Fique em casa! Que casa?
Mais um incêndio misterioso. A ocupação do MTST ,Nova Vitória ,em Guarulhos ardeu em chamas deixando 200 famílias somente com a roupa do corpo em meia à pandemia.
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Imagem da ocupação antes do incêndio. Imagem: facebook. |

Mais um incêndio misterioso em favela de São Paulo. Desta vez, a ocupação do MTST, Nova Vitória, em Guarulhos, ardeu em chamas deixando 200 famílias somente com a roupa do corpo em meio à pandemia. No local, vivem 400 famílias desde junho de 2019 e, como vimos, metade perdeu tudo.

Lideranças da ocupação relatam que as ameaças eram constantes, e, por isso, têm fortes suspeitas de que se trate de mais um incêndio criminoso que corriqueiramente vem assolando as favelas das grandes cidades. “Já recebemos várias ameaças, pessoas dizendo que ‘isso aqui tem que queimar’. O Estado não quer a gente aqui, o aeroporto não quer a gente aqui”, relatou Zelidio, um dos moradores e líder comunitário. O fogo, que começou por volta das 15h30 e só não destruiu todos os barracos porque a comunidade possui uma brigada anti-incêndios já preparada e treinada para o pior, pois é de conhecimento de todos a intenção de expulsá-los do local.

Incêndios em favelas têm sido uma constante nas grandes cidades. As causas são óbvias, as más condições das instalações elétricas improvisadas pelos moradores, a grande quantidade de material de alta combustão como papelões e madeira usados para construir os precários barracos em que se amontoam a população pobre Brasileira. Mas o que que chama a atenção são as localizações privilegiadas dessas ocupações.

Alvo da cobiça dos especuladores imobiliários, a maioria delas são um entrave para a valorização dos imóveis que as cercam. A própria revista burguesa Exame publicou uma matéria em novembro de 2017, na qual divulgava um levantamento feito pela Pública em parceria com Guardian Cities, em que revelava que comunidades atingidas por incêndios estavam localizadas em áreas cerca de 75% mais valorizadas do que a média. Naquele ano, havia em São Paulo mais de 1 milhão e meio de pessoas vivendo em 1.700 favelas. Aquele estudo mostrava que, há 3 anos atrás, a frequência dos incêndios era também maior nas áreas nobres. Foram 23 ocorrências nos 15 distritos com maior valor de lançamentos imobiliários dos cinco anos anteriores. Aqueles distritos aglomeravam 145 favelas com um incêndio em cada seis comunidades daquelas regiões. Nos outros distritos, que comportavam as restantes 1.559 favelas da cidade, foram registrados 52 incêndios. Taxa bem menor: uma ocorrência para cada 29 favelas.

Voltando alguns anos antes, em 2012, na gestão Kassab, a Rede Brasil atual produziu um estudo no qual mostrava que fogo em favelas era mais recorrente em áreas de grandes intervenções voltadas à valorização imobiliária, com construção de avenidas e parques. Todas concentradas nos perímetros das chamadas operações urbanas projetadas pela prefeitura, fossem as já iniciadas ou as ainda em planejamento.

A história se repete em 2020. Nova Vitória está localizada perto do aeroporto de Guarulhos. Ali vivem pessoas pobres, na maioria trabalhadores informais, em situação de moradia precária, fome e medo diante uma pandemia avassaladora e de um governo fascista que não tem a mínima preocupação com o povo. Fato evidenciado pela recusa do congresso em votar a favor da proibição de despejos durante a pandemia. A imprensa burguesa, em sua hipocrisia costumeira, recomenda o cuidado com o álcool gel, como se pobre tivesse acesso a esse item de luxo.

A esquerda, em consonância com o discurso burguês, propõe a esse povo o mesmo remédio: FIQUE EM CASA. Fique em seus barracos insalubres aguardando que, por um milagre, a fome não doa, o fogo não destrua, o vírus não chegue e a direita tenha piedade de sua miséria.

A política a ser adotada pela esquerda é totalmente contrária a essa. É organizar a população para se defender dos ataques fascistas e lutar pela própria sobrevivência. É organizar o povo para derrubar este governo genocida que usa a pandemia como desculpa para intensificar o massacre já em curso do povo brasileiro. 

 

 

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