôs uma volta presencial, para o 3o ano e para quem está fazendo o pré-vestibular, mas mesmo assim não há uma aceitação, em muitas escolas a frequência é muito baixa.

Como resolver os problemas dos piauienses?

Pois então, o que a gente vê é uma paralisia nessa conjuntura atual, principalmente de quem participa das organizações de trabalhadores. Aqui nós temos um governador que é do PT, e a gente vê também que a CUT, os sindicatos, o meu sindicato dos professores, parecem que ficaram satisfeitos com a pandemia, porque agora só fazem lives. Não estão tendo preocupação com a luta, estão envaidecidos, preocupados só com eleição. A única categoria que está em luta é a dos motoristas, que nós apoiamos, eles estão enfrentando os empresários de ônibus.

Como fazer? Na prática temos que sair dessa paralisia e resolver o problema maior, destituir o governo Bolsonaro. Ele é o grande problema que vem congelando recursos, aumentando o desemprego, deixando população desamparada, contudo não existe um chamamento da CUT para a luta, não existe política de convocar os desempregados a lutar contra o desemprego, e ainda há uma ameaça de Bolsonaro de acabar com o auxílio emergencial. Portanto há risco de ficar ainda pior.

Mesmo assim não há luta, só a dos motoristas, os condutores fizeram greve, antes disso eles tiveram demissões porque a frota foi reduzida, motoristas, cobradores, trabalhadores das oficinas etc. foram demitidos e tiveram o salário reduzido. Agora estão trabalhando e recebendo por hora para não receber o tíquete alimentação que lhes foi cortado e também foi cortado o plano de saúde. Em acordo do sindicato com a justiça estadual os trabalhadores conquistaram os direitos, contudo os empresários recorreram à justiça federal e retiraram os direitos novamente. A greve retornou ontem (28) e o prefeito, para furar a greve, contratou ônibus de turismo e vans pois a greve está muito combativa com a cidade toda paralisada, o que também é perigoso para os moradores pois não são transportes seguros.

Como está sua candidatura frente à perseguição feita pelo TSE?

Aqui nossas candidaturas, minha, de minha vice e de nosso vereador que é um candidato operário foram todas cassadas. Primeiro pelo cartório eleitoral, depois nossa assessoria jurídica recorreu e mesmo assim nos perseguiram de novo, somos perseguidos políticos, o recurso está no TSE agora. Mesmo assim estamos fazendo a campanha, fazendo colagens, conversando com a população, etc. Mas a perseguição atrapalha, pessoas perguntam se somos de fato candidatos e temos que explicar nossa situação, mas iremos continuar fazendo nossa campanha até o fim.

Como tem sido a campanha da esquerda em geral?

Aqui são 13 candidatos numa cidade de 800 mil pessoas, 3 candidatos estão mais na frente e são todos bolsonaristas, PMDB, PSDB e outro. Além desses há os outros laranjas que irão se juntar no segundo turno. Na esquerda há o PSOL, PSTU e UP e não há diferença na campanha deles, fazem promessas, dizem que construirão praças etc. O PSOL faz a campanha do “bem viver”, pra eles né (risos). Não há diferença, eles fazem promessas e fazem o povo acreditar nas eleições. O nosso problema é que nós não participamos mais da televisão, do horário gratuito, além disso a TV antigamente perguntava todo o dia sobre nossas agendas, isso era algo que dava visibilidade, e agora pararam. E também após as candidaturas terem sido indeferidas toda a imprensa parou de nos convidar, só nos resta nossa página online do partido. Nós também temos contatos de jornalistas de sindicatos e outras organizações de esquerda, hoje mesmo fizemos panfletagem no Parque Piauí e no centro da cidade, depois participamos da reunião da Frente Brasil Popular em defesa da manutenção do auxilio emergencial.

Como está a organização do PCO no Estado?

Somos poucos, apenas quatro militantes, por isso esta campanha esta sendo muito pesada para distribuir material mas mesmo assim está dando certo. O que precisamos contar é que aqui em Teresina como no Piauí em geral temos os currais eleitorais da burguesia, os partidos de direita e oligarcas têm muito dinheiro para fazer as campanhas, muitas pessoas são pagas. Isso é a cidade toda, ela está cheia de pessoas recebendo muito pouco, 30 reais por dia, para fazer a panfletagem dos candidatos deles, além da divulgação na televisão, que nós não temos, assim eles garantem mais visibilidade nessa campanha da burguesia.

Por mais que a justiça eleitoral crie impedimentos (não pode colar cartaz, não pode colocar outdoor, não pode fazer comício, etc.), todos estão nas ruas fazendo a campanha mesmo assim. Os partidos da burguesia também compram votos, essa compra é escancarada, todos sabem, chega até a ter uma cotação, teve uma época que o voto era 50 reais, ficavam nas esquinas entregando o dinheiro da eleição. Agora o preço é o contrato de trabalho dos terceirizados, as pessoas que conseguem emprego se sentem obrigadas a votar. Nós que somos sindicalistas, da nossa oposição (Educadores em Luta), quando falamos com os terceirizados eles abaixam a cabeça, assumem uma postura submissa, estão sempre em risco de perder o emprego.

Hoje estive panfletando no centro da cidade, conversando com a população nas filas dos bancos, eles veem nossos panfletos e dá pra perceber que eles têm a necessidade de desenvolver os debates sobre o que é o governo operário e o comunismo. As escolas não discutem política, a escola sem partido não existe só de agora, o professor já era limitado a dar aula antes, o marxismo já não podia ser discutido nas escolas.

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