Congresso do Sinpeem: a burocracia no caminho da luta contra a direita e a ditadura

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Realizado de 16 a 19 de outubro, o Congresso do Sindicato dos Profissionais em Educação no Ensino Municipal (Sinpeem), de São Paulo, se deu em meio ao avanço do golpe de Estado, quando a extrema direita levanta a cabeça e agride, agride e mata militantes ligados às lutas populares e dos trabalhadores e ameaça com uma nova ditadura militar.

O encontro reuniu cerca de 4 mil servidores públicos da educação municipal e poderia se constituir num grande fórum de debates sobre a situação e a posição dos educadores diante dela. No entanto, a dinâmica do Congresso estimulou a dispersão e a generalidade de discussões alheias à gravidade da situação, na qual se intensifica a ação dos setores golpistas que querem destruir as conquistas dos trabalhadores dos últimos 80 anos e impor uma ditadura militar para reprimir a reação dos trabalhadores contra essa ofensiva.

A dinâmica imposta ao evento estabeleceu apenas 7 horas, de um total de 32, para as plenárias de debates, que foram totalmente prejudicadas, com inúmeras temáticas que sequer foram abordadas como política e conjuntura nacional, municipal e outras que não chegaram a ter nem 20% do seu conteúdo discutido como questões educacionais e funcionais. Ao longo dos quatro dias, foram reservados quatro meios períodos às mesas com temas diversos. Nelas os palestrantes, que em sua maioria nada tinham a ver com as lutas da categoria, falaram durante até três horas sobre temas que em nada se interligavam com as lutas necessárias na atualidade, o debate era restrito para os congressistas, que apelidaram essas atividades de “mesas de desinteresse”.

Essa dinâmica foi estabelecida pela burocracia dirigente da entidade que reúne o grupo do presidente Claudio Fonseca, do PPS – partido que ajudou a eleger o ex-prefeito João Dória, inimigo dos professores e do ensino público -, e outros da esquerda pequeno burguesa como o PSOL, o PSTU e seus satélites.

Em relação à situação política, a “discussão” ficou dominada pela perspectiva colocada pela esquerda pequena burguesa, do PSOL ao PT e até o minúsculo PSTU, que apresentaram como caminho fundamental ou único para a “luta contra o fascismo”  o das fraudulentas urnas eletrônicas.

A plenárias de debates ficaram restritas a dois intervalos. Uma ocorreu na manhã de quarta (dia 17), na qual a discussão se centrou  em temas educacionais sem conexão com os ataques reais que estão colocados pelo avanço da direita.

A plenária final, na quinta-feira (dia 18), estava destinada ao plano de lutas, que deveria ser o ponto central do Congresso. No entanto, nenhum plano de mobilização foi – de fato – aprovado.

Após mais de duas horas de debate, o presidente do Sindicato encerrou os debates, sem nenhuma proposta de mobilização ser aprovada. Para isso, fizeram do debate sobre o plano de lutas, uma discussão à respeito de emendas sobre questões trabalhistas específicas, destacando-se a discussão sobre questões semânticas, como o uso de determinados verbos, enquanto o tempo necessário para debates centrais da luta da categoria se esvaia.

A corrente de Educadores contra o golpe, com companheiros do PCO e da Liga Proletária Marxista, que intervieram na plenária de abertura, denunciando o golpe, a fraude nas eleições contra Lula e a necessidade imperiosa da mobilização dos trabalhadores para derrotar o golpe e a ditadura militar que se avizinha, não tiveram, sequer, as suas propostas de lutas apresentadas à mesa, lidas e colocadas em debate.

Assim o maior Congresso de uma categoria municipal de todo o País terminou sem a organização de uma mobilização necessária para derrotar o golpe, mostrando o abismo existente entre a evolução à esquerda da categoria e a política conservadora das diversas alas da burocracia sindical, quando a Educação é um dos principais alvos dos ataques da direita.

Essa situação reforça a necessidade da organização, a partir dos locais de trabalho, de um movimento de luta, que se organize em comitês de luta contra o golpe, que fortaleça uma oposição classista, com uma imprensa regular, independente das burocracias sindicais e da esquerda pequeno burguesa.