Conferência Nacional aponta diretrizes para a luta contra o golpe e conclama: é Lula ou nada!

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Com a participação de mais de mil ativistas, de todas as regiões do País, a Conferência Nacional Aberta de Luta Contra o Golpe, realizada no último fim de semana, na Quadra dos Bancários, em São Paulo, foi um enorme sucesso político e organizativo.

Reunindo importantes dirigentes da esquerda que luta contra o golpe, dos partidos políticos (como os presidentes nacionais do PCO, Rui Costa Pimenta; e do PT, senadora Gleise Hoffmann), do movimento sindical (como dirigentes da CUT de SP, DF, RJ etc.) e, principalmente militantes de centenas de comitês de luta contra o golpe, pela anulação do impeachment, por Lula Livre etc. o encontro debateu e se unificou em torno de eixos fundamentais de um programa de luta contra o regime golpista, bem como de um plano de mobilizações que visam impulsionar a perspectiva de uma mobilização revolucionária, única forma de barrar a ofensiva golpista, libertar Lula, derrotar a tentativa de um novo golpe por meio de eleições fraudulentas (sem a participação de Lula) e garantir uma vitória popular com a eleição de Lula como presidente da República.

Entre as Resoluções da Conferência se aponta claramente a necessidade de “aproveitar a crise da direita e a fragilidade do governo golpista, cuja falência se expressou com clareza na greve dos caminhoneiros” quando eles “se preparam para dar um novo golpe com eleições fraudulentas para intensificar os ataques contra os trabalhadores (“reforma” da Previdência, privatizações, demissões em massa etc.)”para “conquistar, por meio da mobilização do povo, a liberdade de Lula e o registro de sua candidatura presidencial”. Os debates com ampla participação dos inscritos, no plenário e nos grupos de trabalho, evidenciaram que “essa é uma questão central na luta pela derrota do golpe, pela anulação do impeachment e para colocar abaixo todas as medidas de ataque contra os explorados do regime golpista”.

Com base nessa compreensão, o encontro aprovou várias propostas de mobilização imediata como o apoio à marcha à Brasília no próximo dia 15 de agosto, junto com a Frente Brasil Popular, a CUT, CMP, MST, partidos de esquerda etc., para  exigir do TSE o registro da candidatura de Lula, atividade para a qual o movimento aprovou como meta levar, no mínimo, 5 mil pessoas.

Para essa mesma data, o movimento nacional dos Comitês decidiu propor às demais organizações de luta dos explorados a realização de uma Assembleia Nacional Popular, para unificar a esquerda que luta contra o golpe, pela liberdade de Lula e por Lula presidente contra os golpistas.

Essas iniciativas, são o resultado da evolução política de ampla parcela da esquerda e da população em geral, no sentido de compreender que com o Judiciário dominado pelos golpistas que violam sistematicamente a Constituição, a liberdade de Lula e inscrição de sua candidatura só pode ser conquistada por meio de uma gigantesca mobilização popular, com os métodos próprios de luta da classe trabalhadora, tendo à frente a classe operária e suas organizações combativas. Nesse sentido, a conferência aprovou também realizar uma campanha de propaganda pela greve geral em contra o golpe e pela candidatura de Lula: se não registrar, o Brasil vai parar! A Conferência também decidiu convocar os comitês a participar das mobilizações do dia 10, chamados pela CUT, apoiando essa perspectiva de luta e denunciando a política reacionária das organizações infiltradas no movimento de luta dos trabalhadores que apoiaram o golpe e se recusam a lutar pela liberdade de Lula (como a Força Sindical e Conlutas) e querem fazer no dia 10 mais um dia de encenação, um dia de luta sem lutas.

O encontro aprovou ainda um conjunto de propostas de organização e fortalecimento do movimento dos Comitês, destacando-se a meta de ampliar a tiragem do seu órgão nacional, o jornal A Luta Contra o Golpe, para 100 mil exemplares.

Com estas e outras resoluções, a Conferência avançou no sentido de unir a esquerda que luta contra o golpe, não apenas em torno da questão eleitoral (uma vez que as eleições podem não se realizar ou ocorrerem como parte de um processo de fraude total), mas em torno de uma perspectiva revolucionária de luta por uma alternativa dos trabalhadores diante da crise que passa por enfrentar as instituições do regime golpista e derrotá-lo por meio da mobilização pelos meios que forem necessários.