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Mentiras do imperialismo
Como o imperialismo vê a questão boliviana
“The Economist” busca distorcer os acontecimentos na América Latina ocultando a verdade dos fatos e atacando a esquerda do continente
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Mentiras do imperialismo
Como o imperialismo vê a questão boliviana
“The Economist” busca distorcer os acontecimentos na América Latina ocultando a verdade dos fatos e atacando a esquerda do continente
“Foto – Reprodução” – Evo Morales, eleito pelo voto, mas obrigado a renunciar
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“Foto – Reprodução” – Evo Morales, eleito pelo voto, mas obrigado a renunciar

As lentes do imperialismo nunca estiveram tão invertidas em seu olhar sobre os acontecimentos que se sucedem nos diversos países da América Latina. A revista inglesa “The Economist”, um dos veículos mais importantes que vocalizam os interesses do imperialismo britânico, trás em sua versão digital, artigo publicado no dia 16 de novembro, onde busca traçar um panorama dos fatos e acontecimentos que tiveram lugar no continente latino, abordando a problemática que diz respeito a instabilidade que permeia o conjunto dos regimes políticos e governos da região.

Logo de imediato chama a atenção o fato do semanário inglês porta voz do liberalismo não caracterizar como golpes de Estado as ações da direita e da extrema direita contra os governos de perfil popular-nacionalistas. A revista faz referência aos regimes nacionalistas da região como dtaduras, citando os casos da Venezuela e da Nicarágua, onde chancela como “ditadores” os presidentes eleitos pelo voto popular, Nicolás Maduro e Daniel Ortega. Cita ainda (sem condenar) o fato ocorrido no Chile, em 1973, quando o general Augusto Pinochet derrubou através de um golpe sangrento o presidente eleito Salvador Allende, que de acordo com a publicação inglesa, era um “socialista radical”.

O semanário inglês ainda sustenta a tese (totalmente descabida e até mesmo risível) que “desde a democratização da região nos anos 80, golpes são raros” (The Economist, 16/11). A revista ironiza ainda o fato de Nicolás Maduro não passar uma semana sem denunciar ao mundo alguma ameaça de golpe contra o seu governo, a quem rotula de “ditador fraudulentamente eleito”. Nenhuma crítica é levada a efeito por parte dos “democratas liberais ingleses” sobre as diversas tentativas de golpe que a direita e a extrema direita do país, financiada e apoiada pelo imperialismo ianque, levou a cabo contra o governo constitucional eleito pelo voto popular, com mais de 60% de apoio do eleitorado venezuelano.

Diz ainda o semanário porta voz do imperialismo britânico que a própria ideia (de golpe) “se tornou uma poderosa ferramenta de propaganda, especialmente para os esquerdistas” (idem, 16/11). Sobre o Brasil, os ingleses sustentam a ideia (completamente absurda e golpista) que “Dilma Rousseff, presidente de esquerda no Brasil que passou para o segundo mandato em violação à lei de responsabilidade fiscal do país, também afirma que seu impeachment em 2016 foi “um golpe de Estado”, apesar de seguir rigorosos procedimentos constitucionais”. Nenhuma palavra sobre a atuação escancaradamente golpista e inconstitucional da “justiça” brasileira, que legitimou toda a perseguição macartista-reacionária contra a esquerda nacional, materializada principalmente no Partido dos Trabalhadores, o partido da presidente deposta através de processos que se apresentaram como forjados e ilegais, assim como ilegais e igualmente forjados e fraudulentos foram todos os processos que condenaram o ex-presidente Lula ao encarceramento.

Sobre a Bolívia, os “liberais ingleses” perdem completamente a noção do razoável e vão muito além dos limites do bom senso ao afirmar que Evo Morales foi “vítima de uma contra-revolução destinada a defender a democracia e a constituição contra a fraude eleitoral e sua própria candidatura ilegal”. “O exército retirou seu apoio porque não estava preparado para disparar contra as pessoas para sustentá-lo no poder“. Delírio maior, impossível. Os tresloucados ingleses não se dão conta ou fingem, o que é a realidade, não saber que o golpe contra a constituição e o governo eleito na Bolívia foi orquestrado e executado pela extrema direita, com o apoio direto e sem disfarces do imperialismo, que está a frente de todos os golpes de Estado no continente, na sua maioria bem sucedidos (Brasil, Colômbia, Equador, Bolívia, Argentina, Honduras) e outras ainda não (Venezuela, Nicarágua, Cuba).

No país altiplano, o Exército – com longa tradição de golpes – é o braço armado dos interesses da burguesia e das oligarquias reacionárias direitistas das regiões economicamente prósperas, de Santa Cruz de La Sierra e Cochabamba. Os militares não estão em defesa da democracia e menos ainda da Constituição, como quer fazer crer “The Economist”, mas estão nas ruas reprimindo e assassinando a população, que reage de forma heróica e determinada contra o golpe. Portanto, toda a caracterização acerca dos acontecimentos políticos e sociais que vem marcando a luta de classes no continente, são objeto da mais abjeta manipulação e distorção por parte do imperialismo, que vê a sua dominação sendo abalada pelas lutas que ganham cada vez mais a consciência das massas populares empobrecidas em todo o continente latino.