Siga o DCO nas redes sociais

Como os patrões do Frigorífico Barontini deram um golpe nos trabalhadores
Como os patrões do Frigorífico Barontini deram um golpe nos trabalhadores

Em 2011, o frigorifico Barontini, localizado no bairro Cerâmica, em São Caetano do Sul, região do grande ABC de São Paulo, entrou com processo de recuperação judicial e, deste então os trabalhadores viviam numa incerteza de recebimento dos salários e dos demais benefícios como as cestas básicas, por exemplo, mas a produção continuava normalmente e o quadro de funcionários permanecia estável, variava entre 100 e 150 funcionários, dependendo do período do ano, já que sempre funcionou desta forma.

A partir de 2016, o que os trabalhadores temiam começou a acontecer. O valor da cesta básica, que era fornecida em produtos, começou a ser pago por meio de um cartão e também começou a atrasar. No começo atrasava, mas vinha no mesmo mês depois, atrasava um mês, chegando a atrasar três meses seguidos e os salários atrasavam em até cinco dias.

A partir do final de 2017, novembro/dezembro, os patrões não só atrasaram os salários, mas, a segunda parcela do décimo terceiro, bem como, o vale transporte.

Em fevereiro, (19), os trabalhadores, por não haver matéria prima, foram forçados a ficar em casa, antes de chegar a essa situação, de dezembro até fevereiro, os trabalhadores, sem receber nenhum centavo, inclusive o vale transporte, iam até o Barontini de forma escalonada, ou seja, uma turma ia trabalhar às segundas, quartas e sextas e outra turma às terças, quintas e sábados, na expectativa de produzir e de que o valor da venda do que foi produzido chegasse às suas mãos para poderem aliviar a situação, da falta de alimentos, da ameaça de serem despejados, por não terem pago o aluguel, etc.

O sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias de Carne, Derivados e do Frio no Estado de São Paulo, junto com os setenta funcionários ainda existentes na fábrica, fez inúmeras reuniões com esses trabalhadores. Não havia, do lado dos patrões porém, com quem conversar.

O que tinha era somente uma pessoa colocada lá e que se dizia responsável pela empresa, mas não resolvia nada junto aos trabalhadores e, mesmo essa figura decorativa, em 2017 acabou abandonando o barco.

Daí surgiu no final de 2017 uma advogada de nome Silvia, segundo a qual se dizia síndica e respondia pela empresa. Essa pessoa, pertencente aos banqueiros do HSBC estava lá para poder garantir os valores de crédito pertencente ao banco e outros empresários.

Quando Silvia foi questionada sobre a dívida que a empresa tinha com trabalhadores, ele simplesmente ignorava, mas a produção dos trabalhadores não era repassada para eles e sim para os credores representados por Silvia.
A única coisa que se dizia é que tinha que esperar a decisão do juiz e que ela não podia fazer nada.

No dia 28 de fevereiro, os trabalhadores do Frigorifico Barontini, juntamente com os representantes do Sindicato dos trabalhadores nas Indústrias de Carne, Derivados e do Frio ocuparam as suas dependências, colocando os encarregados, representantes dos patrões que ali estavam para fora da fábrica.

A ocupação se deu para que os patrões, juntamente com os banqueiros, não dessem o golpe nos trabalhadores, tirando tudo o que tem de valor da fábrica e deixando os operários, os únicos de fato e de direito, credores do frigorífico, sem nada.