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COMANDO DE GREVE

Rodoviários 100% paralisados

Condutores de Rio Branco fazem greve e recebem apoio popular

Trabalhadores do transporte público de Rio Branco em greve pedem intervenção nas empresas de ônibus e administração pública

Tempo de Leitura: 3 Minutos

Rodoviários em greve fecham as ruas de Rio Branco em frente à prefeitura – Foto: prefeitura de Rio Branco

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Desde o dia 14 de dezembro o transporte público da cidade de Rio Branco, capital do estado do Acre, encontra-se paralisado. Desde a madrugada da segunda-feira, os trabalhadores das empresas de transporte cruzaram os braços em uma greve à revelia do sindicato atingindo 100% do transporte coletivo.

As reivindicações são os três meses de salário atrasados, o não pagamento de férias além do 13º salário de 2019 que ainda não foi recebido. Apesar da exigência legal de que seja mantido parte do serviço em funcionamento, a greve atinge a totalidade da frota mesmo com as intimações do Ministério público e ameaças de multas e processos administrativos. Neste momento nenhum ônibus trafega na cidade, com realização de piquetes e fechamento de ruas principais. Uma greve anunciada , pois outras paralisações de advertência ocorreram ao longo do ano. A última foi em 10 de dezembro.

Os empresários do transporte alegam que os prejuízos causados pela epidemia impedem o cumprimento dos acordos e pagamento dos atrasados ainda em 2020 e como de costume o poder público anuncia o socorro ao empresariado e não aos trabalhadores.

A prefeita Socorro Neri (PSB) por duas vezes enviou à câmara de vereadores um PL para repasse de 2,5 milhões de reais às empresas de transporte coletivo, mais uma vez transferindo dinheiro público para a iniciativa privada. Com o ridículo argumento de que este dinheiro é para cobrir os prejuízos e garantir os pagamentos atrasados dos funcionários, tanto a prefeita como os empresários fazem chantagem com os trabalhadores e com a população. A velha conversa de que é para garantir empregos e o serviço essencial o que na verdade é para garantir mais lucro para os abutres do empresariado. Os dois PLs enviados foram rechaçados pelos vereadores, segundo estes não há garantias de que os valores serão usados para quitar as dívidas com os funcionários. Na verdade mais um capítulo do cabo de guerra da política local.

Inicialmente o objetivo de dividir a categoria for alcançado. Os grevistas exigiam a liberação dos 2,5 milhões acreditando nas promessas dos patrões. Com o decorrer da greve as coisas começaram a mudar. Apesar da ausência total de transporte coletivo, a população se manifesta em apoio aos grevistas e repudia totalmente a transferência de recursos para o empresariado.

Esta história de socorro ao transporte coletivo já é filme velho em Rio Branco. Na Gestão de Marcos Alexandre Viana (PT) foram repassados 8 milhões para os empresários e nenhuma melhoria no caótico transporte público foi vista. A população já está calejada e não cede mais ao canto de seria já amplamente conhecido.

O argumento de que houve prejuízo por conta da pandemia é uma balela óbvia, pois em nenhum momento houve diminuição da circulação de pessoas. Pelo contrário: nunca os empresários ganharam tanto dinheiro como nesta pandemia. Redução de frota circulante, demissões, redução de jornada dos trabalhadores e ao mesmo tempo o mesmo quantitativo de pessoas usando o transporte público uma vez que não houve fechamento significativo do comércio na cidade nem no início da pandemia, quando era moda o tal Lockdown.  A única redução que se viu foi a dos estudantes em virtude do fechamento das escolas o que certamente foi compensado pelo empilhamento de pessoas dentro dos poucos ônibus que circulavam e a redução dos custos de manutenção da frota.

Com o impasse os rodoviários mudaram o foco do protesto e exigem neste momento a intervenção nas empresas de transporte coletivo por sua incapacidade de manter os salários e muito menos a qualidade do serviço, além de que a prefeitura passe a administrar o sistema de transporte municipal. Estes mantem totalmente paralisada a circulação de ônibus na cidade e contam com o apoio de grande parte da  população local conforme se observa nas manifestações dos moradores.

Situações como a de Rio Branco se repetem a todo instante no Brasil , mostrando a quem servem os governos federal, estadual e municipal. A população e trabalhadores passam a compreender que a única saída é a reestatização da empresas privatizadas e o controle público de serviços essenciais, neste caso do transporte coletivo municipal.

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