Conheça histórias de mulheres torturadas e assassinadas pela ditadura militar fascista

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Aurora Nascimento Furtado

As instruções de Bolsonaro e militares para que houvesse comemorações do golpe de 64 no último dia 31 causaram numerosas reações contrárias por parte do povo e trouxeram à tona as memórias daqueles anos terríveis. As histórias dos horrendos casos de perseguição e tortura foram exaustivamente compartilhadas nas redes sociais como forma de relembrar o que realmente aconteceu nos porões das delegacias comandados por figuras como Brilhante Ustra, herói de Bolsonaro.

Rose Nogueira

Dos numerosos depoimentos prestados nas Comissões da Verdade, chamam à atenção os das mulheres presas pela ditadura, mesmo grávidas ou com filhos pequenos, que não tiveram seus tratamentos aliviados de forma alguma, sofrendo mais ainda com torturas características como abusos sexuais e estupros intermináveis.

 

Espancamentos eram práticas corriqueiras, até mesmo das grávidas ou das mulheres que tinham acabado de parir, inclusive impedidas de amamentar os próprios recém-nascidos. Nos depoimentos de Rose Nogueira e Suely Caldas constam que recebiam injeções para secar o leite materno: “Eu estava na Polícia do Exército e fui atendida pelo médico Amilcar Lobo. Eu tinha acabado de ter filho quando fui presa e estava amamentando. Meu seio estava cheio de leite. Ele foi chamado para me atender e me deu uma injeção para secar o meu seio, para eu não amamentar meu bebê, ao meu lado”, conta Suely.

Sônia de Moraes Angel

Humilhadas e abandonadas nas celas sem a menor condição de higiene pessoal com insetos e ratos, sendo esquecidas por dias sem banho e sofrendo de infecções, essas mulheres ainda passavam por terríveis torturas psicológicas com ameaças de violência contra seus filhos e simulações de fuzilamentos delas próprias e de familiares. Relembra Rose: “Eles usaram um bebê para me coagir. Por duas vezes, levaram meu filho ao DOPs e ameaçaram queimá-lo vivo caso não os ajudasse a localizar meus companheiros, mas eu não sabia onde eles estavam…”.

Ofensas, abusos, choques elétricos, queimaduras e afogamentos, as mulheres sofriam as piores torturas por parte dos militares. As sessões eram tão brutais que muitas não resistiram, como Sônia de Moraes Angel, estuprada com um cassetete, Aurora Nascimento Furtado, que teve o crânio esmagado com fita de aço.

Os meses e até anos que as vítimas permaneceram sob a guarda da ditadura deixaram sequelas físicas e psicológicas que elas e seus familiares carregarão pelo resto de suas vidas. Os depoimentos precisam ser relembrados para ficar claro que qualquer um corria o risco de ser submetido a esses absurdos sádicos, e para explicitar o terror que pairava sob os cidadãos, principalmente os dos setores mais fragilizados da sociedade.

Por isso, as mulheres devem se organizar imediatamente, lutando por suas reivindicações concretas. Na ordem do dia está a luta contra os fascistas, que querem repetir os horrores cometidos contra as mulheres brasileiras durante a ditadura militar, defendidos pelos mesmos que se dizem “homens e mulheres de família”, “pessoas de bem”. As mulheres devem imediatamente organizar comitês de autodefesa para demonstrar aos fascistas que, unidas entre elas e junto à classe trabalhadora, elas são capazes não apenas de enfrentar mas também de esmagar a besta fascista representada pelo bolsonarismo, instrumento do Estado burguês para dizimar o movimento das mulheres trabalhadoras.