Crise na cultura
A crise sanitária da COVID-19 vem afetando a cultura. Além de fechar os teatros, também transformou suas apresentações em espetáculos “bizarros”.
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O que mais vai acabar nos teatros e na cultura? | Foto: Luca Mauri

Um teatro composto de 20 cabines individuais de vidro para os espectadores e distanciamento social entre os atores. Essa é a peça que estreou essa semana. O trabalho da companhia teatral Bendita Trupe, aborda o tema da pandemia de forma a encobrir o drama com a comédia típica das peças produzidas pela companhia. Porém, é claro, tais condições representam uma crise não só no teatro, mas na cultura em geral.

Os artistas decidiram lançar a peça que estará em cartaz por uma curtíssima temporada de três semanas porque entenderam que é preciso dar alguma perspectiva ao teatro nesse “novo normal”. Ou seja, é preciso se adaptar, segundo a proposta, a um mundo em que não há vacinas ou tratamento para uma doença pandêmica mortal.
Para eles, é uma opção a permanecerem fechados ou abrirem falência, já que a abertura não resolve os problemas do teatro e também não há apoio do Estado às companhias.

O título da peça, “Protocolo Volpone, um Clássico em Tempos Pandêmicos” brinca com a pandemia usando um texto que também foi escrito em tempos de pandemia, tempos de surto de peste. Segundo a diretora Johana Albuquerque, ” Tinha um pouco essa ideia de que ‘Volpone’ é a própria febre da peste, e aí os sentidos são vários. É a pandemia, mas também todas as outras pestes que estamos vivendo no mundo contemporâneo”. Essa tratativa social do tema da pandemia vai de encontro a outras peças da Cia, como por exemplo peças que tinham como tema o Governo Collor e o tráfico de drogas.

A crise que paira no pensamento artístico dos idealizadores da obra está muito próximo da real situação dos teatros. Desde o início do mês, os teatros foram permitidos à reabertura, porém menos de dez teatros retomaram as atividades presenciais, e ao menos três companhias encerraram de vez suas atividades. Desde o golpe e do governo Temer, a Cultura saiu da rota de prioridades da política estatal e passou a ser censurada e desmantelada. Embora muita demagogia fora feita sobre a questão de auxílios para classe artística no Governo Bolsonaro, a esmola dada pelo Governo Federal era majoritariamente para pessoas físicas, e portanto, não ajudou em nada as companhias e demais organizações artísticas e culturais.

Muitos lugares do Brasil, os governos golpistas ensaiaram um apoio à cultura. O que na prática não se concretizou. O discurso era que seria permitido aos teatros que voltassem a funcionar sobre normas flexíveis e que isso ajudaria as companhias. Muito longe disso, os grupos foram fortemente atingidos e nesse momento uma preocupação real é se eles poderão se adequar a toda a mudança de equipamentos e figurino necessária para funcionar, como fez a Bendita Trupe.

A estratégia de adaptação, é e sempre será, a de precarizar o teatro. Um exemplo são as lives que precederam esse intrincado esquema de vidros que até mesmo ofuscam a própria visão do espectador e impedem a formação de uma plateia, parte da própria arte. Precisamos denunciar o estado da produção artística no Brasil em meio a pandemia e optar por meios que não sejam a simples subordinação. Precisamos lutar pela arte revolucionária e independente que aponta para o combate ao fascismo e a luta pela superação do capitalismo através do Governo Operário dos trabalhadores do campo e da cidade.

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