Sacrifício “honroso”
A direita “científica” sacrifica os profissionais de saúde impondo um regime de escravidão e de tortura para que eles, ao lado da classe trabalhadora, segurem a crise nas costas
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Sem uma organização combativa, os trabalhadores apenas sofrerão no regime da burguesia. | Foto: Jefferson Botega

Em tempos de guerra, a classe trabalhadora segura cada vez mais a crise nas costas. Como se já não estivesse pesado, ainda há “bala vindo de tudo quanto é lado”, como coloca a médica intensiva de UTIs Rosita da Silva Leirias. Realmente, nem a crise financeira e muitos a pandemia melhorou, entretanto, se confundem aqueles que acreditam que essa guerra, assim como qualquer outra, é contra o vírus ou contra uma parcela da população. Na verdade, todo horror vivido pelo povo no ano de 2020 é decorrente da política genocida da direita “científica” e da direita bolsonarista.

Essa situação fica muito clara com relatos de médicos, enfermeiros e técnicos de enfermagem que trabalharam intensivamente há mais de nove meses da pandemia no Rio Grande do Sul. Turnos incessantes, mais de 250 dias sem folga, noites em claro, pesadelos, crises de pânico e ansiedade, são os menores problemas que os profissionais enfrentam. O pior: o esgotamento dos profissionais das UTIs para pacientes com covid-19, e uma perspectiva ainda pior para 2021.

Não existiu, em momento algum, qualquer política de combate à crise sanitária no Brasil. Pelo contrário, a direita, que controla o regime político sobre as direções da burguesia, impulsionou as milhares de mortes e a situação miserável que hoje passa a população. Por um lado, sua ala mais bolsonarista propagandeou que o vírus não passava de uma “gripezinha”. Ou seja, que não era um problema real ou sequer uma ameaça, e por isso, nada deveria ser feito. 

Por outro lado, a ala “científica”, “responsável” e “amigável” da direita, para esconder a ineficácia do poder público golpista, bem como suas intenções macabras, levantou apenas um bocado de demagogias. A primeira, e mais importante delas foi a do suposto isolamento social para combater o vírus. Porém mesmo esse, mínimo para controlar a situação sanitária, foi restrito apenas a uma parcela da pequena burguesia, enquanto a classe trabalhadora era forçada a trabalhar.

A esquerda abraçou sem medo essa posição, se colocando completamente a reboque da direita. E o resultado já é um fato; não houve uma ampla campanha de conscientização e distribuição de materiais de higiene, testes massivos, vacinação em massa, hospitais de campanha. Na realidade, houve a lotação de transportes públicos, aglomeração em locais de trabalho, a reabertura desesperada do comércio e das escolas, e, por consequência, a superlotação de hospitais e leitos.

Assim, para os profissionais de saúde, a direita deixou os milhões de contaminados e os milhares de moribundos. Por isso, é chocante notar os relatos dos trabalhadores do ramo. Especialmente aqueles que trabalham em Unidades de Terapia Intensiva (UTIs), não houve sequer um dia de descanso. O normal era o estado permanente de alerta, tanto a própria segurança, quanto às necessidades urgentes dos doentes.

“Todos nós postergamos as férias. A equipe está esfacelada. Ninguém aguenta mais” como colocou Roselaione Pinheiro de Oliveira. Chefe do Serviço de Medicina Intensiva Adulto do Hospital Moinhos de Vento, setor que conta com 390 trabalhadores nas áreas covid e não covid.

O trabalho já não é simples. São muitos pacientes em estado grave ou gravíssimo, com quadros complexos que exigem intervenções delicadas simultaneamente, como a entubação (introduzir um tubo pela boca, indo até a traqueia, que levará oxigênio do ventilador mecânico até os pulmões) ou a manobra prona (virar de bruços para melhorar a oxigenação dos tecidos e a respiração), quando pelo menos sete profissionais “envelopam” o doente com lençóis e o giram sobre o leito em movimentos sincronizados. Mas isso somado à preocupação contínua de contaminar a si, a sua família e os conhecidos, na paranoia rigorosa dos equipamentos de proteção.

Como também não há um incentivo e um investimento para que as pessoas tenham o livre acesso à educação, já estava escasso o número de profissionais, e somando a situação, a maioria precisou acúmular horas extras, aumentos de até 50% na carga horária, e adiar ou suspender as férias.

Trata-se de uma situação completamente desumana, na qual os trabalhadores da saúde precisam se martirizar e se mutilar para encobrir ao máximo a política criminosa da direita. E mesmo assim, nada aparenta melhorar. A própria vacina é utilizada apenas para promover a popularidade das figuras direitistas, sem nenhum debate ou fiscalização a respeito.

No geral, os trabalhadores não possuem nenhuma perspectiva e já não aguentam mais esse regime de escravidão. 

A Psicóloga do Centro de Tratamento Intensivo (CTI) do HCPA, Rita Gomes Prieb ressalta que “A prorrogação indefinida do conceito de temporariedade, a sensação de “corda esticada” há tanto tempo, é o que mais a preocupa” 

— Quando trabalhamos com um prazo limite dentro de nós, é mais fácil nos adaptarmos porque sabemos que vai acabar.

Ela também coloca, que o grave adoecimento e a morte de profissionais da área da saúde — funcionários do HCPA ou de outras instituições — abalaram profundamente o CTI exclusivo para covid-19, e a situação tende a piorar. 

A direita continuará com seu programa de morte, fome, e miséria. Confiando nela, os trabalhadores terão que sustentar a crise com as suas próprias mãos.  A demagogia da direita tradicional, assim como os absurdos ditos por Bolsonaro, nada mais são do que armadilhas para impedir que a esquerda se mobilize.

Entretanto, mesmo com a paralisação geral da esquerda, a classe trabalhadora está cada vez mais radicalizada. Os médicos já abandonam os serviços ou são afastados pela doença, sacrificando eles, a classe trabalhadora estará ainda mais afundada na doença. O momento exige uma enorme mobilização, para derrubar Bolsonaro, os golpistas, e exigir um verdadeiro programa de combate a crise sanitária e a crise financeira

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