Companhia teatral formada por militantes de esquerda faz apresentações em SP em homenagem a Olga Benário esta semana

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Dedicada a Marielle Franco, nos dias 14, 15, 16 e 23 do mês de março, a cidade de São Paulo receberá  apresentações da peça teatral “Somos Todos Olga”. O espetáculo contempla a história de vida de Olga Benário Prestes, precisamente os dias de Olga na prisão nazista. Dirigido por Alessandra Cavagna, inspirado nas cartas que a revolucionária alemã escreveu ao seu companheiro Luiz Carlos Prestes e a sua filha Anita Leocádia Prestes, o espetáculo será encenado pela companhia Bando de Teatro dos Comuns (formada por atores e militantes de esquerda). 

A revolucionária alemã Olga foi uma das principais figuras do Partido Comunista alemão. Ela teve atuação relevante na organização da agitação comunista e no combate ao crescimento da extrema-direita encabeçada pelo Partido Nazista no país na década de 1920 na Alemanha. Nesse sentido, seguiu ordens do Partido Comunista alemão e planejou o ataque à prisão Moabit onde seu namorado, Otto Braun, estava preso sob a acusação de alta traição à pátria. O ataque à prisão de Moabit aconteceu em abril de 1928 e transformou Olga em uma das figuras mais procuradas da Alemanha. A recompensa para quem a capturasse era de cinco mil marcos, correspondia a dois anos de salário na Alemanha do período. Em função desta perseguição, Olga fugiu para a Áustria e depois para a União Soviética por meio da utilização de documentos falsos. Em Moscou, a comunista recebeu formação intelectual em teoria marxista e treinamento militar.

Em 1934, Olga aceitou uma missão de grande importância da Internacional Comunista: escoltar com segurança até o Brasil aquele que se tornara seu companheiro, o revolucionário Luís Carlos Prestes. Já no Brasil, ambos lideraram o levante de 1935. Todavia, no sétimo mês de gravidez, Olga foi punida por tal participação: o Supremo Tribunal negou-lhe um habeas corpus e, assim, foi conivente com a decisão de Getúlio de entregá-la aos nazistas. Ou seja, como consequência de sua luta, Olga foi presa e deportada para a Alemanha, onde morreu na câmara de gás em 1942.

Por que falar de Olga?

De teor militante, “Somos Todas Olga” surge em um período ímpar da História brasileira, marcado pela propaganda anticomunista promovida pelo governo de Jair Bolsonaro que é produto e ao mesmo tempo estimula a ascensão do fascismo no Brasil e no mundo. Nesse contexto, segundo a diretora Alessandra Cavagna, a peça resgata o conceito de utopia de uma sociedade “realmente justa, democrática e igualitária”.

“Mas não de uma utopia no sentido de um sonho não realizável, mas da Utopia no sentido que Galeano nos traz: ‘A utopia está lá no horizonte. Me aproximo dois passos, ela se afasta dois passos. Caminho dez passos e o horizonte corre dez passos. Por mais que eu caminhe, jamais alcançarei. Para que serve a utopia? Serve para isso: para que eu não deixe de caminhar’”, explica.

Confira, abaixo, as datas e locais de apresentação.

Dia 14/03 às 21h00
Sede do PCB – Partido Comunista Brasileiro
Rua Francisca Miquelina, 94 – Bixiga

Dia 15/03 às 21h00
Espaço Augusto Boal
Rua Guaianases, 253 – República (Centro)

Dia 16/03 às 19h
Centro Cultural Arte em Construção – Instituto Pombas Urbanas
Av. Dos Metalurgicos, 2100 – Cidade Tiradentes

Dia 23/03 às 19h
CDC – Vento Leste (Espaço Ocupado pelo Dolores Boca Aberta)
Rua Frederico Brotero, 60
Cidade Patriarca

Acesso: pague quanto puder.