Bruno Covas, outro genocida
Os motoristas e cobradores do transporte público em São Paulo estão na linha de frente do coronavírus. É necessária a reestatização do serviço
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onibus lotado foto reprodução sindicato dos motoristas
Motorista de ônibus em São Paulo na pandemia | Foto: reprodução Sindicato dos Motoristas de SP

Com pelo menos 52 mortos pelo coronavírus o Sindmotoristas, o Sindicato dos Motoristas e Trabalhadores em Transporte Rodoviário Urbano de São Paulo, divulgou uma nota onde se demonstra o medo de um potencial crescimento de ocorrências na categoria.

Obrigados a trabalhar na atividade, que é considerada essencial, os motoristas e cobradores de ônibus de São Paulo estão expostos a condições perigosas, especialmente devido às constantes superlotações impostas pelas empresas, todas privadas. O dia a dia destes profissionais sempre foi carregado de cargas de estresse e esforço físico, além dos riscos de assaltos e acidentes. Nesta época de pandemia pelo coronavírus estes profissionais estão na linha de frente da doença e também ameaçados pelos próprios passageiros, já que os motoristas são os responsáveis por fiscalizar se todos estão usando máscaras. Esta ameaça é real, tanto que há registro de duas ocorrências em Minas Gerais de espancamento de motoristas por passageiros sem máscaras.

Os funcionários dos transportes também temem outro perigo: o de contaminarem as suas famílias.

Infectados no transporte público

Até o dia 13 de julho eram 52 mortes, 747 casos suspeitos e 208 confirmados segundo levantamento feito pela Secretaria de Saúde do Sindmotoristas de São Paulo. Este número de vítimas só tende a aumentar exponencialmente com o retorno de todas as atividades na capital paulista, cujo prefeito é o tucano Bruno Covas. A cidade de São Paulo é a cidade no Brasil mais afetada pelo coronavírus. Segundo o Sindmotoristas, o sindicato teve que ir à justiça para obrigar os empresários do monopólio do transporte público a tomar as medidas mínimas de proteção de seus empregados: fornecer regularmente máscaras e álcool em gel. O sindicato ainda protocolou junto ao Poder Público ofício solicitando a instalação de divisórias de acrílico próximas aos assentos do motorista e cobrador. Estas são medidas mínimas e infelizmente insuficientes para estes trabalhadores.

Medidas necessárias

Temos que exigir do poder público outras medidas para que se possa garantir o mínimo de segurança para os trabalhadores. Em primeiro lugar a adequação da frota circulando nas ruas para evitar as constantes superlotações. Além disso deve-se exigir que os empresários contratem mais motoristas e cobradores. Com o início da pandemia as empresas de ônibus aproveitaram para diminuir seus custos demitindo funcionários. É necessário que elas preencham seus quadros e coloquem sem demora toda sua frota nas ruas. E finalmente a única saída possível para o problema do transporte público é a reestatização do serviço.

A privatização dos transportes evidenciou que a cidade de São Paulo é refém de uma quadrilha de empresários que detém o monopólio do transporte na cidade. A SPTrans, órgão da prefeitura de São Paulo que gerencia o transporte coletivo, tem pouco ou mesmo nenhum poder para impor as necessidades da população a estes empresários. Vide as reivindicações acima que tem mínima chance de serem atendidas num prazo curto, mesmo com as decisões da justiça.

Reestatizar o transporte coletivo

Devemos lembrar que o serviço de transporte público na cidade de São Paulo foi privatizado em 1995, ou seja, a 25 anos atrás. Neste período o que se constatou foi uma piora constante nos serviços, com ônibus velhos e superlotados, além de se constituir em um ralo onde o dinheiro público escoa diretamente para as mãos dos empresários, donos das viações contratadas. Esse dinheiro é o subsídio que a prefeitura paga para cobrir a diferença entre a passagem paga pelo usuário e o custo do transporte. Estima-se que o subsídio na cidade seja na base de 5,5 bilhões de reais direto para as empresas. A imprensa burguesa ajuda fazendo campanha constante para que a população acredite que o transporte público é deficitário.

Antes da privatização o transporte público era gerido pela prefeitura, através da CMTC, ou Companhia Municipal de Transporte Coletivo. Em 1992 ocorreu uma gigantesca greve dos funcionários da CMTC, empresa que tinha mais de 35 mil motoristas e cobradores. Na época a prefeita era a então petista Luiza Erundina, que resolveu enfrentar o movimento com uma atitude tipicamente burguesa: montou um posto de contratação de motoristas e cobradores na Praça Charles Miller para substituir praticamente todos os funcionários, uma completa traição à classe trabalhadora. Ao fim da greve 475 motoristas e cobradores foram demitidos. Esta atitude de Erundina causou um enorme refluxo no movimento sindical resultando na facilitação da privatização do serviço, o que acabou ocorrendo na gestão do prefeito seguinte, Paulo Maluf.

Seria obrigação do prefeito Covas cobrar dessas empresas que colocassem a segurança dos funcionários dos transportes e da população que se utiliza deste serviço para ir trabalhar em primeiro lugar, mas não é o que acontece. A política imposta por Covas e por João Dória foi apenas de adotar o distanciamento social e uma quarentena que só consegue ser seguida por uma fatia da classe média. Nada além disso. A estratégia de combate ao covid-19 destes dois não difere em quase nada do governo federal.

Por estas razões Covas não é diferente de Bolsonaro. São ambos genocidas, responsáveis pelo massacre diário da população e por isso precisam ser derrubados e sem demora.

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