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O ato que acontece hoje em Brasília, contra a reforma da Previdência aprovada na Câmara dos Deputados nessa quarta-feira, dia 10, foi precedido por alguns poucos atos regionais nesse mesmo dia 10, o principal deles em São Paulo.

Esses atos regionais, que aconteceram em poucos locais, deveriam servir como um instrumento que ajudasse a mobilizar para o ato nacional em Brasília. Mas o que se viu foi o contrário disso. Não que não seja importante que haja atos constantes contra o governo golpista. Mas o problema é que justamente não tem havido essa constância. O último grande ato já nacional foi há quase um mês (dia 14 de junho).

A manifestação na Avenida Paulista foi pequena, cerca de 3 mil pessoas atenderam ao chamado da Frente Brasil Popular, Frente Povo Sem Medo e da CUT para sair na rua, em pleno dia da votação da destruição da aposentadoria. A manifestação se concentrou no MASP e ao final fez uma breve passeata até o prédio da golpista FIESP (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo).

Os inexperientes ou aqueles que querem justificar uma política desmobilizadora irão colocar a culpa do tamanho reduzido do ato no povo. Ignoram que o povo já mostrou disposição de ir para a rua e se mobilizar. O “povo” espontaneamente, todas as vezes que tem oportunidade, mostra seu repúdio ao governo Bolsonaro. Basta juntar um punhado de gente que a chance de se ouvir algum grito contra Bolsonaro é enorme.

Está claro que existe uma enorme tendência à mobilização. A balança neste momento está pendendo para o lado da esquerda. A direita se encontra em uma enorme crise.

Mas qual seria o problema então?

Exatamente na falta de mobilização daqueles que deveriam estar organizando a luta contra os golpista. As organizações de luta estão paralisadas em primeiro lugar graças à política oportunista de um amplo setor das direções da esquerda de aliança com setores golpistas. Graças à política de conciliação de classes e de aposta nas instituições golpistas.

Ao invés de mobilizar o povo, esses setores da esquerda pequeno-burguesa querem fazer lobby num Congresso dominado por uma corja de extrema-direita, inimiga do povo.

Essa política vai levar a esquerda a uma derrota, como já levou no caso da Previdência, é desmobilizadora e mais grave, fortalece a extrema-direita. Em vez de lutar contra os golpistas, fazer aliança com eles, escondendo o fato de que são inimigos da população.

É preciso mudar drasticamente essa política. É preciso chamar o povo a sair às ruas para derrubar o golpe, não para conciliar com os golpistas, o que levará ao fortalecimento deles. Para isso, é preciso colocar em marcha um conjunto de reivindicações que orientem corretamente essa mobilização. Colocar na ordem do dia a derrubada do governo Bolsonaro e de todo o regime golpista e exigir a liberdade imediata de Lula.

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