Luta ideológica
PCdoB se movimenta para eliminar qualquer relação do partido com o socialismo e o movimento comunista internacional
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"Foto - Reprodução" - Partido "Comunista" do Brasil não quer saber dos símbolos do "passado" |

Há cerca de dois meses, surgiu nos blogs e portais da esquerda nacional notícia segundo a qual o Partido Comunista do Brasil (PCdoB) havia tomado a decisão de adotar um novo nome, amputando não só o termo “comunista”, como modificando todo o próprio nome da legenda, que passaria a se chamar “Movimento 65”, numa alusão ao número oficial dado pelo TSE quando do seu registro enquanto partido com existência legal.

Um pouco mais recentemente, como desdobramento desta decisão e em consonância com a trajetória e os descaminhos direitistas que a legenda vem assumindo, O PCdoB, na voz de uma das suas figuras de proa e destaque, o governador do Estado do Maranhão, Flávio Dino, declarou ao portal “Poder360” que o partido “passará por reformulações em sua identidade visual, com alterações no nome e no símbolo da legenda. Para ele, os atuais símbolos, a foice e o martelo, são “do século 19”. (Portal 360, 02/03). Dino ainda completou dizendo que “temos outras formas do trabalho que têm de estar representadas. Então é um processo em curso. Muito provavelmente haverá algum desfecho como outros países já fizeram no planeta, inclusive, no Brasil”.

Só para que não nos esqueçamos, o governador maranhense é neste momento o mais entusiasta defensor e articulador da chamada “Frente Ampla” (uma espécie de “junta tudo aí para ver no que dá”), movimento que teria por propósito, segundo seus idealizadores, unir todos os “democratas” para enfrentar o bolsonarismo e a extrema direita nacional nas eleições presidenciais de 2022. Na prática, trata-se da aliança de setores tradicionais da esquerda que foram – como todo povo brasileiro – vítima do golpe de Estado – com os políticos e partidos da direita burguesa que deram o golpe de Estado, derrubando a Presidenta Dilma Rousseff, impulsionaram a criminosa operação lava jato, para pretender e perseguir Lula e toda oposição ao regime, entregaram o governo para a extrema direita liderada por Bolsonaro e vem aprovando todo tipo de ataques contra os trabalhadores.

Aqui, sem tergiversações e sem meias palavras, estamos diante de um caso explícito de capitulação, covardia e prostração político-ideológica do PCdoB diante do “ranger dos dentes” da extrema direita, da burguesia e do imperialismo. O que precisa ficar claro é que a ofensiva reacionária dos direitistas brasileiros expôs e colocou a nu todas as maiores fragilidades e inconsistências ideológicas e programáticas da esquerda nacional que, miseravelmente, não só nunca entendeu como segue não entendendo o que aconteceu no País com o golpe de Estado e a deposição do governo petista eleito em 2014.

O deslocamento de setores da esquerda brasileira para posições direitistas (PCdoB, setores do PT, Psol, PDT, PSB) reflete e é o resultado, em última instância, da pressão exercida pela “ala democrática” (PSDB, PMDB, Centrão, etc.) do regime burguês golpista sob a esquerda nacional pequeno-burguesa, parlamentar, centrista, adaptada à política do “imperialismo democrático” (ataques do Psol e setores do PT à Cuba, Venezuela, etc.). A disposição do PCdoB em alterar o nome do partido, abolir o símbolo (foice e martelo) e até mesmo abandonar a tradicional cor da esquerda e do movimento comunista internacional (vermelha), é uma tática defensiva e covarde diante dos inimigos dos trabalhadores, das massas populares e da esquerda nacional.

Na entrevista dada ao Portal 360, o governador do PCdoB afirma ainda que “Infelizmente, por conta dos ecos das ditaduras, difundiram-se muitos preconceitos contra a palavra ‘comunista’. Então, temos que adotar uma tática que leve em conta a tática política, marcas etc., porém, sem alterar o conteúdo” (idem, 02/03). Aqui, é necessário dizer, a bem da verdade, que a direita mundial e o imperialismo não só “difundiram preconceitos” como organizaram uma verdadeira campanha internacional contra o comunismo, contra a revolução socialista, contra os regimes que aboliram a propriedade privada e realizaram a expropriação da burguesia, buscando com isso atacar e desmoralizar a luta do proletariado internacional contra o capitalismo e a burguesia imperialista. Quanto aos “ecos da ditadura que difundiram preconceitos contra a palavra comunista”, senhor governador, estes deveriam ser respondidos e enfrentados não com o ocultamento da política revolucionária, de esquerda, socialista, mas exatamente com uma postura contrária, afirmando a ideologia comunista e o socialismo como alternativas à barbárie capitalista, à ofensiva reacionária do imperialismo e da burguesia mundial contra os direitos das massas exploradas de todo o planeta.

Na entrevista, o representante do PCdoB afirmou também que “temos que adotar uma tática que leve em conta a tática política, marcas etc., porém, sem alterar o conteúdo”. Falso! O conteúdo já foi adulterado há anos e em diversos episódios. O PCdoB já emprestou seu apoio a diversos governos burgueses, reacionários, direitistas, sem falar no aval a projetos parlamentares antinacionais como a entrega da Base Militar de Alcântara ao imperialismo ianque. O apoio ao deputado federal Rodrigo Maia (DEM-RJ) para a presidência da Câmara dos Deputados também está na conta do PCdoB como ato de puro oportunismo e adaptação ao regime burguês golpista.

A conclusão a que se pode chegar com este deslocamento à direita do PCdoB é que a esquerda nacional está completamente desorientada, sem bússola e sem perspectiva diante da ofensiva da extrema direita no País. Ao contrário do que pensa e imagina os stalinistas capituladores do PCdoB, os trabalhadores e as massas populares não estão hipotecando seu apoio à extrema direita, à burguesia, representada no Brasil pelo bolsonarismo reacionário. Os trabalhadores estão dispostos a lutar, dispostos a enfrentar os golpistas e os exploradores neoliberais. O que lhes falta é uma política que seja o exato oposto da política do PCdoB e de outros setores da esquerda centrista, capituladora, uma política que organize a luta para colocar fim ao governo direitista do presidente fraudulento Bolsonaro. A bandeira para guiar de forma consequente esta luta é o “Fora Bolsonaro; Fora todos os golpistas, por novas eleições gerais, com a garantia da candidatura do ex-presidente Lula.

 

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