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Luiz Inácio Lula da Silva
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Aconteceu no dia 12 de Maio em Goiânia uma reunião ampliada para reunir representantes
de movimentos populares, partidos de esquerda e centrais sindicais a fim de organizar nos
municípios e regiões de Goiás o Congresso do Povo. Esteve na abertura de Análise de
Conjuntura, o ex-ministro da Dilma, Gilberto Carvalho, e a Deputada Estadual do PCdoB,
Isaura Lemos.

A deputada do PCdoB defendeu um “programa mínimo comum”, uma “frente (eleitoral)
ampla” e o candidato-abutre Ciro Gomes como “alternativa” para a esquerda. Fica evidente
que a posição do PCdoB para o Congresso do Povo é apoiar a construção de uma
plataforma de propostas eleitorais na tentativa de manobrar com a base do PT, buscando
assim, enterrar a candidatura de Lula em favor do militante tucano Ciro Gomes.

No entanto, Gilberto Carvalho rebateu dizendo que o “abandono da candidatura Lula” parte
da direita, mas apoiou a construção coletiva de um “projeto”. Embora a base do PT rejeite a
traição capitaneada pelo PCdoB em deixar Lula mofar na cadeia, lançando uma candidatura
artificial e apoiando abertamente Ciro Gomes, a direção do PT ainda tenta mediar a
situação quando evita denunciar a tentativa de estelionato eleitoral da pretensa construção
de um “programa eleitoral”.

Primeiro que a expressão política mais organizada é o partido político. Inexiste partido que
não tenha um programa definido: ele se estrutura, se orienta e busca por meio da
formulação de reivindicações jurídicas colocá-lo em prática. Seria estranho, no mínimo,
acreditar que o PCdoB com 95 anos de existência, somente agora, em pleno ano eleitoral,
quisesse definir um programa para si. O cinismo consiste em mobilizar a base do PT para
idealizar o que se quer, mas sem apontar quem irá fazê-lo e como.

A manobra fica mais constrangedora quando se tenta apontar que o simples esboço de uma
série de pretensões em um papel pode virar realidade por meio de uma eleição fraudulenta,
sem o principal candidato popular. O próprio PT que tem orbitando em torno de si a maior
central sindical do país, centenas de movimentos sociais e populares, uma base eleitoral
gigantesca, quanto esteve no governo federal não conseguiu colocar em prática as
reivindicações essenciais que correspondem a sua base. Portanto, o que se tenta dizer é
que seria em um cenário de golpe, com candidaturas artificiais e sem reais chances de
vitória, que haveria a mínima possibilidade dessas reivindicações populares deixarem de
ser um simples papel.

Nesse sentido, Gilberto Carvalho pontuou duas questões de “autocrítica” numa atitude
capituladora : os governos petistas se afastaram da mobilização popular por acreditarem na
máquina estatal e realizaram “alianças”. A avaliação, embora correta, precisa ser analisada
de como e de que forma se coloca. Por exemplo, se se considera um erro a ilusão na
máquina estatal e fazer aliança com com setores da burguesia, por qual motivo deve-se
mediar com a manobra do PCdoB? Que apoia a candidatura de Ciro Gomes para tentar
salvar o emprego de meia dúzia de parlamentares? Com Ciro Gomes, que é funcionário e
amigo de Benjamin Steinbruch, vice-presidente da FIESP, entidade que impulsionou o golpe
e todas as reformas anti-povo?

Portanto, a “autocrítica” é uma caixa de pandora que poder servir tanto para a defesa de
uma política da ala direitista do PT (Mensagem ao Partido) quanto para limitar a direção
petista em se colocar numa posição mais combativa. Serve, em última instância, para jogar
areia no caminhão da direita e da esquerda pequeno-burguesa que tenta colocar na conta
do PT o golpe de Estado.

Por fim, o PCO faz um chamado aos militantes, partidos, sindicatos e movimentos populares
de luta contra o golpe a denunciar sistematicamente a tentativa de estelionato eleitoral;
defender que o Congresso do Povo apoie a candidatura de Lula e que a sua realização seja
feita em Curitiba, pela sua liberdade e condicionado na palavra de ordem Eleição sem Lula
é fraude.

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