Como são as eleições: Globo dá 30s por semana à esquerda e 24h para direita

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“Respeitem as instituições”. Essa frase, cotidianamente repetida pela direita para os trabalhadores, é uma das maiores demonstrações de cinismo dos golpistas. Segundo prega a burguesia, os trabalhadores não podem fazer greve, não podem trancar uma rua, não podem ocupar um prédio – afinal, a única via que os trabalhadores deveriam utilizar para conquistar suas reivindicações seria através das “instituições democráticas”.

Embora seja um discurso muito “bonito”, a defesa da via democrática não passa de uma mentira que nem mesmo a direita acredita. As eleições, a Justiça e o Ministério Público não representam em nada um ideal democrático – todos são, em alguma medida, controlados pela burguesia. Desse modo, não há “democracia” alguma a ser respeitada: há uma ditadura de uma classe que é implantada pela força.

O golpe de Estado de 2016 escancarou o menosprezo da direita pelos trabalhadores e por qualquer perspectiva de igualdade de direitos. No entanto, para setores de esquerda, não é necessário mobilizar os trabalhadores para lutar contra o golpe, mas sim esperar ordeiramente as eleições, como se quem fosse ganhar as eleições fosse o candidato com o melhor “programa”.

As eleições deste ano, caso ocorram, serão extremamente anti-democráticas. Normalmente, as eleições são uma fraude comandada pela direita. Essas, no entanto, tendem a ser ainda mais, visto que o principal candidato está sendo excluído do processo.

Mesmo que os setores mais carreiristas queiram negar essa realidade, a Rede Globo já está demonstrando que não há qualquer interesse do regime político vigente em colaborar com a esquerda. A rede de televisão, que é, graças à ditadura militar, o mais assistido do país, vai entrar na cobertura eleitoral deste ano nos mesmos moldes de anos anteriores. Dando espaço para os três ou quatro candidatos mais bem cotados nas pesquisas eleitorais fraudulentas. Não precisa ser um gênio para supor que estes candidatos serão os candidatos da burguesia.

Já os candidatos da esquerda, quando muito, terão espaço reduzido, com pequenas aparições semanais em uma eleição que dura pouco mais de um mês de campanha política.

Este tipo de cobertura em si é uma forma de censura prévia feita pelo maior canal de televisão do país e que é principal fonte de informação da maioria da população. É uma política intencional da imprensa burguesa que não permite que os candidatos e as organizações de esquerda sejam conhecidos pela população.

A atitude da Rede Globo é apenas um demonstrativo de que a direita está disposta a qualquer coisa para derrotar a esquerda nas eleições. No entanto, a sabotagem à esquerda poderá vir de qualquer lugar – inclusive da ponta de um fuzil de um jagunço ou de um militar. Por isso, é necessário fortalecer as organizações dos trabalhadores, a imprensa operária e a autodefesa das organizações de esquerda.