Retrospectiva
Não foi uma fatalidade, mas o resultado da política genocida de golpistas como Bolsonaro e Doria (PSDB), que defenderam os interesses dos capitalistas em detrimento da vida do povo
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Política dos golpistas levou o País à pior queda da história do PIB, quase 10% num único trimestre | Reprodução

Dois mil e vinte foi o ano em que a crise do capitalismo mundial foi escancarada pela pandemia de coronavírus. No Brasil, a economia despencou em queda livre. Pela primeira vez na história mais desempregados do que empregados, cerca de 90 milhões de pessoas. Setores fundamentais da economia (como as refinarias da Petrobras) foram privatizados. O dólar atingiu quase R$6,00. Os preços explodiram e a inflação oficial ficou atrás apenas dos períodos de hiperinflação dos anos 90. Isso tudo com queda de quase 10% do PIB num único trimestre, a pior da história do País e quase 200 mil mortos por coronavírus, apenas em dados oficiais.

Isso não foi uma fatalidade, mas sim o resultado da política genocida do governo golpista de Bolsonaro e dos governadores “científicos”, como João Doria (PSDB). Apesar de diferenças cosméticas, a extrema direita e a direita tradicional utilizaram de todos os recursos para preservar os interesses econômicos da burguesia em detrimento da morte de centenas de milhares de brasileiros.

Desemprego

Pela primeira vez na história mais desempregados do que empregados. Dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios – Contínua (PNAD-Contínua) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostraram que a população “ocupada”- considerada pelo instituto como a soma de empregados, empregadores, trabalhadores em conta própria e servidores – foi de 85,9 milhões no trimestre até maio, o que é menos da metade do total da população em idade de trabalhar (a partir de 14 anos). Ou seja, apesar de toda a manipulação, mais pessoas desocupadas e sem renda, desempregadas, do que empregadas.

Situação que já era ruim antes da pandemia, mas que foi impulsionada por reformas que o governo Bolsonaro impôs, como as MPs 936 e 927, que permitiram o rebaixamento salarial, a “flexibilização” das condições de trabalho, com diminuição brusca do custo de mão de obra e o decorrente aumento da exploração e do exército de reserva de desempregados.

Esta situação catastrófica empurrou dezenas de milhões de trabalhadores para a informalidade, o que se verificou num aumento expressivo do número de motoristas e entregadores de aplicativo, por exemplo, bem como em outros meios de trabalho autônomo completamente precarizados, insuficientes para que o trabalhador se sustente diante da crise. Com a extinção do auxílio emergencial decretado pelo governo Bolsonaro, a situação será ainda pior, pois 27 milhões de trabalhadores ficarão sem renda alguma.

Privatizações

Enquanto atuava destruindo direitos trabalhistas e conquistas sociais, o governo golpista, na dificuldade de privatizar estatais completamente, adotou a política de fatiá-las, começando por suas subsidiárias. Desta forma, cumprindo o objetivo de liquidar a economia nacional em favor do capital estrangeiro, conseguiu privatizar 7 subsidiárias – como a refinaria Landulpho Alves, da Bahia, a 2ª maior da Petrobras e do País – e manteve uma lista de mais 87 estatais para privatizar em 2021.

Inflação e Dólar a R$ 6,00

Além disso, a política de queima de estoques de alimentos para a exportação, permitida pelo governo golpista para favorecer os grandes latifúndios, bem como liquidação do setor do petróleo e gás no País com o fatiamento da Petrobras – via venda de suas subsidiárias – somada à maior taxa de câmbio da história do real (com o dólar atingindo R$5,90) fez com que o preço de itens básicos de alimentação (como arroz, feijão, óleo e gás de cozinha) e também os combustíveis, aumentassem muito acima da inflação oficial, corroendo o poder de compra do povo brasileiro.

O resultado desta política é que o preço dos alimentos explodiu em 2020. A carne bovina até novembro havia subido 37% nos últimos 12 meses. O preço dos alimentos na Ceagesp (Companhia de Entrepostos e Armazéns Gerais de São Paulo), maior central de abastecimento da América Latina, subiu 15,9% em 2020!

Logo, para os trabalhadores, que gastam boa parte do salário em alimentação, a inflação não foi menor do que o aumento nos preços de produtos básicos. Mesmo que tenha se apertado e mudado hábitos alimentares e cortado a carne para fugir do aumento de 37%, os trabalhadores não tiveram como fugir do aumento do arroz, do feijão, do ovo, do leite, das verduras, frutas, gás de cozinha e combustível ao mesmo tempo.

Se foi assim na questão dos alimentos, nos alugueis a situação foi ainda pior. O IGP-M, índice utilizado para reajuste de alugueis e contratos, foi superior a 23,14% no acumulado do ano. Ou seja, mesmo que o salário mínimo ficasse no zero a zero na média da cesta de produtos medida pelos índices oficiais, o reajuste não atingiria o valor médio da alta dos alugueis. Isto significa que um trabalhador que paga aluguel perdeu na verdade 17,95% do seu salário (subtraindo os 5,22% do INPC dos 23,14% do IGP-M).

O que mostra que mesmo com um reajuste de 5,22% no salário mínimo, o que ocorreu neste ano foram perdas reais no salário, rebaixado pelas MP’s de Bolsonaro e corroído pela inflação real, para muito além da maquiagem da inflação oficial.

Bancos: os parasitas sociais

Isso quer dizer que enquanto os trabalhadores perderam renda pela diminuição direta do seu salário, pelo desemprego e pelo aumento de preços acima da inflação oficial, os patrões ganharam demitindo massivamente, para economizar custos de mão de obra, ganharam ao manterem menos funcionários trabalhando mais e recebendo menos e ganharam por receberem repasses diretos e indiretos do governo com a desculpa de enfrentar a crise.

O fato mais absurdo desta situação foi o repasse de mais de 1,2 trilhão que o governo Bolsonaro concedeu aos banqueiros através do Banco Central, que tinha o intuito de se transformar em linhas de crédito para emprestar para as empresas não demitirem. No entanto, os bancos embolsaram a maior parte do dinheiro e a parte repassada às empresas foi embolsada pelas mesmas, que promoveram demissões em massa e corte de custos de mão de obra.

Além disso até 27 de agosto, segundo dados da Auditoria Cidadã da Dívida, os bancos receberam do governo brasileiro como pagamento de juros e amortizações da dívida pública: R$1.046.874.486.123 (1 trilhão, 46 bilhões, 874 milhões, 486 mil, 123 reais). O que equivale a 4,4 Bilhões por dia e 45,76% de todos os gastos do Estado.

PIB

A soma de todos os elementos da economia, com o cenário internacional de crise profunda e a política de destruição nacional dos golpistas, fez com que o Produto Interno Bruto (PIB) do País caísse 9,7% em apenas um trimestre, a pior queda da história do País, desde que a série histórica foi iniciada em 1900!

Estes elementos todos da crise já estavam presentes antes. No entanto, a pandemia se tornou um grande pretexto para os capitalistas, organizados detrás dos governos golpistas, promovessem um ataque sem precedentes à classe operária brasileira. Os indicadores da economia não mentem, 2020 foi o ano em que os golpistas mais tiveram sucesso em aplicar seu programa de terra arrasada contra o povo brasileiro.

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