Não vai ser no STF, tem que ser nas ruas: organizar a Conferencia Nacional de Luta contra o Golpe

Liberdade para Lula

O Supremo Tribunal Federal recusou nesta quinta (dia 10) recurso da defesa do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva para que este fosse colocado em liberdade diante do fato de que o mesmo teve sua prisão decretada pelo TRF-4, de Porto Alegre, antes mesmo que aquele Tribunal apreciasse os recursos em relação à sua condenação fraudulenta, em segunda instância.

Para o STF, assim como para todo o judiciário golpista, já não vale a Lei, pouco importa o que diz a Constituição, o que conta é a vontade dos golpistas de cassar os direitos políticos de Lula, mantê-lo  como preso político, para buscar criar melhores condições não apenas para uma derrota eleitoral dos trabalhadores e de toda a esquerda, mas também para permitir que avance os ataques dos golpistas (“reformas”, privatizações, demissões, arrocho salarial etc.) contra os explorados.

Diante dessa situação, não faz o menor sentido alimentar qualquer ilusão nas decisões do judiciário ou em eleições fraudulentas (sem a participação de Lula) e sob o controle do judiciário e da imprensa golpista.

Nessas condições, é preciso intensificar a organização e a mobilização de todos os setores que lutam contra o golpe e se opõem à política de conciliação e capitulação diante da direita golpista, inclusive, com o abandono da luta pela liberdade de Lula, único candidato capaz de disputar e vencer a direita, no caso de realização de eleições nas quais o povo possa ter algum possibilidade de manifestar sua opinião.

Para tanto, o Partido da Causa Operária está realizando uma ampla discussão com os Comitês de  Luta contra o Golpe, pela Anulação do Impeachment, Volta Dilma, Em defesa de Lula etc. de todo o País no sentido da proposta já apresenta no 1º de Maio, em Porto Alegre e aprovada na reunião ampliada do Comitê Central Nacional do Partido, de realizar uma Conferência Nacional Aberta Contra o Golpe.

Prevista para se realizar na segunda quinzena de julho, em São Paulo, a Conferência pretende  ser um importante momento de aglutinação de forças, de organização e mobilização do ativismo classista de todo o País que luta pela liberdade de Lula, defende sua candidatura presidencial e entende que para os trabalhadores só há saída para a crise atual por meio de uma ampla e combativa mobilização das explorados e de suas organizações de luta.

Seu objetivo é unir os setores que se opõem à política de conciliação com os golpistas, expressa na ilusão de que liberdade de Lula e a derrota do golpe poderão advir meramente de ações judiciais e de um entendimento com candidatos e partidos abutres que buscam apenas tirar proveito eleitoral da prisão do ex-presidente e da derrota sofrida pelo povo brasileiro que derrubou a presidenta Dilma Rousseff e que entrou em uma nova etapa, ainda mais ditatorial, com a prisão de Lula.

Durante a preparação da sua realização e na própria Conferência será realizado uma amplo debate e, principalmente, uma intensa campanha contra a “saída” articulada com os golpistas, aceitando eleições fraudulentas sem a participação de Lula, as quais representariam o aprofundamento do golpe e de modo algum podem ser referendadas pelas organizações dos trabalhadores.

A proposta será debatida em reunião com a coordenação de comitês de luta de todo o País, nesta sexta e na próxima semana deverão ser abertas as inscrições com o objetivo de reunir mais de mil ativistas de todo o País para impulsionar esta perspectiva independente.