Revitalização urbana
Um conjunto de entidades e organizações de arquitetos e urbanistas lançam uma carta pela melhoria das cidades no Brasil enquanto o povo tenta acabar com um genocídio
Afogados, Recife, Márcio Cabral de Moura
Afogados, bairro pobre de Recife | Foto: Márcio Cabral de Moura
Afogados, Recife, Márcio Cabral de Moura
Afogados, bairro pobre de Recife | Foto: Márcio Cabral de Moura

Um consórcio de instituições que representam a arquitetura e o urbanismo no Brasil lançou uma carta aberta, disponível no site do Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Brasil, com 51 instituições que pedem a implementação de aspectos que possam melhorar a condição de vida nas cidades através de uma melhora no urbanismo, no turismo e em outros aspectos.

Nada mais justo, pois as cidades brasileiras são realmente muito mal organizadas, permitindo que o acesso a vários locais importantes sejam restritos aos ricos, enquanto os pobres não tem acesso a isso. No entanto, o fato de que essas organizações lancem a carta aberta justamente no período eleitoral não parece ter por objetivo somente a melhoria das cidades brasileiras.

Como sempre acontece, a burguesia tenta pautar todos os temas das eleições para que os trabalhadores não discutam os problemas centrais do país, que têm como centro justamente o controle da burguesia e do imperialismo sobre os recursos, as empresas nacionais  e outros.

É assim, por exemplo, que discussões sobre os buracos das ruas, as lâmpadas queimadas dos postes, a falta de obras em determinados setores, a corrupção e outros, tomam o lugar central no debate eleitoral, principalmente durante as eleições municipais.

O país vive um genocídio fruto de um golpe de estado que resultou em um governo fascista, o de Jair Bolsonaro. Enquanto o interesse da maioria esmagadora da população é o de colocar para fora o presidente fascista e aumentar seu domínio sobre o sistema político, a burguesia tenta vender a ideia de que seria necessário um debate sobre o caráter das cidades.

Esse debate, além de tudo o que já foi dito, é ainda pior se considerarmos o fato de que o projeto golpista é justamente o de esfolar os trabalhadores em favor do imperialismo. Fica a dúvida do porquê a burguesia permitiria o investimento estatal para melhorar a qualidade de vida dos cidadãos quando seu projeto é exatamente o contrário a isso.

Ao comentar sobre o assunto, o jornal burguês O Estadão – um dos veículos de informação responsáveis por transmitir aquilo que a burguesia deseja – chegou a dizer que o “marco do saneamento”, também conhecido como a privatização da água e do esgoto no Brasil, abriu novas perspectivas de melhoria das cidades, enquanto fazia propaganda da carta da revitalização das cidades.

Isso só demonstra que toda a demagogia eleitoral da burguesia se transforma depois em mais retiradas de direitos dos trabalhadores.

O que faz das cidades brasileiras lugares difíceis de se viver por parte do povo é justamente a dominação da burguesia sobre o País. O fato de que o Brasil seja um país atrasado acentua as diferenças entre os locais onde vivem os burgueses dos locais onde vivem os trabalhadores.

Para uma modificação real da situação das cidades e da qualidade de vida dos trabalhadores, é necessária uma mudança real na sociedade brasileira. Não será com promessas eleitorais da burguesia que essas transformações ocorrerão, mas sim, através de uma vitória dos trabalhadores em  uma mobilização dos operários e dos demais explorados por pautas políticas, dentre elas, a derrubada de Bolsonaro e a possibilidade de que Lula seja candidato nas próximas eleições, justamente aquilo que a burguesia tenta apagar do debate eleitoral.

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